CPT - Centro de Produções Técnicas

Duas décadas após a reativação do Programa do Leite no Rio Grande do Norte, cujo histórico inclui, desde o benefício social estendido a mais de 155 mil potiguares aos atrasos nos pagamentos dos fornecedores e redução do volume de leite negociado, pecuaristas e usineiros buscam se desvencilhar da dependência da principal fonte pagadora dos seus custos e a abrir novas perspectivas de negócios. Com um projeto de retomada do crescimento da pecuária leiteira em mãos, empresários vislumbram o fortalecimento do mercado consumidor local e mais incentivos governamentais à produção. Mas, num cenário de incertezas, nem sequer o financiamento do projeto, orçado em R$ 14,5 milhões, está garantido. Júnior Santos Ao longo dos anos o Programa do Leite financiado pelo Governo do Estado se consolidou como o principal consumidor da produção leiteira local, que atingiu picos de 666.436 litros por dia em 2011. A relevância do benefício, implementado em nível nacional à época da presidência de José Sarney, em meados da década de 1980, foi responsável pelo aumento, a partir de 1994, do número de usinas de beneficiamento do leite produzido no estado em 1.200%. Estendida para todos os municípios potiguares, a pecuária leiteira se transformou na principal fonte de renda de criadores instalados, principalmente, em regiões nas quais a agricultura irrigada se perpetua como uma quimera. <b>Adversidades</b> O cenário para a implementação da Proposta de Resgate da Pecuária Leiteira, concebida pela Câmara Técnica Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados do Rio Grande do Norte (Tecleite/RN) e lançada esta semana, apresenta adversidades numéricas que podem inviabilizar a consolidação do projeto. Das 26 usinas que forneciam leite ao Governo do Estado em 2012, muitas faliram. Atualmente, 14 indústrias de beneficiamento de leite mantém vínculo com o Executivo Estadual para o fornecimento do líquido que complementa a alimentação de 110 mil potiguares diariamente. Para curto prazo, a saída para o setor diverge da proposta que, caso financiada, será executada em quatro anos. “O projeto é o caminho, mas não resolve a curto prazo. O melhor seria se o Governo do Estado pudesse retomar o volume de compra que existia há quatro anos”, diz o presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindleite/RN), Dalton Cunha. Ele apontou que o setor acumula perdas em decorrência da seca de 2012, que dizimou rebanhos e minimizou a produção de leite em todo o território potiguar. “Muitas empresas deixaram de fornecer e faliram”, relembrou. A perspectiva, porém, é que o número de litros de leite contratado não seja modificado ao longo de 2015. Isto porque, há dois anos, numa das mais sérias crises no Programa do Leite, que coincidiu com uma das piores secas no estado potiguar, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RN) recadastrou os beneficiados pelo Programa do Leite baseando-se em resoluções federais e estaduais que definem o perfil dos recebedores em critérios econômicos e sociais. O corte no número de cadastrados foi significativo e a manutenção do volume anteriormente contratado, injustificável. Para 2015, conforme dados da Coordenadoria Estadual do Programa do Leite, ligada à Emater, estão disponíveis R$ 55 milhões para o financiamento dos contratos, recentemente renovados. O preço do litro do leite contratado foi reajustado em 2013 e passou a custar R$ 1,80 ao Estado.

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