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Por Licinia de Campos*, nutricionista A preocupação crescente na relação dieta – saúde tem levado a um aumento na demanda em produtos alimentares que dão suporte à saúde além do fornecimento de nutrição básica. Os probióticos e prebióticos são componentes presentes nos alimentos, ou que podem ser incorporados aos alimentos, e que resultam em benefícios à saúde relacionados com a interação com o trato gastrintestinal. Os benefícios dos prebióticos vieram à luz somente nos últimos anos, já os efeitos dos probióticos são reconhecidos desde o século XIX, quando o cientista francês Louis Pasteur postulou a importância dos microrganismos na vida humana, trabalho reforçado pelo vencedor do prêmio Nobel, Elie Metchnikoff, em 1908. Existem várias interpretações e definições para os probióticos. Por exemplo, um probiótico é definido como “um ingrediente alimentar com carga microbiana viva que, quando ingerido em quantidades suficientes, exacerba os benefícios à saúde.” Da mesma forma FAO/WHO recomenda que os probióticos sejam definidos como “microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefícios à saúde do hospedeiro.” Os prebióticos são definidos como “ingredientes alimentares não-digeríveis que afetam beneficamente o hospedeiro pela estimulação seletiva do crescimento de uma cepa ou número limitado de cepas de bactérias no trato gastrintestinal, tais como Bifodobacteria e Lactobacilli, os quais têm o potencial de incrementar a saúde do hospedeiro.” Falando simplificadamente, prebióticos são alimentos com bactérias benéficas. Assim, os oligossacarídeos presentes no leite humano são prebióticos. Os vários e diferentes oligossacarídeos que estimulam a Bifidobactéria do trato gastrintestinal incluem: inulina, frutoligossacarídeos, galactoligossacarídeos e lactulose. Probióticos e prebióticos encontrados nos alimentos consumidos Atualmente, alimentos contendo probióticos são comuns. Os benefícios associados com os pro e prebióticos são de cepas e substâncias específicas, respectivamente, e devem demonstrar através de experimentos clínicos adequados, referências à dosagem presente no alimento no momento do consumo. Os microrganismos probióticos podem ser encontrados tanto na forma de suplementos como componente de alimentos e bebidas. Estas bactérias e fungos vêm sendo utilizados há milhares de anos para fermentar alimentos. Certos iogurtes e outros produtos lácteos culturados contêm tais bactérias benéficas, particularmente cepas específicas da Bifidobactéria e Lactobacilli. Nem todas as bactérias presentes em produtos lácteos fermentados ou iogurtes têm efeito probiótico. Por este motivo, ao considerar Lactobacillus ou Bifidobacterium como probióticos, as cepas específicas selecionadas devem exacerbar benefícios na saúde clinicamente estabelecidos. Os prebióticos são encontrados naturalmente em muitos alimentos, e podem ser isolados de plantas (exemplo: raízes de chicória) ou sintetizados (ex: enzimaticamente da sucrose). Para um ingrediente alimentar ser classificado como prebiótico, tem de demonstrar: a) que não é lisado (quebrado) no estômago ou absorvido no trato gastrintestinal; b) é fermentado pela microflora gastrintestinal; c) o mais importante, estimula seletivamente o crescimento e/ou atividades das bactérias intestinais associadas com a saúde e bem-estar. As bactérias probióticas ingeridas juntamente com prebióticos que dêem suporte ao seu crescimento são chamadas de “simbióticas”. Ambas trabalham em conjunto de maneira sinergística, promovendo mais eficientemente os benefícios probióticos. Ações no trato gastrintestinal O consumo de probióticos, particularmente de certas espécies de Bifidobacteria e Lactobacilli, podem ajudar a equilibrar a flora, aumentando o número de bactérias úteis, e reduzindo (inibindo o crescimento) de bactérias danosas no intestino. O consumo de probióticos pode modificar a resposta imune dos intestinos e aumentar a função inibidora. Por exemplo, espécies específicas de probióticos podem diminuir ou reduzir o risco de certas infecções, particularmente aquelas do trato gastrintestinal, tais como viroses instestinais. Mais recentemente, os probióticos demonstraram modular/ ajustar a atividade do sistema imune, ajudando a controlar ou reduzir o desenvolvimento de certas alergias. Efeitos intestinais: – alivia os efeitos, promove a regeneração da diarréia (rotavírus, viajantes e induzido por antibióticos); – produz lactase, alivia sintomas da intolerância à lactose e má absorção; – alivia a obstipação (prisão de ventre); – trata a colite Efeitos no sistema imune – aumenta a resposta imune específica e não-específica; – inibe o crescimento patógeno e translocação; – estimula a imunidade gastrintestinal; – reduz a chance de infecção por patógenos comuns (Salmonella, Shigella) Outros efeitos – reduz o risco de certos cânceres (cólon, rins); – detoxifica carcinógenos; – suprime tumores; – diminui as concentrações séricas de colesterol; – reduz a pressão sanguínea em hipertensos; – trata alergias alimentares; – sintetiza nutrientes (ácido fólico, niacina, riboflavina, vitaminas B6 e B12); – aumenta a biodisponibilidade dos nutrientes; – incrementa a saúde urogenital; – otimiza os efeitos das vacinas (ex: rotavírus, febre tifóide). Ações dos prebióticos no trato gastrintestinal As principais características e efeitos dos prebióticos na dieta são promover o crescimento e proliferação de bactérias benéficas no trato intestinal, e portanto, incrementar ou quantificar o efeito da bactéria probiótica. Os prebióticos demonstraram aumentar a absorção de certos minerais (ex: cálcio e magnésio). Também ajudam a inibir o crescimento de lesões, como adenomas ou carcinomas no intestino, e assim reduzem os fatores de risco envolvidos nas doenças colorretais. Efeitos dos prebióticos Ocorre quando há aumento na atividade de bactérias saudáveis no intestino humano. Os prebióticos estimulam o crescimento de bactérias saudáveis tais como Bifidobacteria e Lactobacilli e incrementam a resistência à invasão de patógenos. Este efeito é induzido pelo consumo de alimentos funcionais contendo prebióticos. Estes alimentos induzem a atividade metabólica, levando à otimização da saúde. As bactérias saudáveis no intestino podem combater bactérias indesejáveis, fornecendo numerosos benefícios na saúde. Fontes de prebióticos A mais comum é a fibra solúvel dietética inulina. A inulina é encontrada comumente nas plantas contendo fructana. Além do mais, muitas destas plantas são ingeridas como hortaliças – aspargos, alho, alho-poró, cebola, alcachofra – e são excelentes fontes de inulina. Contudo, como a procura por alimentos funcionais tem crescido, os prebióticos estão sendo adicionados a muitos alimentos de consumo diário como cereais, biscoitos, pães, patês, drinques e iogurtes. Referências bibliográficas Mullan, W.M.A. (2002). Probiotics. Properties, benefits, mechanisms of action, safety and enumeration. Revised 2004, December 2007, last revision February 2008. http://ific.org/publications/factsheets/preprobiotics http://www.csa.com/ http://www.prebiotic.ca/prebiotic_fibre.html * Licinia de Campos Graduada em Nutrição (Universidade São Judas Tadeu) com formação autodidata em Gastronomia; pós-graduada em Gestão de Negócios de Serviços de Alimentação (SENAC); curso de especialização em Docência e Didática para Ensino Superior em Turismo e Hotelaria (SENAC); curso de Auditor Líder ISO 22000 (Food Design); ex-redatora do Suplemento Feminino do jornal “O Estado de SP”; Seminário de Antropologia Alimentar : “Alimentation et hiérarchies sociales et culturelles” pelo IEHCA em Tours, França; participante do programa “Com Sabor” da Rede Mulher por 3 anos; tradutora de diversos fascículos e livros para a Editora Globo; consultora gastronômica- nutricional do site SIC (Serviço de Informação da Carne); palestrante especializada em Gastronomia e Nutrição; redatora da revista NutriNews ; docente em vários cursos das unidades SENAC ; Consultora e Assessora Especializada em Gestão Operacional Administrativa de Unidades Alimentares.

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