CPT - Centro de Produções Técnicas

As famílias que vivem da atividade leiteira na região Noroeste do Estado, que já enfrentam a falta de pagamento pelo leite entregue a quatro indústrias, agora têm mais um problema a encarar. Além das fábricas que já deixaram de operar ou que temporariamente não estão adquirindo o produto, outras também estão reduzindo a compra de produtores, agravando ainda mais uma crise que parece cada vez mais longe do fim. “A tendência é piorar”, projeta o primeiro tesoureiro da Fetag, Nestor Bonfanti. Segundo ele, a Laticínios Santa Mônica, de Esperança do Sul, está reduzindo a compra de leite. “Na sexta-feira, um freteiro da empresa informou que não iria mais recolher o leite de várias propriedades”, conta. Com empresas inadimplentes que deixaram de operar ou que momentaneamente estão deixando de comprar, a única opção de manutenção da renda dos produtores rurais é migrar para as fábricas que estão em atividade. “Quem tinha migrado para Santa Mônica vai ficar sem ter para quem entregar o leite. E o problema é que a produção é diária”, pontua Bonfanti, reforçando que, até o momento, o laticínio tem honrado pagamentos. “Começa, agora, a seleção de produtores dos quais a empresa irá adquirir, e os mais necessitados é que vão ser prejudicados nessa manobra.” O Jornal do Comércio tentou contato com a Laticínios Santa Mônica, sem sucesso. Outro indício de que a crise está se agravando é a perspectiva, ainda não confirmada oficialmente, de que mais uma empresa esteja atrasando pagamentos, em Taquari. “Daqui a pouco, vai ser inviável o agricultor produzir.” Se no momento a dificuldade é provocada, em parte, pelo excesso de leite no Estado, futuramente, a situação inversa é que pode se tornar um problema, desta vez para os consumidores. “Amanhã ou depois, quando várias famílias desistirem da atividade, o consumidor vai acabar pagando o preço, porque vai faltar produto no mercado e o preço vai subir”, prevê. Em Crissiumal, produtores com crédito a receber da LBR (assumida pela Italac) bloqueiam a entrada da fábrica há 46 dias, informa Bonfanti. “Eles estão se revezando, dia e noite: dormem e se alimentam ali. Tem sempre alguém, diariamente, inclusive no Natal”, revela. Ontem pela manhã, um grupo de agricultores fez uma manifestação pacífica no Centro da cidade, em frente à prefeitura, para chamar atenção para o problema. “O pessoal quer mostrar para a sociedade o que os produtores estão passando”, relata Bonfanti. <b>Negociações com a Santa Rita Laticínios avançam</b> Ontem, o diretor da Santa Rita Laticínios, Nestor Müller, participou de reunião com dirigentes sindicais na sede da Fetag. No encontro, as tratativas para o pagamento dos débitos junto aos produtores avançaram, mas ainda não contemplam 100% do valor devido. O tesoureiro da entidade, Nestor Bonfanti, intermediou a negociação e detalhou que a empresa confirmou o pagamento inicial de 10% do valor total (de R$ 3 milhões). A proposta aceita foi a de que a Santa Rita irá pagar R$ 200 mil nos dias 26 e 30 de janeiro, totalizando R$ 400 mil com os dois depósitos, referentes ao mês de dezembro. No entanto, o maior volume da dívida é sobre as aquisições do mês de novembro. Em relação a essa pendência, a indústria pagará 50% do total entre o final de fevereiro e início de março, deixando, em aberto, a outra metade do débito, que será negociado futuramente. Cerca de mil produtores vinculados às regionais de Santa Rosa, Três Passos, Vale do Taquari e Missões têm valores a receber. Bonfanti afirmou que há a perspectiva de que a Santa Rita venda a planta industrial ou negocie de alguma forma o aluguel do espaço. A empresa só se manifestou por nota, reafirmando o compromisso de seguir negociando. A assessoria de imprensa da Santa Rita confirmou que há negociação sobre os ativos da empresa e que há companhias interessadas na aquisição. <b>Agricultura e Segurança traçam ações contra o abigeato</b> Em visita ao novo secretário de segurança do Estado, Wantuir Jacini, realizada ontem, o secretário de Agricultura (Seapa), Ernani Polo, propôs uma atuação integrada entre as duas pastas, na elaboração de políticas de enfrentamento à violência no campo. A proposta também visa a aprofundar a integração com secretarias afins para combater a violência no meio rural, seja na prática de abigeato ou outros crimes. Para Jacini, a questão exige uma atuação integrada de segurança e dos órgãos de fiscalização da Seapa. “As características do Rio Grande do Sul demandam a criação de uma estratégia unificada de combate à criminalidade no campo. No caso do abigeato, por exemplo, é necessário focarmos também a receptação da carne abatida ilegalmente”, salientou. Um grupo de trabalho será formado contando também com a participação de entidades ligadas ao setor produtivo. “Cabe a nós, gestores, a busca de parcerias para a realização deste projeto,”, destacou Polo. Assim que forem definidas as equipes de trabalho, será marcado o primeiro encontro entre as instituições.

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