CPT - Centro de Produções Técnicas

O Projeto de Melhoria da Competitividade do Setor Lácteo Brasileiro, desenvolvido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em parceria com instituições ligadas à cadeia láctea, dará novo fôlego à atividade leiteira. A proposta do Mapa para os próximos quatro anos é solucionar gargalos antigos que impedem, inclusive, a maior atuação no mercado internacional. A expectativa é que toda a cadeia seja beneficiada. O projeto foi apresentado pela ministra Kátia Abreu na última semana aos principais representantes da cadeia láctea do País. De acordo com os dados do Mapa, os principais pilares do projeto serão a assistência técnica; abertura de linhas específicas para a modernização e otimização de custos no setor; sanidade animal, qualidade e a promoção do consumo de leite. Os estados prioritários serão Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Goiás, maiores produtores de leite do País. O presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Rodrigo Alvim, classificou o plano do Mapa como promissor para a produção leiteira do País. "Em todos os seus pilares, o plano contempla itens importantíssimos, essenciais para toda a cadeia. Se levado a bom termo, e de fato colocado em ação em sua integridade, deverá contribuir muito para a competitividade do setor". Dentre as ações a serem desenvolvidas, Alvim destaca o controle da sanidade, onde deve ser priorizada a erradicação da brucelose e tuberculose, doenças que impedem a negociação dos produtos lácteos brasileiros para importantes mercados internacionais. Segundo as informações do Mapa, a principal proposta de alteração é a categorização dos estados em classes e níveis de controle. Indispensável – As classes serão determinadas pelas prevalências, estimadas por estudos padronizados e realizados pelos serviços veterinários oficiais. A previsão é de que no mínimo 80% das bezerras sejam vacinadas contra brucelose nos estados de Minas Gerais, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul. " um passo indispensável para nossa competitividade no mercado internacional, e acreditamos que haverá forte empenho do governo federal neste sentido, haja vista, inclusive, o recente lançamento do novo Plano de Defesa Agropecuária, bastante completo". O diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Laticínios de Minas Gerais (Silemg), Celso Moreira, acredita que se o projeto realmente for colocado em prática a cadeia leiteira dará um passo importante para a evolução da qualidade, produtividade, sanidade e competitividade. "A cadeia produtiva do leite será muito beneficiada pelo projeto, assim como o consumidor. Toda melhoria que ocorre junto ao pecuarista de leite tem repercussão positiva na indústria, que poderá desenvolver produtos diferenciados e conquistar novos mercados. Já o consumidor terá, à sua disposição, produtos de alta qualidade e com sanidade garantida. Estamos otimistas em relação ao programa da ministra Kátia Abreu, que mesmo ante às dificuldades econômicas vividas pelo País, reconhece as necessidades e o potencial do setor lácteo", ressalta. Metas – Entre as metas, que deverão ser cumpridas em um período de quatro anos, também estão a ascensão dos produtores de leite das classes D e E, para a classe C, por meio da transferência de conhecimento técnico e gerencial, e a manutenção deles na classe C, além da desburocratização para a liberação de recursos financeiros. "Para indústria é muito interessante porque o pecuarista que tem acesso à assistência técnica e cresce de forma planejada consegue produzir com qualidade e com custos inferiores. Dessa forma, pode entregar uma produção constante, permitindo que a indústria amplie a capacidade de processamento com vistas ao crescimento do mercado interno e externo", avalia Celso Moreira. Agroindústria mineira planeja seu futuro A agroindústria de lácteos em Minas Gerais também está planejando o futuro. O setor é um dos 21 integrantes do Programa de Competitividade Industrial Regional (PCIR) desenvolvido pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL), cujo objetivo é traçar um plano de desenvolvimento de curto, médio e longo prazos. Para traçar as metas, foram identificados, através de estudos, os principais gargalos, desafios e oportunidades para o setor. De acordo com o analista da Gerência de Projetos Coletivos para a Indústria da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Thadeu Neves, no caso dos lácteos, devem ser atacadas quatro principais frentes: mão de obra; modernização, tecnologia e inovação; mercado e produtos, e exigências regulatórias. "Nosso objetivo é elaborar um documento que sirva de referência para que a indústria, as entidades representantes, o governo e os demais parceiros trabalhem alinhados e baseados no que o segmento realmente necessita. Dessa forma, será possível superar os gargalos e fazer com que as indústrias se desenvolvam", explica Neves. Para o diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Laticínios de Minas Gerais (Silemg), Celso Moreira, o projeto é fundamental para a evolução do setor. "Esse estudo é fundamental para orientar as indústrias nas adaptações e evoluções necessárias. As oportunidades vão se abrir para quem se dispuser a qualificar, buscando atender às exigências tanto do consumidor brasileiro como estrangeiro", diz. No caso da mão de obra, os principais gargalos identificados foram a baixa qualificação básica e técnica; baixo conhecimento de processos de gestão e administração empresarial; reduzido comprometimento dos funcionários em relação aos processos produtivos e no envolvimento com as empresas; e dificuldade de contratação de portadores de necessidades especiais. A solução para esses empecilhos seria a maior aproximação dos centros de ensino do Estado e que são referência no setor. Métodos – Outros desafios são a inovação e a necessidade de investir na modernização e aplicação de tecnologias avançadas. De acordo com Neves, também é preciso aportes em máquinas e equipamentos para modernizar os métodos de fabricação nos laticínios. Em relação ao mercado e produtos, os gargalos estão em torno da infraestrutura e logística precárias; da baixa produtividade das vacas; escassez hídrica e de energia; além da falta investimentos em inovação para novos produtos. "ɐ preciso investir em tecnologia, sejam de embalagens, processos de produção, de conservação, produtos e insumos. Isso é uma tendência mundial e as indústrias lácteas de Minas precisam aproveitar a oportunidade. Também foi averiguada a necessidade de trabalhar para ser pioneiro no processo de modernização, criando produtos inovadores e de maior valor agregado", ressalta Celso Moreira. Em relação às exigências regulatórias vários fatores impedem que o setor lácteo tenha um desenvolvimento mais significativo, como a legislação desatualizada; fiscalização frágil e as dificuldades em se obter licenças ambientais para as plantas industriais. O descarte dos resíduos sólidos e líqüidos e emissões atmosféricas da produção de laticínios também precisam ser trabalhadas com mais afinco por parte das indústrias. Outro gargalo é a carga tributária incidente sobre o setor, o que retira a competitividade dos produtos mineiros em relação a outros estados e que precisa ser revista.

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