CPT - Centro de Produções Técnicas

A Cooperativa Santa Clara estima encerrar 2014 com um faturamento 10% superior ao do ano passado, chegando a R$ 935 milhões. O crescimento é sustentado pelo aumento da produção leiteira, que deve alcançar os 314 milhões de litros. Desde 2005, a produção triplicou e o faturamento quadruplicou. Para chegar a esses resultados, a cooperativa envolve uma comunidade de mais de 10 mil pessoas, entre associados e produtores, que vivem exclusivamente da atividade leiteira em 110 municípios gaúchos, além de 1.778 funcionários. A diversificação de produtos é outro caminho para a empresa, que conta com mais de uma centena de produtos laticínios e 126 artigos frigoríficos. Com 102 anos, a Santa Clara, com sede em Carlos Barbosa, é a mais antiga cooperativa de laticínios do País e pretende completar 112 anos com uma produção três vezes maior do que a atual. No mês passado, a organização adquiriu em um leilão a Indústria de Laticínios da Cooperativa Tritícola de Getúlio Vargas (Cotrigo). O investimento, apenas com a compra, foi de R$ 10 milhões e vai levar a Santa Clara a dobrar a produção de queijo muçarela – que já vinha sendo processado na unidade a partir de parceria com a Cotrigo estabelecida em 2008. “Nosso objetivo é sempre melhorar um pouquinho mais”, comenta o presidente da Cooperativa Santa Clara, Rogerio Bruno Sauthier. As operações no Alto Uruguai, onde estão instalados 451 produtores, já estão liberadas, mas a unidade ainda deve receber investimentos de aproximadamente R$ 3 milhões para expandir a produção, cujo potencial de processamento pode chegar a 120 mil litros de leite por dia. O diretor administrativo e financeiro da cooperativa, Alexandre Guerra, explica que os 53 funcionários da Cotrigo serão absorvidos pela Santa Clara. O desafio de triplicar a produção vai além do aumento da produção de queijos na unidade do Alto Uruguai. Com projeto em andamento, a nova unidade fabril da Santa Clara, localizada em Casca, vai suplantar o crescimento previsto para os próximos 10 anos e produzirá apenas leite UHT. A capacidade de processamento, de 1 milhão de litros de leite por dia, só chegará a totalidade em 2024. Até lá, a elevação vai ser gradativa, de acordo com o desenvolvimento do projeto. Guerra prevê que o funcionamento da primeira etapa deve ocorrer em um prazo de dois anos a dois anos e meio. Com as duas expansões previstas, a organização deve chegar a um volume de R$ 1,7 milhão de litros de leite processados diariamente. Diferentemente da crítica atual da indústria leiteira gaúcha, a Santa Clara não sofre com ociosidade fabril decorrente da baixa quantidade de leite captado. A situação, na verdade, é inversa, já que os 860 mil litros de leite coletados diariamente pela cooperativa ficam acima da capacidade de processamento industrial, de 600 mil litros por dia. O total de litros coletados pelos produtores cooperados corresponde a 8% da produção leiteira do Rio Grande do Sul, e os mais de 200 mil litros não aproveitados pela Santa Clara são comercializados para parceiros da cooperativa. <b>Imagem de qualidade sai fortalecida em um contexto de crise</b> Um grupo de 79 profissionais, entre médicos veterinários, técnicos e agrônomos, garante suporte a mais de três mil famílias produtoras de leite que são associadas à Cooperativa Santa Clara em 110 municípios gaúchos. Todos os produtores de leite são registrados, assegurando rastreabilidade em caso de problemas, e permitindo, ainda, a valorização pela qualidade do leite entregue. É com satisfação que o presidente da cooperativa, Rogerio Bruno Sauthier, comenta que a Santa Clara, além de ser a mais antiga cooperativa de laticínios do País, é também a primeira a remunerar os produtores pela qualidade do leite entregue. A bonificação adicional é concedida desde 1991. O critério de qualidade da cooperativa também atenta para as falhas, que, nesse caso, são punidas. Nas propriedades rurais, o leite coletado é examinado antes de ser transferido para os caminhões-tanque. Dividido por compartimentos, os veículos são conduzidos por transportadores que recebem pelo trabalho executado e não pela quantidade de leite entregue, numa relação que descaracteriza a imagem do intermediário no processo – um dos principais agentes responsáveis pelas fraudes deflagradas no decorrer do último ano pelo Ministério Público do Estado. Quando constatadas inconformidades no leite cru entregue na fábrica, mesmo que não sejam decorrentes de adulteração, mas que comprometam a qualidade exigida, o produtor, além de não receber pelo produto entregue, é obrigado a pagar a totalidade de leite coletado junto a outros produtores se, por ventura, vierem no mesmo compartimento. “Somos a primeira cooperativa e indústria do setor no Rio Grande do Sul a obter o certificado ISO 9001, em 1999. Sempre prezamos pela qualidade e, claro, em um cenário em que a qualidade ganha evidência, alcançamos visibilidade positiva”, revela o diretor administrativo e financeiro da cooperativa, Alexandre Guerra. <b>Maior desafio é aumentar a produtividade individual</b> A projeção de crescimento da Cooperativa Santa Clara não vem atrelada, necessariamente, ao aumento no número de associados. Os dirigentes da organização buscam uma estratégia melhor e mais satisfatória para os produtores com os quais trabalham. A aposta é aumentar a eficiência, melhorando a produtividade dos associados. De acordo com João Seibel, gerente do departamento de Política Leiteira da Santa Clara, é possível aumentar a quantidade de litros coletados por produtor com melhorias técnicas e de manejo. “Procuramos, no dia a dia, focar em qualidade e quantidade, mas muitas vezes encontramos dificuldade na mudança de cultura”, explica. Duas condições têm ajudado a contornar esse desafio. Uma possibilidade está na qualificação dos jovens, que estão vislumbrando oportunidades de negócio na cadeia leiteira e, mesmo quando deixam a localidade para cursar o ensino universitário, retornam graduados para dar continuidade ao trabalho na propriedade rural. Outra aposta que tem se mostrado promissora é levar as discussões sobre a cadeia leiteira para as mulheres. “Elas são mais detalhistas, observadoras e abertas a inovar”, afirma Seibel. Há 16 anos, a cooperativa instituiu o Encontro de Mulheres. Na primeira edição, o número de participantes chegou a 400 pessoas. Neste ano, 2 mil mulheres compareceram. O papel desempenhado por elas a favor da qualificação do setor é o de sensibilização dos produtores para questões técnicas que garantem elevação da produção aliada à qualidade. “Tem nos trazido bons resultados”, salienta Seibel, lembrando que, em geral, a mulher, diferentemente do homem, sai do evento buscando aplicação prática dos conceitos apresentados no encontro. “A Santa Clara sempre se preocupou em trabalhar as pessoas. Sem elas não existe cooperativa”, sustenta.

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