CPT - Centro de Produções Técnicas

O produtor brasileiro de leite recebeu, em agosto, R$ 0,5028/litro pelo leite tipo C entregue em julho, na média dos sete estados pesquisados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq-USP. O valor é praticamente estável em relação ao mês anterior (+0,39%). Devido principalmente às variações das chuvas, o comportamento dos preços variou entre os estados pesquisados. No Rio Grande do Sul, choveu mais, proporcionando aumento na captação de leite. Neste estado, o preço recebido pelo produtor caiu 2,38% (cerca de um centavo por litro) frente a julho. Já em Santa Catarina e em São Paulo, onde a estiagem perdura por mais tempo, registrou-se aumento nos preços de 3,29% e 2,23%, respectivamente. Na média, isso representa ganho de R$ 0,015/litro para o produtor catarinense e de R$ 0,012/litro para o produtor de SP. Tabela 1. Preços pagos pelos laticínios (brutos) e recebidos pelos produtores (líquidos) em agosto de 2006, referente ao leite entregue em julho. O patamar atual de preços, de forma inédita – pelo menos para os últimos seis anos – está permitindo que os valores recebidos pelos produtores brasileiros se igualem aos dos norte-americanos. Mas não há o que o produtor nacional comemorar. A proximidade entre os preços recebidos por produtores brasileiros e norte-americanos pode ser atribuída a dois fatores. Nos Estados Unidos, houve forte retração dos valores, em função do aumento de 4,34% no volume ofertado em 2006, segundo o USDA, comparado ao mesmo período de 2005. No Brasil, pode-se citar a contínua valorização do Real frente à moeda americana, de 28% frente a agosto de 2004 e de 8,5% em relação a agosto de 2005. Nos Estados Unidos, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os preços pagos aos produtores de leite Classe I (leite utilizado para venda de pasteurizado e flavorizado) são cotados em agosto a US$ 10,85 por 100 libras, ou seja, US$ 0,2390/litro (R$ 0,5160/l). Para o leite Classe IV (leite utilizado para queijos e leite em pó), o preço médio é de US$ 10,21/100 libras, o que equivale a US$ 0,2248/litro (R$ 0,4853/l). A valorização cambial, se boa para os consumidores brasileiros, é negativa para a cadeia láctea nacional. Produtos brasileiros exportados perdem a competitividade no exterior, podendo resultar em aumento dos estoques nacionais especialmente no período de safra brasileira. Para agravar, a queda significativa nos preços do leite em pó desnatado nos EUA levanta a hipótese de que há naquele país uma superoferta de leite, a qual não deve ser absorvida no curto prazo no mercado doméstico. Isso indica, pelo menos em tese, que os EUA devem aumentar a participação no mercado internacional, tendo um excedente de oferta maior para exportar. Outro fator alarmante para o setor lácteo brasileiro – não só para os exportadores – é a perda de competitividade do produto no mercado internacional. Os preços de exportação do leite em pó desnatado do Brasil são estimados por volta de US$ 2.600,00/t, superiores em cerca de US$ 765,00/t aos valores do leite em pó desnatado dos norte-americanos, são US$ 450,00/t maiores que os da Oceania e US$ 140,00/t mais altos em relação ao dos europeus, com base em estimativas do Cepea e em dados do USDA. PERDA REAL – Diante dos maiores entraves para as exportações brasileiras de lácteos, acredita-se que a negociação entre produtores e laticínios brasileiros estará mais acirrada nos próximos meses. Se por um lado os laticínios sofrem no contexto externo, produtores, no mercado doméstico, amargam uma perda real nos preços do leite de 4,8% nos últimos 12 meses – inflação medida pelo IPCA. Vale ressaltar que essa perda real, no acumulado do ano, já é de 18,75%. Isso significa que, para a receita real do produtor ter permanecido a mesma desde janeiro deste ano, foi necessário um ganho no volume produzido de 23% neste mesmo período. Fonte: Cepea/Boletim do Leite, Nº 146 – Setembro de 2006. Autores: Leandro A. Ponchio e Raquel Mortari Gimenes

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