CPT - Centro de Produções Técnicas

A adequada nutrição de vacas leiteira garante a qualidade do produto final, especialmente em períodos críticos de disponibilidade de alimento. No Rio Grande do Sul, esses períodos de menor oferta ocorrem principalmente entre o verão e o outono. As mudanças climáticas, nutricionais e metabólicas dos animais acaba diminuindo a qualidade do leite produzido, especialmente pela diminuição da quantidade de sólidos como carboidratos, lipídios, proteínas, vitaminas e sais minerais. Nesse contexto, a utilização de óleos essenciais de diferentes plantas surge como opção para suplementar a alimentação e, inclusive, melhorar a sanidade dos animais. Esse foi o tema de seminário técnico realizado na Universidade de Passo Fundo (UPF), em parceria com as empresas Vitalltech do Brasil e Grasp . O professor Carlos Bondan, responsável pelo Serviço de Análise do Rebanho Leiteiro (Sarle) da UPF, explica que a melhoria da qualidade do leite resulta em mais lucratividade aos produtores. “O Sarle é um laboratório muito importante no Estado que trabalha a questão da qualidade do leite e abrimos espaço para essas inovações para que o produtor possa aproveitar como instrumento para melhorar qualidade e lucratividade”, esclarece. Ele explica que há instrução normativa do Ministério da Agricultura que estipula que o leite que chega à indústria tem que ter no mínimo 8,4% de sólidos não gordurosos. “Durante esses períodos críticos do ano, principalmente em função do ambiente e da nutrição, muitos produtores não conseguem atingir esse percentual. Quando o leite chega na indústria quem é penalizado é a empresa porque o Ministério entende que está sendo adicionada água nesse leite, porém sabemos que o que acontece é um transtorno metabólico e nutricional da vaca”, detalha o professor. Para evitar essas perdas econômicas às indústrias que acabam refletindo nos produtores, é que foi realizado o seminário que apresenta o uso dos óleos essenciais como alternativa para melhorar a qualidade do leite. <b>Óleos essenciais</b> Os óleos essenciais são extraídos de plantas como pimenta, canela, cravo, alecrim, orégano e tomilho e apresentam várias propriedades benéficas quando inseridos na alimentação dos animais. O médico veterinário e diretor da empresa Vitalltech Cléo Barbiero explica que esses óleos já são utilizados na avicultura e suinocultura e agora começa a ser inserido também na bovinocultura de leite e, em breve, devem começar a ser utilizados mais amplamente na bovinocultura de corte. “Temos a experiência com clientes e com instituições de pesquisa de que esses óleos essenciais conseguem melhorar na qualidade do leite no que diz respeito a quantidade de sólidos”, pontua. Outro efeito benéfico já identificado é de que o uso desses produtos naturais diminui as cargas de antibióticos, principalmente os promotores de crescimento, pelas propriedades terapêuticas bactericidas e bacteriostáticas que acabam inibindo o crescimento de algumas bactérias que podem reduzir a qualidade do leite ou mesmo causar doenças aos animais. “É considerado como alimento seguro, sem carência ou problemas de contaminação ou outros transtornos ao ser humano que consome o leite ou a carne desses animais”, assegura Barbiero. Eles contribuem ainda para a diminuição do surgimento de superbactérias. Barbiero ainda cita o exemplo de cooperativas que utilizam os óleos essenciais em substituição a algumas drogas ou sinergicamente, com resultados considerados positivos. O professor Bondan esclarece que esses óleos já são utilizados em vários países, especialmente nos europeus e acabaram substituindo tipos de quimioterápicos. Sem medicamentos, o risco de os animais adoecerem é maior. Já com a utilização dos óleos essenciais na alimentação do gado leiteiro se percebeu que eles apresentam propriedades muito próximas a dos quimioterápicos. “Trazem praticamente o mesmo efeito do animal em ganho de peso, ganho de produtividade e qualidade do produto produzido”, enfatiza. <b>Custo X Benefício</b> Além do uso pelos produtores rurais, esses óleos podem ser utilizados pela indústria de ração para melhorar a qualidade dos produtos. Esse tipo de ração pode ser vendido com valor agregado. Barbiero explica que quando esses óleos são incluídos na dieta dos animais o encarecimento varia entre 0,8% a 1,5%. “O retorno sobre o investimento, de acordo com uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Lavras, chegou, em algumas situações, entre 2,9 a 4 para um. Ou seja, algo entre 300 a 400% de retorno sobre o investimento”, conclui.

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