CPT - Centro de Produções Técnicas

Será que produtores de leite ainda vão se lembrar do primeiro semestre de 2005, período de valores recordes, quando junho de 2008 se encerrar? A média dos três primeiros meses deste ano já é 13% maior que a do mesmo período de 2005, mesmo descontando a inflação do período, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.
Em março, o preço médio referente à produção de fevereiro foi de R$ 0,7116/litro (sem o desconto do frete e dos impostos), 43% ou 21 centavos por litro acima da média do mês verificada entre 1998 e 2007.
Para o próximo pagamento, 68% dos agentes (produtores e representantes de laticínios/cooperativas) consultados pelo Cepea apostam em altas, enquanto 32% acreditam em estabilidade. Essas boas notícias ao produtor, contudo, têm contraponto no encarecimento dos insumos, principalmente do sal mineral e dos grãos.
Nos seis primeiros meses de 2005, a média nacional (de sete estados: RS, SC, PR, SP, MG, GO e BA) esteve 28% maior que a do primeiro semestre dos dez anos anteriores (1995 a 2004). Agora, em 2008, a média dos três primeiros pagamentos já supera em 41% a do mesmo período dos dez anos anteriores (1998 a 2007).
Preços pagos pelos laticínios (brutos) e recebidos pelos produtores (líquidos) em MARÇO/2008, referente ao leite entregue em FEVEREIRO/2008

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Os aumentos atuais de preços refletem especialmente o aquecimento da demanda interna, uma vez que as exportações absorvem menos de 5% do leite formal. De qualquer forma, o crescimento mês a mês deste canal de vendas não é nada desprezível.
Quanto ao mercado brasileiro, os fundamentos também indicam continuidade do consumo. Um dos que chamou a atenção recentemente foi o aumento de 37% do número de contratações (cerca de 348 mil pessoas contratadas) em janeiro e fevereiro deste ano em relação ao mesmo período de 2006, que era, até então, o recorde.
No mercado de derivados lácteos, os aumentos têm sido ainda maiores. Tomando-se como base os valores de janeiro de 2007, os derivados lácteos no mercado atacadista de São Paulo em janeiro de 2008, em termos reais, apresentaram um aumento médio de 16,65%, sendo que o leite em pó (considerando-se o sachê 400g) subiu 32,8%, enquanto a manteiga teve alta de apenas 1%. O leite UHT, produto com maior correlação com o preço ao produtor, valorizou 9% em igual período.
Esse cenário, talvez, dificulte a tarefa daqueles que procuram estimar até que ponto os preços vão continuar em alta. Traçar paralelo com 2005 pode ter lá sua validade, mas é fundamental ter em conta que a conjuntura macroeconômica atual é bem diferente daquela.
Os preços altos têm estimulado pecuaristas a aumentar o volume produzido. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L/Cepea) de fevereiro esteve 23% superior ao do mesmo mês de 2007. Comparando-se o período de março 2006 a fevereiro 2007 ao de março 2007 a fevereiro 2008, há um crescimento da ordem de 12%.
ICAP-L/Cepea – Índice de Captação de Leite – FEVEREIRO/2008

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Fonte: Boletim do Leite – CEPEA/ESALQ/USP – Ano 14 – Nº 165 – Abril de 2008 14/05/2008

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