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Os sindicalistas da indústria da alimentação da América Latina que tem fábricas da Nestlé em suas bases se reuniram no dia 17, na sede da Fetiasp (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação do Estado de São Paulo), em São Paulo para fazer um levantamento sobre a situação dos trabalhadores da empresa na América Latina. “Faremos um relatório que será entregue à direção da empresa na reunião anual entre as partes, que ocorrerá em 27 e 28 outubro, em Vevey, na Suíça”, disse Melquíades de Araújo, presidente da Fetiasp e da Felatran (Federação dos Trabalhadores para América Latina da Nestlé). Participaram da reunião, Gerardo Iglesias, secretário regional Latino-Americana da União Internacional dos Trabalhadores da Alimentação (UITA), e Jorge de La Fuente Celis, do Chile. Estes sindicalistas de cidades, estados e países diferentes integram a rede sindical da Nestlé. Segundo Araújo, a rede funciona da seguinte forma: os sindicatos de trabalhadores de uma determinada empresa se reúnem e debatem os problemas que os trabalhadores enfrentam em suas bases. Isso acontece com os sindicatos da América Latina e de outros continentes. Depois, um dirigente sindical de cada continente participará da reunião com a direção da empresa. “Nestas reuniões não se discute salários ou hora-extra, etc … Os debates giram em torno de problemas sociais que os trabalhadores enfrentam e de temas como saúde, segurança, rotatividade, terceirização e precariedade no trabalho, entre outros”, informa Araújo. Neste ano, o tema em destaque será a situação dos trabalhadores com LER/DORT, especialmente em Araras, onde a Nestlé tem duas unidades. Elio Ramos Costa, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Alimentação de Araras, informa que no município existem duas unidades, a DPA (fabrica de iogurte) e a Nestlé Brasil (produtora da chamada linha seca, fabricando produtos como Nescafé). Costa explica que os trabalhadores lesionados temem ser demitidos. Em caso de um acidente simples, eles ficam 15 dias em uma salinha (sem trabalhar em suas funções) para se recuperar, mas não recorrem à Previdência e, portanto, não entram nas estatísticas oficiais de acidentes de trabalho. “Muitos ficam com a lesão e depois de três ou quatro meses são demitidos e não têm como comprovar a doença porque não tiveram a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho)”, observou Costa. “Temos que saber a extensão do problema”, afirma Araújo. Ele quer saber o que a Nestlé tem feito com os lesionados? Onde estão estas pessoas? Quantos são? “Queremos estas respostas e faremos uma investigação ”, declara o presidente da Fetiasp. “No geral”, diz ele,” a relação com a Nestlé melhorou, a comunicação da empresa com os trabalhadores foi aprimorada. Só precisamos apurar as denúncias sobre os trabalhadores prejudicados com a LER/DORT”, conclui.

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