CPT - Centro de Produções Técnicas

A Vigor pretende expandir sua atuação no mercado de produtos funcionais em um movimento comparável à inserção do iogurte grego no País, feita em 2012. O presidente da companhia, Gilberto Xandó, diz que a Vigor deve ampliar o seu portfólio, realizar ações em pontos de venda e investir na marca Lactive para ganhar espaço. O plano entra em marcha em momento delicado para a companhia, que planeja repassar aos consumidores parte do seu ônus com os reajustes das tarifas de energia elétrica e água e a alta do dólar, que encareceu insumos. "Enxergamos que é maduro participar mais do mercado de funcionais. Apesar de ele não apresentar o ritmo de crescimento que víamos no passado, é um mercado no qual temos espaço para crescer", disse Xandó, em teleconferência com analistas para discutir os resultados da companhia no segundo trimestre deste ano. Segundo o executivo, a Vigor reformulou seu portfólio e embalagens de funcionais e vai investir em comunicação para solidificar a marca Lactive. Xandó, no entanto, evita citar números. "Não costumamos falar em investimento, mas planejamos algo relevante", disse, garantindo que tem um "plano bastante agressivo" para o segundo semestre. Os produtos funcionais miram consumidores preocupados com a saúde, para além do valor nutricional. Neste quesito, a Lactive compete diretamente com o Activia, da Danone. A companhia espera que a expansão na categoria garanta margens e resultados melhores. <b>Repasses</b> O apetite dos consumidores não será testado apenas com um mix de produtos novos, mas também com preços maiores. A Vigor quer aumentá-los entre 8% e 12%, a depender da linha, em média. A alteração dos preços deve ocorrer ainda este mês ou em setembro. Segundo Xandó, a mudança não será feita para aumentar margens da companhia, mas para equiparar receitas à alta de insumos. O executivo diz não esperar perda de mercado com a decisão. "Nas últimas vezes em que fizemos isso, não sentimos tanta dificuldade", afirmou. A Vigor, segundo Xandó, continua bastante otimista com o mercado brasileiro. "É um mercado resiliente, que cresce menos na situação que vemos hoje, mas que tem um futuro muito promissor." Neste semestre, a companhia pretende inaugurar a sua fábrica em Barra do Piraí (RJ), que será focada na produção de leite UHT e iogurtes. <b>Rússia</b> Durante a teleconferência, Xandó se disse cauteloso a respeito da abertura do mercado russo para o leite em pó brasileiro e não espera resultados significativos no curto prazo. Para o executivo, o mercado internacional vive "cenário bastante confuso" com os preços internacionais em queda, sobretudo por causa da menor demanda chinesa e do fim do regime de cotas na União Europeia. O índice geral do Global Dairy Trade (GDT), que engloba diversos produtos lácteos, atingiu este mês o menor valor em 13 anos: US$ 1.815 por tonelada. O preço médio do leite em pó integral foi de US$ 1.590 por tonelada, montante 51,4% menor do que o registrado em fevereiro deste ano. Sem fazer referência direta à plataforma de leilões, criada pela Fonterra, Xandó diz que "ninguém consegue produzir nesses níveis de preços, porque é prejuízo na certa".

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