CPT - Centro de Produções Técnicas

Segundo o último relatório do ano do Rabobank para o segmento do leite, o mercado brasileiro termina 2019 de forma mista. Do lado positivo, a demanda do consumidor está começando a mostrar alguns sinais de recuperação com as vendas de queijos e iogurtes, e projeções mais otimistas sendo feitas para 2020. Do lado negativo, as margens para produtores e processadores terminam o ano mais baixas do que no início de 2019, uma vez que a melhoria relativa da demanda não foi suficiente para que houvesse um reajuste de preços.

Sempre de acordo com o relatório, após um primeiro semestre de alta para os produtores, os custos com ração aumentaram a partir de julho, com o preço do milho ficando mais caro no mercado interno e os preços do leite permanecendo praticamente inalterados. A produção de leite deve terminar 2019 com um crescimento de 4% no Brasil, mas a produção vem perdendo força desde o terceiro trimestre.

Os produtores devem começar 2020 com margens mais baixas e menos incentivos para investir em produção adicional após o aumento dos custos de alimentação, e o Rabobank projeta preços mais altos do milho no início de 2020. Além das margens mais baixas para os pecuaristas, os preços da carne bovina atingiram níveis recordes no mercado doméstico e isso provavelmente gerará um aumento na taxa de abate de vacas leiteiras no Brasil nos próximos meses.

A indústria teve dificuldades ao longo de 2019, com altos preços do leite na fazenda (comparado a 2018) e uma demanda morna que a impediu de repassar custos mais altos aos preços dos produtos finais. O leite fluido teve particularmente um ano difícil, com muitas empresas registrando margens muito baixas (lucro líquido). Em 2020, a demanda por produtos lácteos como um todo provavelmente aumentará, pois a economia mostra sinais de melhora. O Rabobank espera que a economia brasileira se expanda em torno de 2% do PIB em 2020, com inflação baixa recorde, o que trará algumas melhorias nos níveis de renda e emprego.

No entanto, a expectativa é que o crescimento da demanda seja voltado para queijo, iogurte e leite em pó, enquanto o leite fluido continua sendo um mercado mais maduro, com um aumento limitado no consumo. As importações provavelmente permanecerão moderadas no primeiro trimestre de 2020, uma vez que o real se depreciou e os preços internacionais subiram, diminuindo a competitividade dos produtos lácteos importados no Brasil.

O Rabobank espera que a taxa de câmbio permaneça próxima de R$ 4 / US$ no final de 2019 e até o final de 2020, o que manterá as importações em níveis caros. Os preços do leite da porteira para dentro precisarão aumentar em 2020, dado que a produção diminuiu e a demanda deve continuar aumentando, o que será uma boa notícia para os produtores. No entanto, os processadores precisarão lidar com mais um ano de leite caro e o desafio será como repassar esses custos mais altos aos produtos finais para melhorar a lucratividade.

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