CPT - Centro de Produções Técnicas

Nos últimos quinze anos, a produção de leite cresceu num ritmo inferior ao da população mundial. Novos mercados consumidores se instalaram recentemente em países emergentes, a exemplo da China e da Ásia; alterações climáticas aconteceram na Oceania, especialmente no biênio 2006-2007, e, ainda, observamos a estabilização de produção na Europa, reduzindo a oferta de leite no planeta. Esses fenômenos contribuíram para exaltar o descompasso existente entre a oferta e a demanda de lácteos, culminando numa elevação histórica dos preços das commodities lácteas, que passaram a se situar num novo patamar. Para se ter uma idéia da magnitude destas alterações, o leite em pó integral, por exemplo, praticamente triplicou de preço em apenas um ano, saindo do patamar de US$ 2.000/ton em 2006 e saltando para picos próximos de US$ 6.000/ton em 2007. Muitos especialistas são unânimes em afirmar que este novo patamar veio para ficar, refletindo um fenômeno chamado de inflação agrícola, ou seja, de retomada de renda do setor produtivo primário que, durante muitas décadas, transferiu para as cidades grande parte do ganho da sua eficiência produtiva em redução real de valor dos seus produtos. Ninguém ousa antever qual será o novo patamar de preços, mas todos concordam que não serão mais aqueles observados anteriormente. O setor lácteo nacional soube aproveitar bem este bom momento vivenciado pela elevação das commodities lácteas no mercado internacional. Em 2007, o Brasil bateu recordes na exportação e no superávit da balança comercial de lácteos. Fato inédito para um País que, há quatro anos atrás, ainda era, inexplicavelmente, deficitário neste segmento. Enquanto em 2000 o País apresentava um déficit de US$ 360 na balança comercial de lácteos, no ano passado atingiu superávit de US$ 89 (até novembro), segundo o CEPEA, ESALQ/USP. Isto significa dizer que houve progresso nesta área da ordem de próximo de meio bilhão de dólares anuais em apenas sete anos. Essa guinada do setor lácteo nacional se deveu a várias mudanças internas, destacando-se a ampliação e a modernização do parque industrial laticinista, melhoria da qualidade da matéria-prima, dos processos e da organização empresarial com foco voltado para o mercado externo. Isso tudo foi sentido no campo e contribuiu para uma elevação de 28% na renda dos produtores de leite brasileiros, que responderam positivamente aumentando em 8,9% a produção de leite (até novembro de 2007, de acordo com o CEPEA). No mercado interno, o único produto que acompanhou a valorização do produtor, segundo o próprio CEPEA, foi o leite em pó, demonstrando a âncora que se transformou este derivado em função da já relatada elevação de preço no mercado internacional. Vale destacar que leite em pó é feito através da retirada de água do leite. Desta forma, o aumento do rendimento de leite em pó depende fundamentalmente da elevação de sólidos no leite, destacando-se os níveis de gordura e proteína na matéria prima. Estes parâmetros são influenciados, fundamentalmente, pela genética e pelo manejo. Dentro da genética, sabe-se, por exemplo, que na Holanda se produz o leite mais rico em sólidos do mundo, atingindo valores médios de 4,39% de gordura e 3,54% de proteína, contra apenas 3,50% de gordura e 3,00% de proteína nos Estados Unidos, por exemplo. Isto quer dizer que o leite na Holanda é capaz de gerar incremento de 22% no rendimento industrial de derivados dependentes de sólidos, quando comparado ao leite americano. Desta forma, deve-se buscar aumento do nível de sólidos do leite brasileiro para contribuir com o incremento da renda do setor lácteo, uma vez que o aumento do tamanho do bolo é capaz de permitir aos agentes (incluindo o produtor) acessos a fatias cada vez maiores. Alguns acontecimentos ocorridos no segundo semestre de 2007 deixaram várias lições para o setor lácteo nacional. A primeira delas é que para aproveitar melhor o bom momento do leite é preciso estar estruturado. Isso significa estabilidade da produção, sustentada pela melhoria constante da qualidade de matéria prima, especialmente através da elevação do nível de sólidos e redução da contagem de células somáticas e bacteriana do leite cru. Também precisamos ter parque industrial, logística, abertura de novos mercados e foco voltado à exportação. Além disso, deve-se ter atenção crucial na manutenção do status sanitário do rebanho bovino nacional, permitindo ao país acesso ao mercado mundial. O Brasil caminha cada vez mais em direção a uma posição de destaque no mercado mundial de lácteos. O progresso genético do rebanho, buscando aumento da produção de sólidos, a melhoria da qualidade do leite, com redução da contagem de células somáticas e bacteriana, a modernização e ampliação do parque industrial e, finalmente, a abertura de novos mercados (interno e externo) são cruciais à consolidação deste processo.  Fonte: Lagoa, adaptado pela Equipe Milknet 10/06/2008

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