CPT - Centro de Produções Técnicas

O preço do leite pago ao produtor não se sustentou nos altos patamares de 2013. Em comparação com o mesmo período do ano passado, o leite recebido em outubro esteve 6,4% menor em termos reais (IPCA set/14). Os custos de produção não têm subido muito, mas mais que em 2013. O atual cenário político traz insegurança a todo o mercado. Diversos agentes do setor lácteo declaram ainda não terem definido as estratégias a serem adotadas; o que mais se ouve é cautela para as tomadas de decisão no correr do próximo ano. No âmbito macroeconômico, o aumento da taxa de juros, desvalorização do Real frente ao dólar e o baixo crescimento econômico são fundamentos a serem interpretados para a compreensão do mercado. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA registrou alta de 4,94% de janeiro a outubro, percentual maior que verificado no mesmo período de 2013 (4,30%). O Real, por sua vez, se desvalorizou expressivamente em relação ao dólar, com média de R$ 2,3060 até o final de outubro, 8,32% superior do mesmo período de 2013. Para 2014, de acordo com o último Boletim Focus, publicado em 12 de dezembro pelo Banco Central do Brasil, a tendência é de que a inflação e o dólar continuem crescentes. Para a inflação, a expectativa é de que aumente para 6,20% no próximo ano. Já quanto ao câmbio, estima-se média de R$ 2,60, o que representaria 3,16% superior à expectativa de média para 2014. Por fim, as expectativas de crescimento do PIB nacional também são limitadas para 2015, de 0,80%. Neste panorama, afetado negativamente também pelas altas taxas de juros, o ritmo de crescimento do consumo de leite pode diminuir nos próximos meses. A demanda por leite e especialmente por derivados é diretamente relacionada à renda da população. Os investimentos realizados pelos produtores para este ano ainda terão reflexos na produtividade de 2015, mas em níveis menores. A alta do dólar, por sua vez, pode reduzir as importações, limitando a oferta de lácteos no mercado nacional. A entrada de um grande player no mercado lácteo nacional é também um fator importante para instabilidade dos próximos meses. Ao contexto, soma-se ainda a estiagem prolongada que trará consequências negativas na disponibilidade de pasto para 2015. Em resumo, o que parece predominar neste momento é de cautela em relação aos investimentos. Boletim do Leite CEPEA/Esalq/USPadaptado pela Equipe Milknet 04/01/2015

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