No início de 2020, o cenário da cadeia leiteira passou por momentos de estabilidade nos preços do leite pago ao produtor e isso desanimou pecuaristas a continuarem no ramo. Assim, parte dos produtores destinou suas matrizes ao abate na intenção de aproveitar a alta na arroba. No entanto, de março em diante, quando a pandemia se intensificou no país, movimentos atípicos começaram a ocorrer. No primeiro momento, com o fechamento dos estabelecimentos, o preço do leite se retraiu e as indústrias deixaram de formar estoques já que ficaram com as câmaras frias lotadas.
 
Contudo, no processo de adaptação da população ante o isolamento social e com a liberação do auxílio emergencial, a demanda por alguns derivados começou a se intensificar durante a quarentena. A exemplo, estão o queijo muçarela e o leite UHT, que apresentaram maiores variações, +17,49% e +17,02% no acumulado de jan-nov.
 
Nas indústrias houve redução na produção dos derivados por causa das incertezas de mercado e, quando a demanda se aqueceu, a oferta ficou enxuta e elevou os preços a níveis históricos. Por fim, no âmbito da oferta do leite, dentro da porteira houve restrição durante o ano dada a seca mais intensa registrada no estado e, com isso, a variação foi de 23,07% para o leite no comparativo anual.
O preço do leite pago ao produtor aumentou 23,07% no comparativo anual e ficou cotado a uma média de R$ 1,34/l. Este cenário foi reflexo de uma demanda mais aquecida durante o ano, enquanto a oferta seguiu enxuta. Por mais um ano, o índice de captação apresentou queda. Desta vez, de 7,39% ante a 2019 em virtude do menor volume de precipitações no estado.
 
Com a demanda interna mais aquecida devido à liberação dos auxílios, nas indústrias, os derivados lácteos, como o queijo muçarela, o leite UHT e a manteiga apresentaram acréscimos significativos de 35,80%, 23,21% e 3,48%, respectivamente.
 
Diante da valorização mais intensa nas cotações dos insumos, a relação de troca entre o leite/farelo de soja, o leite/car. algodão e o leite/milho aumentou em torno de 21,73%, 28,99% e 45,63%, na mesma ordem, ante a 2019.
 
Perspectivas – Com a possibilidade de uma segunda onda da pandemia pairando sobre o ar, as perspectivas no curto e médio prazo ainda são incertas para a pecuária leiteira de Mato Grosso. No entanto, já é possível analisar alguns cenários que podem impactar no preço do leite pago ao produtor no próximo ano. No que tange a demanda interna, até o momento a informação divulgada pelo Governo Federal é de que o auxílio emergencial termine em dez.20 e ainda não há um acordo definido para 2021. Considerando isto, é possível que haja certa redução no consumo interno pelos derivados lácteos.
 
Além disso, com a elevada chance de ocorrência do La Niña, a produção tende a diminuir e o cenário indica uma piora na oferta da matéria-prima, ou seja, menos produto ficará disponível no mercado. Por outro lado, com a tendência de leve queda nas cotações do dólar para o ano que vem, a previsão é de que as importações se mantenham. Além disso, outros fatores podem influenciar na atividade do leite, como é o caso do aumento nos gastos com a suplementação animal por causa da elevada alta registrada nos preços dos insumos como o milho e farelo de soja.
 
Este cenário é consequência da crescente demanda, tanto interna quanto externa por esses subprodutos, podendo assim impactar nos custos do pecuarista. Para o próximo ano, dada a atual conjuntura, o produtor deverá ficar atento para possíveis mudanças no cenário do mercado do leite e deverá se preparar para um provável aumento com as despesas.
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