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por Dra Licinia de Campos, nutricionista Se você estiver entre os 85% de mulheres que sofrem dos sintomas de TPM (tensão pré-menstrual), um copo de leite desnatado pode ser a sua salvação. De acordo com pesquisas publicadas nos Arquivos de Medicina Interna, incluir mais cálcio e vitamina D na dieta pode ajudar as mulheres a reduzirem a severidade destes sintomas mensais. O estudo prospectivo usou informações colhidas durante o Estudo em Saúde das Enfermeiras II, que forneceu o status em saúde e dados padrões de alimentação entre mais de 16000 enfermeiras com idades de 24-42 anos, em período de 10 anos, de 1991 a 2001. Os pesquisadores analisaram as participantes, baseando-se em diagnósticos médicos e sintomas de TPM de análise-própria, fazendo-as responder relatórios sobre suas experiências com qualquer dos 26 diferentes sintomas relacionados com a TPM, quando os experimentaram e com que frequência. O estudo selecionou um grupo de 1057 mulheres com sintomas de TPM e 1968 sem sintomas para comparações entre sua ingestão dietética de cálcio e vitamina D. Os pesquisadores descobriram que as mulheres que obtiveram a maior parte de cálcio e vitamina D proveniente de sua alimentação (na média cerca de 1280mg de cálcio e 380UI de vitamina D) experimentaram menos sintomas de TPM que as mulheres com pouco cálcio ou vitamina D. Além disso, as mulheres que ingeriram no mínimo 2 porções por dia de leite desnatado ou semi tiveram significativos riscos minimizados no desenvolvimento dos sintomas da TPM do que as que ingeriram somente 1 porção ou menos de leite desnatado ou semi por semana. O leite integral foi associado com aumento moderado no risco. Em outro estudo, na Columbia University, New York, em 466 mulheres, das quais 231 receberam cálcio durante três meses e 235 receberam placebo. O cálcio foi administrado na forma de carbonato, na dose de 750 mg (300 mg de cálcio elementar). As pacientes deveriam ingerir duas vezes dois comprimidos, diariamente, durante três meses. O resultado do tratamento foi a melhora de 48% nos escores sintomatológicos com cálcio contra 30% com placebo. A explicação oferecida para o sucesso do tratamento com cálcio foi de que distúrbios na concentração de cálcio intracelular ou do PTH em pacientes com hiperparatireoidismo primário pode resultar em baixas concentrações dos metabólitos das monoaminas, por exemplo, ácido 5-hidroxi-indol-acético. Como no caso do hiperparatireoidismo primário, os sintomas afetivos da síndrome pré-menstrual foram relacionados às alterações do metabolismo das monoaminas e da serotonina. O cálcio pode influenciar o metabolismo das monoaminas e reverter as alterações do sistema serotoninérgico, oferecendo assim uma base bioquímica para o efeito terapêutico. A TPM é um grupo de sintomas físicos e emocionais, com os seguintes sintomas: inchaço abdominal, flacidez nas mamas, dor de cabeça, fadiga, irritabilidade e ansiedade – e acontece em mulheres antes da menstruação. A TPM causa sintomas físicos e emocionais pertubadores entre o tempo de ovulação e o 1º. dia do período menstrual. A maioria das mulheres passa por sintomas emocionais e físicos suaves na TPM, mas de 8 a 20% sofrem sintomas graves o suficiente para entrarem na definição de TPM, caracterizada por sintomas moderados a severos. Estes sintomas pré-menstruais podem interferir com relacionamentos e atividades diárias e muitas mulheres estão à procura de maneiras de minimizá-los. A causa real da TPM é ainda desconhecida. A incidência parece aumentar com a idade, assim adolescentes podem não experimentar TPM na mesma proporção que as mulheres mais velhas. Embora a TPM esteja claramente relacionada com o ciclo da produção dos hormônios ovarianos, estes sintomas não estão diretamente relacionados com os níveis destes hormônios. As flutuações no equilíbrio do estrógeno e progesterona podem desencadear um sintoma que conduz a outro sintoma e assim por diante. O excesso de estrógeno, deficiências em progesterona, deficiências em vitamina B6, baixos níveis de serotonina (química cerebral), excesso de pró-lactina (hormônio protéico que induz à lactação) e metabolismo alterado da glicose estão entre as muitas teorias diferentes que tentam explicar a TPM, mas nenhuma foi comprovada até hoje. Uma complexa interação dos neurormônios e outras químicas cerebrais são suspeitas de terem relação mais direta na catalização da TPM. Exatamente como estas químicas cerebrais modificam ou afetam o ciclo menstrual permanecem indeterminadas. Contudo, os estudos em tratamentos estão começando a se focar com mais intensidade e podem levar ao melhor entendimento do ciclo menstrual e o efeito dos hormônios no comportamento humano. Por exemplo, 3 estudos recentes apontaram a deficiência em cálcio como uma das responsáveis no ocasionamento da TPM. Porém, a suplementação em cálcio pode levar um bom tempo até ajudar a minimizar os sintomas da TPM. Em um outro estudo, pesquisadores descobriram que as mulheres que receberam 1,200mg de carbonato de cálcio a cada dia em 3 ciclos menstruais, tiveram 50% de redução nos sintomas da TPM, particularmente na depressão ou alteração de humores, dores, desejos e retenção hídrica – e muitos dos outros sintomas, também. A deficiência em cálcio ocasiona elevação dos hormônios femininos no organismo, a fim de estabilizar o desequilíbrio. A relação entre níveis anormais de cálcio e hormônios femininos ocasiona os sintomas da TPM. Corrigido este desequilíbrio, os níveis de hormônios voltam à sua taxa normal. Alguns especialistas pensam que a TPM pode ser uma simples deficiência mineral, e que seus sintomas podem ser uma lembrança mensal de que a pessoa não está consumindo cálcio suficiente, e possivelmente vitamina D também. Por muitos anos, a TPM foi considerada como puramente psicológica. Muitas mulheres foram mesmo diagnosticadas como sendo mentalmente doentes durante a TPM. Atualmente, sabemos que a TPM é um problema físico, envolvendo muitos dos hormônios que trabalham em conjunto normalmente, e que ficam desequilibrados durante este período do ciclo feminino. O leite é uma fonte primária tanto de cálcio quanto de vitamina D na dieta ocidental – assim ingeri-lo diariamente pode ajudar a minimizar as dores menstruais. Referência bibliográficas: • Bertone-Johnson ER, et al. Calcium and vitamin D intake and risk of incident premenstrual syndrome. Archives of Internal Medicine.2005; 165:1246-1252. • Wilson, S.A. Calcium therapy for treating PMS. Journal of Family Practice, 1998. • Bosarge, P. M. The nurse practitioner: the American Journal of Primary Health Care. Vol 28, no. 11 – 2003. • Halbe, H. W. Cálcio e síndrome pré-menstrual. Revista Brasileira de Medicina. LIM, 058, FMUSP. . Fonte: Informativo Leite & Saúde – Láctea Brasil,.  adaptado pela Equipe Milknet.

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