CPT - Centro de Produções Técnicas

Essa elevação de março apenas fez o preço do leite voltar ao patamar do segundo semestre ano passado, quando houve queda das cotações”, observa o presidente da ABRALEITE (Associação Brasileira dos Produtores de Leite), Geraldo Borges. “Ou seja, só tivemos uma recuperação dos preços.”

O presidente da ABRALEITE enfatiza que a alta deste mês – assim como a elevação acumulada neste primeiro trimestre – está longe de compensar as adversidades enfrentadas pelo setor de leite nos últimos tempos devido aos elevados custos de produção e instabilidades de preços pagos ao produtor, com muitos momentos de prejuízo.

“A cadeia do leite vive um momento extremamente difícil e precisa de políticas públicas consistentes do governo federal para superá-lo e estamos tratando disso com este novo governo, que promete implementar as mudanças necessárias”, diz Geraldo Borges.

O dirigente da ABRALEITE lembra, por exemplo, que a questão das tarifas antidumping ainda não foi resolvida. “As taxas para importação de leite em pó da União Europeia e da Nova Zelândia caíram, mas ainda estamos esperando a medida que o governo prometeu para proteger o mercado interno, que já sofre muito com as famigeradas importações de leite em pó do Uruguai e da Argentina.”

Valorização em menor intensidade

Segundo o Cepea, como esperado por agentes do setor, a valorização ocorreu em menor intensidade em relação aos meses anteriores. “Na comparação com março/18, o aumento é de 32,4% e, no acumulado deste primeiro trimestre, de 18,9%, ambas em termos reais (valores foram deflacionados pelo IPCA de fevereiro/19)”, informa o Cepea.

De acordo com nota divulgada pelo centro de estudos, o primeiro trimestre de 2019 tem sido caracterizado pela menor oferta de leite no campo e pelo aumento da competição entre empresas para assegurar a compra de matéria-prima. A captação de fevereiro, especificamente, foi influenciada pelas chuvas irregulares, que limitaram a disponibilidade de pastagens e a produtividade das lavouras de milho.

“Por esse motivo, produtores intensificaram o uso de silagens para tentar manter o volume de produção no curto prazo. Paralelamente, há a preocupação de que o manejo alimentar fique prejudicado no meio do ano. O excesso de chuvas em algumas regiões também elevou a incidência de doenças”, assinala a nota do Cepea.

Índice de Captação leiteira

Assim, o Índice de Captação Leiteira do Cepea (ICAP-L) registrou queda de 4,7% na “Média Brasil” de janeiro para fevereiro. As reduções mais expressivas foram observadas em Goiás e no Rio Grande do Sul, de 9,9% e 7,9%, respectivamente. São Paulo, Santa Catarina e Goiás apresentaram baixas de 4%, 3,2% e 3%, na mesma ordem. A captação em Minas Gerais recuou 2,9% em fevereiro e no Paraná, 1,9%.

Para os próximos meses, as opiniões entre agentes se divergem. É importante lembrar que grande parte do rebanho brasileiro depende das pastagens e estas, por sua vez, são prejudicadas pelo período de seca, que se aproxima no Sudeste e Centro-Oeste.

Ainda assim, o ajuste na oferta no curto prazo pode ocorrer pelo aumento no consumo de concentrado e silagem, favorecido pelo maior poder de compra do pecuarista. Outro fator a ser considerado é a maior demanda de laticínios por matéria-prima de qualidade, tendo em vista as novas normativas (IN 76 e 77), o que pode elevar as cotações, por conta das bonificações.

Derivados e demanda enfraquecida

As indústrias têm tido dificuldade em repassar a valorização da matéria-prima para os derivados, devido à demanda, que está enfraquecida.

Como consequência, o preço do leite spot negociado em MG caiu 10,4% em março e o valor do UHT recebido pelas indústrias em SP recuou 2,3%. Com margens espremidas, a indústria enfrenta a dificuldade de assegurar a compra de matéria-prima de qualidade, o que põe em risco a manutenção do movimento de valorização no campo.

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