Pesquisadores testam lactoferrina contra os vírus há um ano. Nos testes, a proteína conseguiu reduzir a infecção pelos vírus em até 80%.

Pesquisadores do Instituto Evandro Chagas, do Pará, e da Universidades Federal do Rio e da Unirio descobriram que uma proteína do leite pode ajudar no combate aos vírus da zika e da febre chikungunya.
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A proteína usada na pesquisa é bem conhecida pelos cientistas: a lactoferrina. Já se sabia que ela protege o organismo de infecções por bactérias, por exemplo. Mas há um ano pesquisadores começaram a testá-la contra o vírus da zika e da chikungunya.

Eles usaram células de macaco cultivadas em laboratório como hospedeiros de amostras da proteína e dos vírus. Os cientistas fizeram os testes em três situações. Antes da infecção, no primeiro contato do vírus com as células, e depois que eles se instalam.

Nos três casos a lactoferrina conseguiu reduzir a infecção pelos vírus em até 80%. É como se cada dez vírus, oito fossem bloqueados pela proteína.

“Observamos que a proteína também é capaz de inibir a multiplicação do vírus dentro da célula infectada. Ele tem esse potencial de atacar a infecção mesmo depois de ela ter se estabelecido na célula”, explica Carlos Carvalho, pesquisador do Instuto Evandro Chagas.
A lactoferrina está presente na saliva, na lágrima, no leite de vaca e principalmente no leite materno.

Segundo os pesquisadores, beber leite simplesmente não poderia prevenir ou tratar uma infecção por zika ou chikungunya, porque nesse caso a quantidade de proteína ingerida não seria suficiente para um possível combate a esses vírus.

A próxima etapa do estudo é justamente chegar a uma dosagem ideal da lactoferrina e de que forma ela seria aplicada nos primeiros testes em animais.

O Ministério da Saúde registrou 197 mil casos prováveis de zika e 216 mil de febre chikungunya até agosto no Brasil. Os testes com proteína do leite são mais uma esperança para combater essas doenças.

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