CPT - Centro de Produções Técnicas

Desde o princípio de 2015, o mercado lácteo mundial tem assistido a uma quebra acentuada, em função da acumulação de oferta de leite nas principais regiões produtoras (Europa, EUA, Austrália e Nova Zelândia) e da quebra de procura mundial, em particular devido ao embargo Russo aos produtos lácteos europeus. Estes factores conjugados originaram uma quebra acentuada dos preços pagos ao produtor em toda a Europa, os quais atingiram em Maio valores perigosamente próximo dos custos de produção e, por essa razão, pouco sustentáveis. Portugal não tem sido uma excepção a este panorama, com a agravante de ser um dos países da UE com maior crescimento da produção (+5% no primeiro trimestre de 2015), facto que pressiona adicionalmente a remuneração da matéria-prima. Com efeito, as nossas estimativas apontam para que 250 produtores de leite já tenham abandono a actividade em 2015. Obviamente, o fim do sistema de quotas leiteiras na UE e a consequente liberalização do sector, ocorrido a 31 de março último, contribuiu sobremaneira para o aumento dos excedentes de leite, fragilizando em particular os países periféricos, com condições naturais mais difíceis para a produção de leite. Os operadores cooperativos associados da FENALAC assumiram uma atitude responsável e proactiva na tentativa de estabilizar o mercado, implementando cortes autoimpostos na produção dos respectivos produtores até ao final de 2015, os quais devem variar entre os -5% e os -10%, em relação ao primeiro semestre de 2015. Noutra vertente, a FENALAC, em conjunto com os parceiros sectoriais, iniciou a preparação de uma campanha de promoção do leite, visando contrariar a quebra de consumo registada nos últimos anos, cujas causas são de ordem diversa mas que exigem uma acção vigorosa e determinada. Ainda assim, estas medidas carecem de atitudes complementares por parte dos restantes operadores da fileira. Destacamos a Distribuição, na medida em que continua a importar leite e produtos lácteos em grande escala, quando na maior parte dos casos existe disponibilidade nacional para tal. Valores oficiais (INE) indicam que apenas nos 5 primeiros meses de 2015 as importações de produtos lácteos já somam 164 milhões de euros. Este comportamento é desastroso para a economia nacional, pois representa produção nacional que não é escoada e uma pressão acrescida sobre a rentabilidade da produção comercializada. Além disso, frequentemente regista-se uma concorrência pouca leal sobre as marcas nacionais, pois as importações são, em grande medida, excedentes de outros países comercializados com a marca da Distribuição e cujo preço não reflete racionalmente os custos de produção. Noutro plano, importa que a Tutela promova medidas concretas de apoio aos Produtores de leite, a exemplo de outros países da UE, sendo de destacar o pacote de ajuda à pecuária ontem anunciando em França, na ordem dos 600 milhões de euros, além de uma mensagem clara à Distribuição de aposta na produção nacional. Assistimos com particular perplexidade à passividade da Senhora Ministra da Agricultura e do Mar em relação à actual crise que afecta o sector, a qual traduz uma inexplicável indiferença e insensibilidade. Finalmente, importa que a nível comunitário seja definitivamente iniciada um debate sério quanto à regulação do mercado lácteo europeu, no seguimento da cessação do regime de quotas leiteiras, pois as medidas até agora promovidas são claramente insuficientes. <b>Sobre o sector do leite</b> Existem em Portugal cerca de 6500 produtores, sendo que a produção de leite representava 730 milhões de euros em 2013, o equivalente a 31% da produção animal e a 13% da produção agrícola. A indústria do leite e lacticínios apresenta um volume de vendas de 1,3 mil milhões de euros, sendo o segmento mais importante (15%) da Indústria Alimentar. A criação de emprego direto e indireto do sector lácteo deverá atingir os 50 mil postos, sendo de destacar que a maior parte dos quais estão em zonas rurais altamente carenciadas do ponto de vista económico e social, reforçando assim a importância dos mesmos na fixação das populações. <b>Sobre a FENALAC</b> A FENALAC é a entidade que representa o sector lácteo cooperativo nacional, sendo constituída por quatro grandes organizações cooperativas – Agros, Proleite, Lacticoop e Serraleite que, em conjunto, agrupam 70 cooperativas de base e apresentam um volume de negócios superior a 352 milhões de euros. O universo da FENALAC foi responsável pela recolha de 863 mil toneladas de leite em 2013 (66% do total do continente), proveniente de 3200 produtores de leite associados.

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