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As embalagens de alimentos industrializados à venda no Brasil vão ter informações mais claras sobre a presença de ingredientes que podem provocar reações alérgicas. Elton, de três anos, tem alergia a leite. A Gislene até leu a embalagem na hora de preparar um macarrão, mas o filho passou mal. “Eu entrei em contato com o SAC. Eles me informaram que, naquele determinado macarrão, tinha traços de leite”, diz Gislene Carvalho, dona de casa. De 5% a 8% das crianças brasileiras têm algum tipo de alergia a alimentos. “O paciente com alergia alimentar, mesmo pouquinhas quantidades ou traços daquele alimento que ele é alérgico, ele pode desencadear alguns sintomas”, explica Marta Guidacci, médica especialista em alergia. Na hora das compras, tem que ficar atento! Quem imagina, por exemplo, que um salame tenha leite na composição? Ou então, que uma simples torrada tenha amendoim, leite e ovos? São três alimentos que podem causar alergia. Na embalagem do salame, tem escrito "lactose", o açúcar do leite. Na torrada, também, mas tudo com letras bem pequenas. A decisão da Anvisa vai mudar isso. “Rótulos de produtos que vão dar possibilidade do consumidor escolher adequadamente seus produtos, dado que uma crise alérgica, a melhor maneira de prevenir isso, é evitando o consumo”, destaca o diretor da Anvisa, Renato Porto. Os rótulos vão ter informações bem mais claras, indicando se tem um dos 17 alimentos, como trigo, peixe, soja e ovo, que, segundo os médicos, podem provocar algum tipo de alergia. Por exemplo: "alérgicos: contém amendoim" ou "alérgicos: contém derivados de leite”. A indústria queria 36 meses para se adaptar, mas o prazo vai ser de um ano e vai exigir um longo processo de acompanhamento. “Os fornecedores das matérias-primas têm que estar tudo mapeado. E eles também têm que fazer a questão, se tem problema na produção deles. Quando chegar nas indústrias, nós também teremos que fazer”, diz Ana Maria Giandon, da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos Dietéticos. As mães, que fizeram a campanha ‘Põe no rótulo’, se emocionaram com a decisão. “Para a gente, só vai ser vitória efetivamente quando a informação estiver no rótulo, porque a gente não quer norma, a gente quer informação no rótulo. Mas foi um importante passo”, avalia Cecília Cury, coordenadora da campanha.

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