CPT - Centro de Produções Técnicas

Na expectativa de que os caminhões consigam chegar às propriedades, produtores gaúchos mantêm o leite nos resfriadores até o último minuto. Mas à medida que o tempo passa — e o transporte não vem —, o produto vai perdendo qualidade. Como não é recolhido, acaba ficando impróprio para o consumo. — As empresas não têm como dar garantias de que conseguirão buscar. O produtor segura o leite na esperança de entregar — explica Cleonica Back, coordenadora no Estado da Federação dos Trabalhafores na Agricultura Familiar (Fetraf-Sul). Sem qualidade, o produto não pode ser doado para comunidades carentes, e o alimento precisa ser jogado fora. Estimativa da Fetraf-Sul aponta que na Região Noroeste, passa de 80% o percentual de indústrias que não consegue buscar o leite (na foto, imagem do produto sendo jogado fora na propriedade de Anderson Prediger, em Sede Nova). O Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Estado (Sindilat-RS) também estima que 90% da produção foi afetada na região. — É muito difícil. O produtor tem de trabalhar sabendo que vai perder tudo — lamenta Cleonice. Conforme o Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa) da superintendência estadual do Ministério da Agricultura, não existem restrições legais para doações do produto. O órgão, no entanto, não pode recomendar o consumo do leite sem inspeção. Em nota, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), manifestou preocupação com os efeitos da paralisação dos caminhoneiros. "Independentemente de reconhecermos o direito de protesto e de manifestação, temos o dever de alertar para o fato de que a duração e o alcance desse movimento já estão provocando graves perturbações nas cadeias produtivas do agronegócio", afirma no documento o presidente da entidade, João Martins da Silva Junior, acrescentando ainda que se não houver uma soluções haverá "teremos danos irreparáveis à economia da produção, com reflexos severos na vida de toda a população brasileira".

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