CPT - Centro de Produções Técnicas

As fortes chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul no início deste mês causaram um prejuízo aos produtores de bovinos que deve impactar, principalmente, a produção de leite pelos próximos dois meses. Concentradas em grande volume em um curto período de tempo, as precipitações comprometeram áreas de pastagens recém-plantadas, situação difícil de ser recuperada nas próximas semanas. Os prejuízos ainda estão sendo calculados, e números consolidados devem ser apresentados entre esta semana e o início da próxima. Enquanto isso, isoladamente, produtores contabilizam suas próprias perdas. É o caso do criador e ex-presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês (Gadolando), José Ernesto Ferreira, que calcula perdas de 30%. “As pastagens estão arrasadas, e muitas não podem ser restabelecidas agora”, diz. A maior dificuldade está imposta aos criadores que trabalham com o gado livre no pasto. Segundo o supervisor regional da Emater-RS, Flávio Fagonde, essa é a condição da maioria dos produtores, estimada entre 80% a 90% do total. “As chuvas em si causaram perdas, porque uma grande quantidade de pastagens recém-plantadas foram alagadas e isso resultou em muito barro. E como foram muitos dias nublados, os pastos quase não se desenvolveram e foram ainda mais prejudicados pelos cascos dos animais”, relata. Os criadores que atuam no regime de confinamento também podem ter sido prejudicados com perdas de cereais armazenados em silos eventualmente atingidos pelas cheias. Estabelecido em Rio Pardo, Ferreira reporta que na região há criadores que tiveram a produção leiteira comprometida em 50%. “Aqui, a enchente atingiu propriedades mais próximas do rio Jacuí, o que levou a um prejuízo ainda maior, com perdas até de silagem.” De acordo com o assessor de Política Agrícola da Federação de Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS), Airton Hochscheid, foram oito dias de chuvas ininterruptas que impactaram a captação de leite não só naquela semana, como nos próximos dois meses – justamente o período de entressafra e que já leva a um aumento no custo da produção. “Por si só, já há aumento nesses meses, que têm alta demanda. Agora, o efeito da chuva deve elevar esse custo, aumentando o preço do leite na ponta da cadeia, para o cliente.” As precipitações elevaram as necessidades de compra de ração por parte dos produtores, o que aumenta ainda mais os custos. “A quantidade de leite captada também diminuiu, porque os animais perderam peso, sem contar que a chuva e o frio criam situações incômodas que interferem na produção.” Com previsão de mais chuva para os próximos dias, as pastagens, que começavam a secar, ficam condicionadas a uma condição climática inconstante provocada pelo fenômeno El Niño. O supervisor regional da Emater-RS explica que, até outubro, a condição climática deve alternar entre dias de chuva, frio e calor, voltando ao mesmo padrão, semana após semana, caso as previsões apontadas para este semestre se concretizem.

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