CPT - Centro de Produções Técnicas

A maior parte desse realinhamento de preços deve-se ao repasse dos custos dos produtores com energia elétrica, diesel, grãos para ração e mão de obra. A evolução dos valores foi levantada pelo Conselho Paritário Produtor/Indústria de Leite do Estado (Conseleite) e confirma que os preços estão reagindo no mercado primário de produção de leite: os valores de referência para o leite-padrão pagos pelas indústrias aos produtores rurais, projetados para este mês de abril pelo Conseleite apresentam um expressivo aumento de 3,3% em relação ao mês anterior e de 13% em relação ao início do ano. Os novos valores anunciados ficaram assim: leite-padrão R$ 0,8899 o litro; acima do padrão R$ 1,0234 e abaixo do padrão R$ 0,8090. Esses valores referem-se ao leite posto na propriedade com Funrural incluso. Embora tenha esses valores como referência negocial, o mercado – como de praxe – está praticando preços superiores, em torno de R$ 0,98 a R$ 1 real o litro, valores que proporcionam lucratividade ao criador com sistema tecnificado de produção (com sala de ordenha e tanque de resfriamento) e aqueles com produção a pasto. O produtor repassou custos e inicia a recuperação da rentabilidade, de acordo com o presidente do Conseleite/SC e vice-presidente regional da Federação da Agricultura e Pecuária de SC (Faesc) Adelar Maximiliano Zimmer. Ele observa que “há um claro viés de alta no mercado que deve se manter nos próximos meses”, situação comprovada pelo presidente da Organização das Cooperativas do Estado (Ocesc) e diretor de agropecuária da Cooperativa Central Aurora Alimentos Marcos Antônio Zordan. Zimmer aponta o caráter cíclico da atividade leiteira e realça que os preços continuarão subindo e melhorando a remuneração do produtor rural. A tendência é uma escalada de recuperação até setembro. O comportamento do preço obedece a lógica de mercado e segue uma tendência histórica: de março a setembro sobre; de outubro a dezembro desce e de janeiro a março flutua. O dirigente observa que os reajustes nos custos – especialmente o preço do diesel e da energia elétrica – contribuíram com a necessidade de majoração dos valores, “caso contrário a atividade ficaria inviabilizada”. A conjugação de vários fatores repercutiu no aumento dos preços pagos pelos laticínios na aquisição de leite dos produtores rurais. Na segunda quinzena de maio, o Conselho volta a se reunir para anunciar os números definitivos de abril e a nova projeção mensal. <b>Estrutura</b> Criado em 2006, o Conselho Paritário Produtor/Indústria do Estado de Santa Catarina (Conseleite) – é constituído pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) e pelo Sindicato das Indústrias de Laticínios e Derivados de SC (Sindileite). Sua estruturação teve a assessoria da Universidade Federal do Paraná, que ajudou a constituir o Conseleite daquele Estado. Há nove anos, a UFPR faz o levantamento e o cálculo dos preços de referência do leite, utilizando metodologia definida e aprovada pelo Conselho. Santa Catarina é o quinto produtor nacional, o Estado gera 2,8 bilhões de litros/ano. Praticamente, todos os estabelecimentos agropecuários produzem leite, o que gera renda mensal às famílias rurais e contribui para o controle do êxodo rural. O oeste catarinense responde por 73,8% da produção. Os 80.000 produtores de leite (dos quais, 60.000 são produtores comerciais) geram 7,4 milhões de litros/dia.

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