CPT - Centro de Produções Técnicas

A gastronomia se apresenta como um exemplo desse viés pouco divulgado do conceito de sustentabilidade, mas tem atuação representativa, ao buscar, por exemplo, nas novas tendências das cozinhas dos grandes chefs, a valorização dos produtos sazonais e produzidos nas regiões próximas aos seus estabelecimentos. Mas ainda é pouco para um segmento tão vasto e repleto de alternativas, e um dos destaques do papel da gastronomia na sustentabilidade do planeta, vem da valorização das pessoas mais simples, e das suas atividades artesanais na produção de alimentos, que representam as tradições e as culturas regionais de cada canto do estado e do pais. <b>Uma profissional que faz a diferença</b> Em Minas, a jovem empreendedora Laura Cota, cuja formação original é de designer industrial, tem desenvolvido um trabalho que é exemplo dessa força do segmento, mostrando a gastronomia como ferramenta de desenvolvimento social. A preservação do homem no campo, valorizando e destacando o seu ofício, dando-lhe dignidade através do reconhecimento da sua importância na cadeia produtiva da alimentação. Natural de Alvinópolis, Território dos Rios, filha de padeiros, desde cedo Laura aprendeu o caminho das cozinhas e a magia dos temperos numa família do interior, história que não foge as regras da maioria dos mineiros. Ao se formar em design, percebeu que sua vocação chamava para um caminho onde os desenhos traziam traços mais frugais, e apontavam para contornos sociais, ajudar aos menos favorecidos. Pensamento típico da juventude, mas que balizou as mudanças e o crescimento em sua curta mas já brilhante carreira de empreendedora. Partiu para o mestrado em Engenharia de Produção com ênfase em Inovação Social, e com os estudos voltados para os pequenos produtores e as suas dificuldades em encontrar um caminho mais rápido e justo entre os seus produtos e os consumidores, compreendeu a melhor forma de associar seu dom e paixão pelas cozinhas à sua vocação de mudar o mundo. <b>Pequenos produtores</b> Durante os estudos, começou a levar produtos de Minas para vender e ajudar nas contas da difícil vida de estudante no Rio de Janeiro, e a relação com pequenos produtores foi se estreitando e definitivamente contaminando seu futuro. Laura voltou, e já com vários amigos fornecedores cativos, empreendeu e montou a sua loja, De Lá, que deveria ser uma loja virtual, mas logo se transformou num empório charmoso, no coração da Savassi, onde os amantes das tradições culinárias tem seu saudosismo da vida na roça atenuado pelas prateleiras repletas de sabores e histórias de cada cantinho de Minas e do Brasil. Hoje, a De Lá tem um importante aliado e parceiro, a Fundação Don Cabral, onde participa do projeto Dignidade, colocando seus produtos nesta grande vitrine, por onde passam executivos e empresários de todos os cantos do pais. <b>Muito mais que fornecedores, produtores se tornam amigos</b> Alguns dos principais fornecedores já ultrapassaram essa condição comercial de presença cativa na De Lá, ao fazer parte dos novos amigos da Laura, que os visita regularmente para uma prosa, o cafezinho de lei, e é claro, para cuidar dos negócios. A emoção se renova, segundo a empresária, a cada caso de mudança e crescimento relatado pelos próprios protagonistas dessa atividade artesanal tão rica, mas muito difícil no nosso pais, onde a legislação e a própria infraestrutura são os grandes entraves para que elas tenham o devido reconhecimento, proteção e valorização, como acontece nos países mais desenvolvidos na gastronomia.

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