CPT - Centro de Produções Técnicas

Jacques Reber, director-geral da Nestlé em Portugal, vai conseguir atingir os objectivos da empresa em 2014. Os sinais de retoma do consumo já têm reflexos nas contas da multinacional suíça, que está há 90 anos em território nacional. “Crescemos o ano passado e vamos crescer este ano”, garantiu o gestor, que falava ao PÚBLICO à margem de uma conferência, em Lisboa. Sem avançar números de facturação concretos, Jacques Reber explicou que o crescimento das vendas está a ser impulsionado pelo café em cápsulas da Dolce Gusto, que “continua a ter um desenvolvimento de dois dígitos”. Outros produtos, como as papas Nestum e Cerelac “fazem parte do património de Portugal e continuam também a ter bom desenvolvimento”. Ao mesmo tempo, as inovações introduzidas nas prateleiras no último ano, ou seja, novos produtos e variedades, contribuíram para quase 15% das vendas o que, para Jacques Reber, é um sinal de que este tipo de investimentos “ajuda a ultrapassar a crise”. Outro indicador de que os consumidores estão, lentamente, a retomar alguns hábitos de consumo é o aumento das vendas de café na restauração, algo que a Nestlé não tem verificado em anos anteriores. Com a perda de rendimento, os portugueses reduziram os gastos fora de casa e passaram a confeccionar com mais frequência a sua própria comida. A mudança de comportamento afectou o sector da restauração e dos seus fornecedores da indústria. “Voltámos a ter crescimentos interessantes do consumo [de café] fora do lar. Também para nós foi uma surpresa ver uma recuperação bastante sustentável. Antes era mais complicado. Agora já estamos com números positivos em termos de crescimento”, adianta Jacques Reber. A Nestlé tem quatro fábricas em Portugal, distribuídas por Avanca (papas, cereais ou café solúvel), Porto (café torrado em grão), Coruche (águas da Nestlé Waters Direct) e Lagoa, na ilha de São Miguel, Açores (leite em pó). No total, exporta 30% da produção, o que equivale a pouco menos de 100 milhões de euros, de acordo com o presidente executivo. A multinacional manteve o investimento anual nos 15 milhões de euros, o mesmo que em 2013. Jacques Reber revela que serão feitos novos investimentos nas linhas de produção do Nestum e Cerelac, “activos chave em Portugal”. No início do ano, a Nestlé gastou um milhão de euros numa nova linha de produção de bebidas solúveis à base de cereais, instalada na fábrica de Avanca. Este projecto permitiu mudar o design das embalagens das cinco marcas que a empresa tem nesta categoria e o objectivo era aumentar as vendas em 5%. A nível mundial, as vendas do maior grupo alimentar do mundo caíram 3,1% entre Janeiro e Agosto, para 66,2 mil milhões de francos suíços, cerca de 55,4 mil milhões de euros. Os efeitos desfavoráveis do câmbio tiveram impacto nas contas, tal como o recuo do consumo em alguns países. Na Europa Ocidental, as vendas cresceram em Espanha, Portugal, França, Áustria e Holanda, mas os resultados no Reino Unido, Alemanha e Itália “foram mais fracos”, reportou a empresa. Jacques Reber acredita que 2014 “vai ser mais um ano de sucesso para Portugal”, “diferente de outros anos”.

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