CPT - Centro de Produções Técnicas

Depois do aumento do preço dos produtos hortifrutigranjeiros em janeiro, o leite tende a ser o novo vilão da inflação em março. O motivo é a queda de 14,1% na captação do produto, a maior dos últimos dez meses, somada à elevação nos custos de produção para o pecuaristas. O cenário elevou os preços pagos ao produtor mineiro em 3,6% entre janeiro e fevereiro e a consequência direta, segundo especialistas, será a elevação do preço pago pelo consumidor final. Em fevereiro, o litro do leite integral longa vida já ficou mais caro nos supermercados da capital. Dados do setor de Segurança Alimentar e Nutricional da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) apontam que o preço médio do produto saltou de R$ 2,31 (janeiro) para R$ 2,34. Levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam que, para março, a expectativa é de que os preços do leite permaneçam em alta, ainda apoiados na oferta relativamente pequena. A menor oferta ainda pode ser agravada pelo início da entressafra que, tradicionalmente, começa no final do primeiro trimestre. <b>Nova alta</b> Entre os profissionais do segmento de laticínios e cooperativas consultados pelo Cepea, 94,1% acreditam em nova alta para março. O presidente da Cooperativa Agropecuária Ltda. de Uberlândia (Calu), Cenyldes Moura Vieira, ressalta que a produção de leite no Estado já está em marcha lenta antes mesmo do fim de março e pode não acompanhar a demanda. “A produção está crescendo menos e as indústrias pagando mais pela matéria prima. O preço de custo é muito alto. Logo, a elevação no preço do leite é a tendência natural. Mas tudo depende do comportamento do mercado e se ele vai aceitar essas altas”, comenta Vieira. Na média Brasil (formada por GO, MG, RS, SP, PR, BA e SC), o preço do leite recebido pelo produtor já subiu 3,3% em fevereiro, na comparação com o mês anterior, um aumento de R$ 0,03 por litro, conforme dados do (Cepea). Para o analista de agronegócio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Wallisson Fonseca, a elevação do preço está diretamente ligada ao que o agronegócio enfrentou em 2015, um ano de clima seco e desfavorável para a bovinocultura de leite e corte. “Além do clima, o dólar subiu, os defensivos agrícolas e adubos também, o que elevou demais o custo de produção no campo. Houve um incremento de 5,3% para o produtor em janeiro na comparação com dezembro e o preço do leite não acompanhou essa evolução”, explica. <b>Indústria</b> A pressão de custos sobre a industrialização do leite também deve contribuir para que o produto fique mais caro nos próximos meses. É o que explica o diretor executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios do Estado de Minas Gerais (Silemg), Celso Costa Moreira. “Tudo indica que os preços ao consumidor irão aumentar. Há uma pressão de custos de grãos, que respondem por 60% do custo de produção do leite. Em um segundo estágio, na indústria, houve aumento de custos de cerca de 19%, impulsionados principalmente pelos combustíveis e a energia elétrica que aumentou mais de 50% ao longo de 2015”, explica.

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