CPT - Centro de Produções Técnicas

Os antigos tropeiros pernoitavam em Ipoema nas longas viagens levando mercadorias. A profissão surgiu da necessidade de transportar animais Brasil adentro. Depois, esses homens passaram a entregar mercadorias e correspondências. Negócios feitos na confiança. Tayane Campos é uma apaixonada pelo tropeirismo. Afinal, é neta de tropeiro e defende as tradições. “A essência do museu tanto pra Ipoema quanto pra mim é algo tão precioso quanto o ar que respiramos. É necessário manter, é necessário ter e é necessário disseminar isso”, diz a guia do museu. Globo Repórter conhece o queijo do Serro, patrimônio imaterial de Minas Gerais O município do Serro era um importante centro político e econômico do Brasil no século 18. E ainda hoje guarda com carinho a sua história. A joia desta cidade não é o diamante. A economia local é baseada no turismo, no gado leiteiro e no queijo. Tanto que o modo artesanal de fazer o queijo do Serro é patrimônio imaterial de Minas Gerais. O sabor do queijo depende da região, do clima, da estação da chuva. Depende até do que o solo produz. A família do Seu Bento, pai do Túlio, tem queijaria há cinco gerações. Globo Repórter: Quando o senhor fez o primeiro queijo? Bento José da Silva, produtor rural: Com 8 anos. A gente naquele tempo, criado na fazenda, desde pequenino, então não tinha como, era um trabalho que a gente fazia dia a dia pra ir aprendendo. Túlio Madureira da Silva, produtor de queijo: O sobrenome da minha família vem disso. Madureira vem de madurar, de maturação. Maturavam-se vinhos e queijos em Portugal. Na queijaria a higiene é rigorosa – exigência de uma lei estadual. Mas esta mesma lei, segundo os produtores artesanais, exige cuidados exagerados. Isso rouba as características do queijo do Serro. É fora da geladeira e arejado que cresce a casca grossa, de gosto forte e amendoado. Por dentro ele fica claro e macio. Globo Repórter: Qual é o seu sonho em relação aos queijos? Túlio Madureira da Silva: Meu sonho é ver aqui na nossa cidade e as regiões produtoras de queijo que os jovens não tenham que ir embora, que ele possa ficar aqui e ganhar dinheiro com isso. Fazer dessa cultura que a gente tem, essa tradição, fonte de renda. MG luta pela preservação da cultura, da natureza e contra a mineração sem controle Minas tem tanta coisa a preservar, e nenhum tempo a perder. As batalhas se multiplicam: pela preservação da cultura, contra a mineração sem controle, e em defesa da natureza. Ouro preto é um exemplo da urgência. Patrimônio da humanidade, palco da Inconfidência Mineira. Do alto do morro, a igreja de São Francisco de Paula domina a vista, mas é tomada pelas pichações. Em outra igreja, São Miguel perdeu a mão, os portais têm rachaduras. E vão sumindo os adornos do chafariz desativado do século 18. Há muitos casarões em ruínas. A ocupação desordenada toma os morros, enfeia a paisagem magnífica e o trânsito pesado faz trepidar o centro histórico. Nos tempos heroicos do desbravamento, duas montanhas de Minas serviram de ponto de referência para o interior do Brasil. O pico do Itacolomi, que se vê de Ouro Preto e o pico do Itabirito, uma montanha majestosa que vem sendo devastada pela exploração de minério desde o século passado, quando o mineiro Carlos Drummond de Andrade fez a denúncia em forma de poesia. Mas nem o poeta naquela época, nem nós, brasileiros, hoje em dia perdemos a esperança. Vida longa aos montes das Minas Gerais.

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