CPT - Centro de Produções Técnicas

No livro A mentira do glúten, com lançamento previsto para o final de setembro no Brasil, o filósofo americano Alan Levinovitz compara nossas modas alimentares aos movimentos religiosos. Em vez de usarmos a ciência para tomarmos nossas decisões à mesa, agimos como fiéis. Difícil não pensar nesta imagem – a de fiéis amontoando-se num culto – quando falamos de dois antagonistas do momento, o glúten e a lactose. Uma conversa no trabalho, com os amigos ou na academia e logo alguém conhecerá alguém que está fazendo, fez ou pretende fazer uma dieta que exclui o glúten ou a lactose – ou as duas coisas juntas. Nos Estados Unidos, por exemplo, a previsão é que o consumo de produtos sem glúten salte de US$ 2,6 bilhões, em 2010, para US$ 5 bilhões em 2015. No Brasil, não há estimativas exatas, mas proliferam restaurantes e supermercados com opções "glúten free" ou "lac free". Quem decide parar de ingerir o glúten, uma proteína existente no interior dos grãos, como o trigo, tem que buscar alternativas aos pães, massas, biscoitos… Quem decide parar de ingerir a lactose, um tipo de açúcar presente no leite, precisa buscar alternativas aos iogurtes, queijos, bolos… Não é necessário ir muito longe para entender que cortar ou buscar "versões free" de parte significativa da nossa alimentação é assunto que divida e incomode muita gente, sobretudo cientistas. "O problema é que uma pequena quantidade de estudos não prova nem conclui nada. A ciência da nutrição depende de uma longa acumulação de resultados", diz a australiana Jane Muir, coordenadora de um estudo, na Universidade Monash, que mostrou que os efeitos indesejáveis do glúten descritos por muitos (inchaço, cansaço, diarreia) podem vir do carboidrato conhecido pela sigla Fodmap, presente em alimentos que contêm trigo, mas também em cebolas, maçãs, brócolis. Para os adeptos da onda glúten free, ainda que não tenham a alergia necessária para impedi-los de ingerir a proteína, a justificativa para banir o item da alimentação é a de que eles seriam "sensíveis". "Sensibilidade ao glúten é uma condição recentemente identificada, ainda temos muito a aprender sobre ela", diz à Muito Bana Jabri, diretora do Centro de Pesquisa Celíaca e Tratamento da Universidade de Chicago, nos EUA. "Talvez existam pessoas que não tenham sido diagnosticadas como alérgicas e que tenham alguma sensibilidade ao glúten. Para elas, o corte funcionou. Mas essas histórias viraram uma bola de neve e uma multiContentmeçou a pensar

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