CPT - Centro de Produções Técnicas

Diante de um aumento de 80% nas importações brasileiras de produtos lácteos em setembro, a Associação Brasileira de Produtores de Leite (Abraleite) divulgou nota, nesta sexta-feira (06/11), pedindo intervenção federal temporária sobre o mercado, a fim de evitar um “desmonte sem precedentes” no setor.

“Está sendo criada a tempestade perfeita para um desmonte sem precedentes na pecuária de leite, com oferta artificial excessiva de leite importado, queda de renda do consumidor com a redução do coronavoucher, aumento de impostos e insumos nas alturas”, aponta a entidade.

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o avanço das importações, somado ao aumento sazonal da disponibilidade interna do produto em outubro, já levaram a uma redução 16,8% no preço do leite negociado entre a indústria mineira no último mês, negociado a R$ 2,23/litro. O cenário, segundo a Abraleite, comprometerá as margens dos produtores neste final de ano.

“A valorização do leite nos últimos meses foi fundamental para equilibrar a relação de troca com tais insumos, porém a queda recente do preço pago ao produtor inviabiliza a produção de leite e causa impactos irreversíveis aos produtores rurais”, aponta a entidade.

Mais competitividade

Também em nota, a Aliança Láctea Sul Brasileira apontou que o câmbio ajudou a segurar a entrada de produtos lácteos importados até agosto deste ano, passando de uma média de 9 mil toneladas por mês para 23 mil toneladas por mês. A entidade, contudo, se posicionou contrária a uma possível intervenção governamental sobre o mercado.

“O que devemos é buscar competitividade para sermos atrativos tanto aqui quanto lá fora”, apontou Alexandre Guerra, coordenador da Aliança e presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat).

Com custos de produção em patamares recordes, puxados pela valorização expressiva do milho e do farelo de soja, a Abraleite, que representa os produtores de leite, afirma que o desestímulo à cadeia de pecuária leiteira neste final de ano é “mais que certo”.

“O momento é extremamente delicado, com aumento generalizado de custos dos principais insumos utilizados, especialmente os alimentos concentrados, em um mercado inteiramente doméstico, que não conta com o hedge natural das cadeias exportadoras de proteína animal”, conclui a Abraleite.

No acumulado do ano, o preço médio pago ao produtor registra valorização de 57,4%, segundo o Cepea, ante uma alta de 67,3% no preço do milho apontada pelo indicador Esalq/BM&FBovespa e de mais de 84% no preço do farelo de soja.

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