Em novembro, o preço do leite pago ao produtor apresentou retração de 5,98% em Minas Gerais. A queda interrompe o movimento de alta que vinha sendo registrado desde junho. De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o valor caiu R$ 0,08 por litro, resultando em um preço recebido pelos pecuaristas de R$ 2,07 por litro, na média líquida e referente à produção entregue em outubro. No confronto com o mesmo mês de 2019, quando o litro no campo estava cotado a R$ 1,18, o preço está 75,4% maior.
 
Assim como visto em Minas Gerais, na média líquida Brasil do leite, o valor recebido pelo produtor, em novembro referente à produção de outubro, foi de R$ 2,04 por litro, o que representa uma queda de 5,3% ou de R$ 0,11 por litro frente ao mês anterior.
 
De acordo com o zootecnista e consultor de mercado da Scot Consultoria, Rafael Ribeiro de Lima Filho, para o próximo pagamento, o viés é de queda. Vale ressaltar que o consumo segue afetado pela alta nos preços acumulada ao longo do ano, o que inibe a demanda, pela redução do valor do auxílio emergencial, pelas férias e festas de final de ano.
 
“No curto prazo, até janeiro, a tendência é de aumento da oferta pelo maior volume de chuvas e recuperação das pastagens. Mas, neste ano, a tendência é de que o aumento na produção seja menor que nos anos anteriores, já que os custos estão em alta, o que desestimula os investimentos no aumento da produção. Neste momento, também existe uma tendência de queda de consumo, seja pelos preços mais elevados dos produtos como pela menor demanda nos períodos de festas e férias”, disse Lima Filho.
 
Devido a esses fatores, a estimativa é de novas desvalorizações. “A retomada dos preços deve ocorrer somente após fevereiro, quando a demanda volta a subir pelo fim das férias e retorno às aulas, ao mesmo tempo em que se aproxima o período de entressafra”, explicou.
 
Custos – Em relação à elevação dos custos de produção, o real desvalorizado frente ao dólar tem estimulado as exportações de soja e milho (ingredientes da ração animal) e outros insumos que têm os preços influenciados pela moeda-norte americana, como medicamentos e fertilizantes, por exemplo.
 
Mesmo com as dificuldades enfrentadas no campo, segundo o levantamento do Cepea, na primeira e segunda quinzenas de outubro, houve maior oferta de leite spot (negociado entre indústrias) em Minas Gerais, fazendo com que a média mensal da negociação entre as indústrias caísse 16,8% frente à de setembro de 2020 e encerrando o período em R$ 2,23 por litro.
 
De acordo com Lima Filho, a queda nos preços pagos aos produtores, em novembro, teve como principal fator a pressão proveniente dos canais de distribuição sobre a indústria. “A pressão é resultado de um consumo enfraquecido, uma vez que os preços do leite e dos derivados lácteos vinham acumulando altas significativas desde meados deste ano”.
 
 
A redução do auxílio emergencial pago pelo governo federal, aliada aos índices elevados de desemprego e à queda de renda das famílias, também contribuiu para que o consumo ficasse menor.
 
Assim como previsto pela Scot Consultoria, a tendência, segundo o Cepea, é de que a produção de leite aumente, mas não em níveis equivalentes aos anos anteriores. Os efeitos da La Niña devem impactar de forma negativa a pecuária leiteira, assim como os custos elevados, o que inibe investimentos.
 
Outro fator que pode limitar a oferta do leite é o maior abate de fêmeas, já que houve grande valorização da arroba ao longo do ano. Todos estes fatores podem limitar a recuperação da produção como ocorre tradicionalmente no período, freando o movimento de queda nos preços.
 
VALORES
 
Pagos em novembro referente ao leite entregue em outubro
• Queda de 5,98% ou de R$ 0,08 por litro em Minas Gerais
• Valor do litro – R$ 2,07
 
Regiões – média líquida por litro – variação
• Triângulo e Alto Paranaíba – R$ 2,07 – queda de 5,2%
• Sul e Sudoeste – R$ 2,05 – queda de 5,91%
• Vale do Rio Doce – R$ 1,95 – queda de 2,87%
• Região Metropolitana de Belo Horizonte – R$ 1,97 –
queda de 7,31%
• Zona da Mata – R$ 1,99 – queda de 5,85%
Fonte: Cepea
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