CPT - Centro de Produções Técnicas

Apesar da estiagem que vem afetando a produção de leite em Minas Gerais, os estoques ainda elevados da indústria e a demanda menor pelos produtos lácteos por parte dos consumidores, devido ao período de férias, impactaram de forma negativa nos preços pagos pelo leite em janeiro, referente à produção entregue em dezembro. Em Minas Gerais, o pecuarista recebeu, média líquida, R$ 0,85 por litro de leite, retração de 6,38% frente a dezembro. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Na média Brasil, a captação de leite apresentou taxa de crescimento bem menor à observada no mês anterior, 0,66% frente 6,43%, influenciada pelo resultado de Minas Gerais, que devido à estiagem tem registrado perdas produtivas. Mesmo com produção praticamente estável, a expectativa para fevereiro é de novas quedas já que os laticínios estão comprando volumes menores. De acordo com os pesquisadores do Cepea, assim como observado em Minas Gerais, a retração nos preços do leite também foi verificada na média Brasil, que leva em conta os resultados dos estados de Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Goiás e Rio Grande do Sul. Em janeiro, na média líquida do país, o litro de leite foi negociado a R$ 0,844, redução de 5,8% ou de 5,2 centavos de real por litro na comparação com dezembro de 2014 e queda de 10,8% em relação a janeiro do ano anterior. O preço bruto médio foi de R$ 0,929 por litro, valor 5,3% inferior frente a dezembro. A queda de preços observada em janeiro teve como principal fundamento a redução do ritmo de compras por parte das indústrias. Estiagem – Os primeiros efeitos da estiagem que atinge os principais estados produtores já começaram a ser percebidos, uma vez que a alta na captação foi menos expressiva, 0,66%, em uma época em que, normalmente, a produção sobe substancialmente devido ao período de safra. No levantamento anterior, a captação havia subido 6,43%. Mesmo não divulgando a variação na captação de leite em Minas Gerais, os pesquisadores do Cepea relatam que as chuvas que deveriam ocorrer nesta época do ano no Estado, em Goiás e em algumas regiões de São Paulo ainda estão abaixo do esperado, limitando a qualidade dos pastos e, conseqüentemente, a produção leiteira. Em Minas Gerais, o preço bruto do litro de leite ficou em R$ 0,93, o que representou uma queda de 6,11%. O valor máximo pago pelo produto alcançou R$ 1,06 e o mínimo R$ 0,70. Dentre as regiões mineiras pesquisadas pelo Cepea, a maior queda foi observada no Sul e Sudoeste. O preço bruto recebido pelo pecuarista ficou 9,27% menor em janeiro, com o litro avaliado a R$ 0,76. O valor líqüido, R$ 0,70, encerrou o mês com queda de 6,87%. Queda expressiva também no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Nas regiões o valor bruto caiu 7,42% e o líqüido 7,96%. Com isso, a média bruta encerrou o período com o litro avaliado a R$ 0,95 e a média líquida a R$ 0,87. Na Zona da Mata, a retração no valor bruto ficou em 6,18%, com o litro de leite negociado em média a R$ 0,70. O preço líqüido, R$ 0,63, retraiu 6,56% quando comparado com o valor pago anteriormente. O litro de leite na Região Metropolitana de Belo Horizonte foi negociado entre o preço líqüido de R$ 0,90 e o bruto de R$ 1,00, quedas de 5,1% e 4,79% respectivamente. No Vale do Rio Doce, o pecuarista recebeu, média liquida, R$ 4,87% a menos pela negociação do leite, com o litro avaliado em R$ 1,02. Segundo informações do Cepea, mesmo com expectativa de menor captação a estimativa para fevereiro é de nova retração nos valores pagos aos pecuaristas de leite, já que os estoques das indústrias ainda estão elevados. Dos laticínios e cooperativas entrevistados pelo Cepea, 67,3%, que representam 56,5% do leite amostrado, apostam em queda nos valores em fevereiro. Outros 28,6% dos agentes, que representaram 41,9% do volume amostrado de leite, indicam manutenção dos preços. Apenas 4,1% dos agentes esperam alta para o mês.

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