CPT - Centro de Produções Técnicas

A indústria dos laticínios, um dos segmentos mais dependentes de água no processo de pasteurização e resfriamento de leite, também enfrenta um cenário difícil. A estiagem de mais de 60 dias no norte do Estado já provocou um déficit de produção de 25% nos laticínios da região, de acordo com o vice-presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios do Estado de Minas Gerais (Silemg), Guilherme Olinto. "Uma das regiões mais afetadas é a do Vale do Rio Doce. As fábricas estão enfrentando dificuldade de abastecimento, mas os produtores rurais são realmente os mais afetados. O panorama do Estado é muito complexo, o recurso hídrico está abaixo dos 50%", explica. O setor conta com cerca de 956 indústrias e 237 mil produtores de leite, responsáveis por uma produção de quase 9 bilhões de litros de leite. Por enquanto, as grandes empresas não estão em situação crítica, pois podem contar com a captação de poços e cursos d’água e, também, possuem tecnologias de reuso hídrico, segundo o gerente de Meio Ambiente da Fiemg. Porém, o especialista alerta que, se seca continuar, essas companhias vão se deparar com uma crise provavelmente em setembro ou outubro. "A indústria começou a sentir os efeitos da deficiência hídrica de maneira diferenciada, depende muito do porte da companhia e da região. As grandes empresas estão buscando alternativas, mas já estão em processo de contingência também. Relatórios mostram que no setor de mineração, o índice de reuso da água chegou a 80% em 2014 e no da siderurgia reaproveitaram 90%. Os números são bons, mas, sem a chuva, essas empresas também entrarão em estado de alerta", afirma Costa. Na opinião do especialista, vários fatores contribuíram para a escassez de água e não apenas a falta de chuva. "Realmente faltou planejamento para enfrentar uma falta de recurso hídrico que já vinha sendo sentida há alguns anos. Não se investiu, por exemplo, em uma infraestrutura de retenção de água. Mas quem imaginaria uma seca violenta como essa?", indagou.

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