No mesmo dia em que o Ministério da Justiça notificou supermercados e produtores a respeito do aumento no preço dos alimentos da cesta básica, lideranças do setor se reuniram no webinar Arena de Ideias, promovido pela In Press Oficina, com o tema Competitividade – o alimento movimenta o Brasil.

Durante o evento online, que ocorreu na manhã de hoje, a pesada carga de impostos foi apontada como um dos principais gargalos do setor. “É importante dizer que o Brasil é um dos países que mais taxa o alimento. Temos uma média de 23%, enquanto os países da OCDE estão na faixa de 7%. Num país onde temos uma grande parte da população de baixa renda, praticamente um quarto do valor do alimento é imposto. Estamos acompanhando para que o alimento não seja penalizado e não encareça o setor”, afirmou a presidente do Conselho Diretor da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), Grazielle Parenti.

Além de Grazielle, o debate contou com as participações do deputado federal e presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Alceu Moreira (MDB-RS); o presidente do Comitê de Contratos Externos da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Marcos Amorim; o diretor-presidente da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), Murilo Barbosa; e a sócia-diretora da In Press Oficina, Patrícia Marins.

Para o presidente da FPA, a reforma tributária precisa resolver dois gargalos: a simplificação e a alíquota de impostos. “A reforma tributária estará madura para ser votada a partir das eleições municipais, no final de novembro. O que queremos é a simplificação do processo. E não podemos tributar feijão com a mesma alíquota do Iphone. Dizem que o produto do agro é isento, mas pagamos o tributo do pneu, do óleo, do combustível, da telefonia, da energia, está tudo embutido”, disse.

Logística reduz a competitividade

Na mesma direção, Marcos Amorim lembrou que, além da carga tributária, o país tem um custo elevado de logística. “A gente acaba exportando impostos e isso não pode acontecer. Já temos uma carga que impacta no preço logístico da nossa exportação, que fica mais pesada que a dos maiores concorrentes internacionais, como Estados Unidos e Argentina”, ressaltou.

O almirante Murilo Barbosa, por sua vez, mostrou-se preocupado com a não prorrogação do Reporto – regime de tributação que isenta impostos dos terminais portuários. “A tributação que o segmento portuário tem é muito alta. E nós convivemos há alguns anos com uma isenção tributária, que é o Reporto. Mas, infelizmente, ela tem que ser renovada periodicamente e está em vias de terminar”, lamentou.

Apesar de todas as dificuldades, Patrícia Marins ressalta que o agronegócio e o setor de alimentos como um todo estão sendo fundamentais para segurar a economia. “Num momento em que temos muitas áreas que apresentam um desemprego sem precedentes, esse setor é um dos que está conseguindo desenvolver a nossa economia”.
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