CPT - Centro de Produções Técnicas

As perspectivas imediatas contrariam os produtores de leite do País, como um todo, e, em particular, o Estado de Goiás. Estudos recentes do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Agronômica Luiz de Queiroz, vinculado a Unidade de São Paulo, concluem que as Regiões Centro-Oeste e Sul do Brasil passam, há meses, por queda no preço do leite devido a uma junção de fatores que impactaram a oferta e a demanda do produto e de derivados. Com o início em setembro de 2014, houve uma diminuição dos preços pagos ao produtor e o ano de 2015 começa com números bem abaixo dos considerados aceitáveis, que não são repassados aos consumidores finais. Enquanto os produtores recebem de R$ 0,65 a R$ 0,90 por litro de leite e a indústria comercializa a preços que variam de R$ 1,37 à R$ 1,87 (preços do produto conhecido como longa vida), o preço do varejo , nas prateleiras dos supermercados chega a R$ 2,42. A Gerência de Estudos Econômicos da Faeg confirma o aviltamento nos preços pagos aos produtores. Observa em nota emitida à imprensa que, em setembro de 2014, os pecuaristas de leite goianos chegaram a receber R$ 0,90 pelo litro de leite. De lá para cá, os preços caíram e o custo de produção aumentou em mais de 30%, puxado pelos custos de soja e milho, base da ração e alimentação dos animais. Enquanto isso, outros elos da cadeia pouco reduziram suas margens de lucro, como é o caso do varejo em específico. <b>Redução dos últimos meses</b> Nos últimos cinco meses, os preços de leite pago aos produtores reduziram mais de 36%, equivalente a até R$ 0,30 por litro. Atualmente, há muitos produtores, principalmente os pequenos, recebendo R$ 0,65 por litro, sendo que em setembro de 2014 esses mesmos produtores recebiam R$ 0,90/litro. Os preços médios do leite comercializados pelas cooperativas caíram para em torno de R$ 0,76 por litro em algumas regiões de Goiás, uma queda de mais de 35%. Percebe-se que mesmo havendo pequenas quedas de preço no varejo e de forma mais acentuada para a indústria, a diminuição de valores chega aos produtores de leite, que não têm como repassar esse prejuízo e nem os aumentos de custos que tiveram. Caso a situação persista, a atividade de inúmeros produtores pode ser inviabilizada, diminuindo não só a própria renda, mas os investimentos para a próxima entressafra e safras futuras. E, logicamente, isso deve impactar numa possível redução da produção e do número de animais, impactando a cadeia láctea a médio e longo prazo. Os estudos da Faeg concluem por queda nos preços do leite pagos aos produtores de setembro do ano passado a janeiro de 2015. Vejamos os resultados da conta: 1) Leite spot: queda de 31,3% de R$ 1,18 por litro para R$ 0,81; 2) Preços médios ao produtor: queda de 29,6% de R$ 1,15/litro para R$ 0,81; 3) Pequenos produtores, com até 200 litros diários: queda de 33% de R$ 0,90 o litro para R$ 0,60. A queda dos preços dos derivados lácteos no atacado no mesmo período também se confirma: 1) Leite Longa Vida: Queda de 26,39% de R$ 2,16/litro para R$ 1,59; 2) Mussarela: queda de 24,5% de R$ 12,30 para R$ 9,58 o quilograma. <b>Varejo</b> Acompanhe nos números a queda de preços dos derivados lácteos no varejo de setembro último a janeiro deste ano: 1) Leite Longa Vida: Queda de 12,32% de R$ 2,76/litro para R$ 2,42; 2) Mussarela: queda de 9,60% de R$ 21,87/kg para R$ 19,77. Conforme os estudos, algumas promoções que são feitas são esporádicas e não representam a média dos preços praticados. Margens do varejo: 1) Longa Vida: margens médias de 30%. No entanto, saltou de 27% de junho/2014 para mais de 40% em janeiro/2015; 2) Mussarela: margens médias de 55%. No entanto, saltou de em torno de 50% em outubro/2014 para 65% em janeiro deste ano. Custos do produtor de leite levantados em igual período: 1) Soja: aumento de 12,55% nos preços passando de R$ 50,28 o saco de 60 quilos para R$ 56,59/saco de 60 quilos; 2) Milho: aumento de 36,26% nos preços passando de R$ 16,74/a saca de 60 quilos para R$ 22,81, encarecendo a ração e alimentação.

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