CPT - Centro de Produções Técnicas

O peão é a mais modesta das peças de xadrez, segundo define a enciclopédia Wikipédia. Na lida no campo, o peão é também a figura socialmente mais modesta. Sua importância no processo da produção, no entanto, é vital, porque ele trabalha de forma contínua e disciplinada como a abelha operária. No dia a dia ele não tem hora e é pau pra toda obra. No jogo de xadrez, quando o peão chega à oitava casa, é promovido com inteiro apoio da Dama e do Rei. Na maioria das vezes, envolvido em seu mundinho, ele não cobra o reconhecimento do seu valor nem a evolução profissional. É o peão, afinal, quem cuida bem ou mal das doenças dos animais, contribui para a remoção da bicheira, do berne, dos cuidados especiais com o bezerro ou o potrinho que acaba de nascer. Toca o rebanho ou o animal desgarrado numa montaria. Faz o reparo das cercas e, às vezes, contribui com a segurança da propriedade. Na roça, essa humilde figura acompanha a cultura desde a semeadura, tratos culturais, colheita, opera os tratores, colheitadeiras, ceifadeiras e vai por aí afora. No desenrolar da estória, o peão é um parceiro do patrão. Mas, nem sempre, é tratado assim, a começar pela renda incompatível com a sua dignidade. E esse comportamento precisa mudar, inclusive para melhorar a imagem dos agropecuaristas. Muitos são tidos, na prática, como destruidores da natureza, mantenedores de trabalho escravo, e responsáveis pelo atraso. Essa opinião é manifestada por muitos cidadãos urbanos e supostamente cultos, que se esquecem da notável produção agropecuária, da comida farta na mesa do brasileiro, entre outros itens positivos. O que se percebe de forma clara é que a fazenda, por sua vez, está saindo da condição tradicional para se tornar numa iniciativa empresarial moderna. O próprio mundo globalizado cobra uma nova atitude dos produtores. Caso permaneça refratário ao progresso, ele pode ser engolido pela ineficiência de gestão e ceder seu espaço a outros. No presente, americanos, australianos e neozelandeses estão de olho no Brasil, onde a terra é mais barata, o clima é favorável o ano inteiro e os recursos hídricos estão disponíveis. Além do mais, seus sistemas de gestão encontram-se mais avançados que o brasileiro, com ênfase para o interior. O peão deve ser olhado na atualidade pelo empresário rural ou o fazendeiro como parceiro. O investimento na área de recursos humanos na fazenda é vital. Segundo dados do Ministério do Trabalho há gritante carência de treinamento de mão de obra no meio rural. Apenas 8,70% recebem qualificação profissional. Não bastam os investimentos em tecnologia, que aumentam a produtividade. No mundo competitivo e onde o empregador vislumbra renda, os treinamentos, capacitação e dedicação compõem o novo cenário, que também desperta para a ação de inteligência. Entendo que a figura típica do peão está nesse contexto. O agropecuarista precisa investir no seu empregado, fazer com que ele também acompanhe a evolução e cresça como profissional. A resposta será favorável ao empregador. Os índices de produtividade são o termômetro da questão. Vamos citar alguns exemplos no segmento da pecuária leiteira. O Brasil apresenta uma produtividade de 1.237 quilos de leite por vaca ao ano. Na Nova Zelândia, 3.817 e na Argentina, 4.773 quilos/vaca/ano. Sem dúvida, com uma condição mais humana, o peão também de desdobrará nos cuidados com os animais – bois, vacas, cavalos, jumentos, suínos, aves, entre outros dessa linha ou ainda com os equipamentos da fazenda. Juntos, ambos poderão superar melhor os desafios. Se o peão sente que é maltratado, como ele se sentirá quando estiver porventura tratando das bicheiras dos bovinos, dos equinos ou dos suínos? “Ah, mas eu pago em dia e não aceito reclamação!” Esta posição arrogante do empregador pode funcionar apenas na aparência. Na hora que virar as costas, sem dúvida, dará uma banana de braço ao patrão. Se o empregado sentir que existe uma preocupação com a sua qualidade de vida e da família, estou convencido de que o empregador disporá de melhor lucratividade, o que em resumo representa conter desperdícios, mortes de animais e perda de grãos na produção, colheita e escoamento. Em resumo, mais dinheiro no bolso. (Wandell Seixas, jornalista da área agropecuária, autor do livro O Agronegócio passa pelo Centro-Oeste)

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