CPT - Centro de Produções Técnicas

A Instrução Normativa 51, do MAPA, prevê que mensalmente as indústrias encaminhem amostras de cada fornecedor para laboratórios credenciados junto a Rede Brasileira de Qualidade do Leite (RBQL). Além desta nova legislação as próprias indústrias adotam seu programa de controle de resíduos. Uma das estratégias adotadas é o monitoramento diário dos caminhões de coleta, através da utilização de testes rápidos de detecção de resíduos (SNAP, CHARM, etc). Ao identificar resíduo no caminhão é feita a análise das amostras coletadas em cada fazenda para rastrear a origem do resíduo. Dentro deste novo cenário, a equipe técnica da Clínica do Leite, recebe várias consultas de produtores, técnicos ou da indústria. A principal delas é que a fazenda utiliza produtos que possui recomendação de “descarte zero” (produtos a base de ceftiofur), mas cujo teste realizado no laticínio acusa presença de resíduos. Outra situação também comum, são produtores que seguiram a recomendação do período de carência da bula, mas cujo leite também foi identificado com resíduo. Tais situações geram desconforto em todos os envolvidos, produtores, fornecedores de insumos e indústria. Portanto, o objetivo deste artigo é o de esclarecer alguns pontos importantes relacionados ao controle de resíduos. O MAPA definiu o Plano de Controle de Resíduos em Leite (PRCL), em que são listados os principais princípios ativos a serem monitorados, e o respectivo limite máximo de resíduo (LMR). O LMR é a concentração máxima do resíduo que é legalmente permitida e é definido por organizações mundiais como a OMS e FAO. Veja na tabela abaixo os LMR adotados no Brasil, União Européia, EUA e Codex.

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Tabela 1. Limite Máximo de Resíduos (LMR) estabelecidos pelo Codex Alimentarius, pela União européia (EU), EUA e Brasil (ppb). Conhecido os limites legais praticados aqui no Brasil, o passo seguinte é abordarmos os testes analíticos aprovados e disponíveis no mercado. Cada teste possui o seu nível de detecção para cada principio ativo. Ou seja, estes testes não definem a concentração exata do resíduo, mas acusam se o resíduo esta acima ou abaixo de um determinado valor. Esta concentração é definida como limite de detecção do método. Observem na tabela 2, os níveis de detecção de três testes disponíveis no mercado. Dois deles (SNAP e CHARM II) são testes enzimáticos (rápidos). Já o Delvotest adota princípio de inibição do crescimento bacteriano (teste lento). Comparando os dados da Tabela 1, que traz os limites máximos permitidos, com os níveis de detecção dos testes (Tabela 2), começamos a compreender alguns resultados observados.

Tabela 2. Nível de detecção (ppb) de testes disponíveis no mercado Imagine leite com resíduo de 20 ppb de ceftiofur. De acordo com a legislação esta concentração seria considerada dentro dos limites aceitáveis, ou seja, abaixo de 100 ppb. Utilizando testes como o SNAP ou CHARM II, o resultado seria expresso como positivo, uma vez que os testes detectam concentrações de 12 e 10 ppb, respectivamente. Um ponto que precisa ser esclarecido é o conceito de “descarte zero”. Mesmo no caso do ceftiofur, existe resíduo no leite. Ou seja, não existe “resíduo zero”. Quanto a recomendação de “descarte zero”, entende-se que o leite produzido por uma vaca em tratamento não precisa ser descartado, uma vez que a concentração do resíduo estaria abaixo do limite máximo (LMR), o que é correto. Trabalho desenvolvido por Jaglan (1992), identificou que leite de animais tratados com ceftiofur apresentou de 40 a 100 ppb de resíduo durante o período de tratamento (abaixo do LMR de 100 ppb do Codex), e quando analisado pelo CHARM II, apresentou resultados positivos. Produtores e indústrias devem definir claramente os critérios de avaliação e testes adotados. Não podemos nos esquecer que as indústrias são os clientes dos produtores, e cabe ao cliente definir a qualidade do produto que esta adquirindo. A indústria pode adotar critérios de qualidade mais rigorosos que os previstos na legislação. Isto já ocorre para outros parâmetros como CBT, CCS, composição, em que níveis mais elevados de qualidade são exigidos. O ponto fundamental nesta questão é definir as “regras do jogo”. Fonte: Clínica do Leite, adaptado pela Equipe Milknet 15/09/2008

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Princípio

DelvoTest*

SNAP*

CHARM II*

Penicilina

2 – 3

3

3,5

Ampicilina

6 – 7

6

8

Amoxicilina

3 – 5

7

7

Cloxacilina

20 – 30

50

Ceftiofur

50 – 100

12

10