CPT - Centro de Produções Técnicas

Durante o primeiro dia da Fispal Tecnologia, o painel Brasil 2020 Processed Foods reuniu diversos especialistas e presidentes de entidades do setor de alimentos, bebidas e embalagens no Auditório Elis Regina, dentro do Parque Anhembi. O encontro teve como mestre de cerimônias Luis Madi, diretor geral do Instituto de Tecnologia de Alimentos – Ital. A Fispal Tecnologia – 31ª Feira Internacional de Processos, Embalagens e Logística para as Indústrias de Alimentos e Bebidas acontece de 23 a 26 de junho, no Pavilhão de Exposições do Anhembi. A expectativa para esse ano é receber mais de 50 mil compradores qualificados de setores da indústria de bebidas e alimentos, farmacêutica, química, cosmética, laticínio, frigorífico e designers de embalagens. Durante abertura do evento, Marco Basso, presidente da BTS Informa, organizadora e promotora da feira, ressaltou a importância da indústria de alimentos e bebidas para a economia brasileira. “Só para se ter uma ideia, o saldo da balança comercial brasileira com alimentos processados é de US$ 35,4 bilhões e, segundo o IBGE, o setor tem 33,5 mil empresas. Não temos dúvidas de que a Fispal Tecnologia tem um papel importante para colocar o Brasil como maior exportador de alimentos processados – em volume – do mundo, segundo a ABIA – Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação”. Iniciando o debate, Madi observou que "existe certa hostilidade em relação à indústria e engenharia de alimentos, por isso acreditamos que a informação correta é o melhor antídoto. O que a indústria deve fazer, com auxílio da pesquisa acadêmica, é auxiliar a compreensão do consumidor sobre os alimentos processados”. Orlando Melo de Castro, coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios – APTA – acredita que "estamos sendo bombardeados por questões ideológicas, e não científicas, em relação a alimentos transgênicos e processados". Para o presidente da ABIR – Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas – Alexandre Jobim, o necessário é passar ao consumidor a noção de que a indústria de alimentos e bebidas é benéfica ao país. “Paira a sensação de que somos a causa principal de problemas da saúde pública no Brasil, o que não é verdade. Esta é uma indústria do bem, é preciso eliminar questões ideológicas”. A indignação foi dividida com o presidente da ABIA, Edmundo Klotz. “Devemos estar embaraçando alguém, pois nossos produtos são malvistos, e isso não podemos entender. Procuramos produzir de maneira cada vez melhor, em abundância e qualidade. Como é possível opor-se a isso? A indústria de alimentos emprega, diretamente, cerca de 2 milhões de pessoas. Temos vocação natural para grande produção, mas ideologicamente querem destruir isso, veiculando a noção de que tudo que é processado é prejudicial, sendo que a pesquisa existe para melhorar os produtos”. Arnaldo Jardim, Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, reforçou a importância dos segmentos reunidos pela Fispal Tecnologia. “Vocês representam um setor dinâmico, que tem o desafio de alimentar a população, e alimentá-la cada vez melhor”. O representante do governo estadual disse acreditar que a saída para tal desafio são a economia e agricultura de escala, e a produtividade dos alimentos processados. "Acreditar que cada cidadão deva ter em sua casa uma horta é defender uma volta ao passado”. <b>Indústria e pesquisadores explicam a importância do processamento de alimentos para nutrição e saúde dos consumidores</b> Dando prosseguimento às questões abordadas na plenária inicial, Raul Amaral, coordenador técnico da Plataforma de Inovação Tecnológica do Ital, disse acreditar que o desafio para a indústria agora é mostrar o que realmente são os alimentos processados. "O boca-a-boca influencia o consumidor de três a cinco vezes mais do que o conhecimento científico. O fato de um produto levar muitos ingredientes em sua composição não o torna ultraprocessado. Por sua vez, um alimento que passou por diversos níveis de processamento não é, necessariamente, ‘pouco saudável’. O determinante para uma dieta é o tipo de alimento que é ingerido, e não o nível de processamento”, defendeu o pesquisador. Para ele, as classificações do Guia Alimentar para População Brasileira, do Ministério da Saúde, são imprecisas. "Cozinhar é processar – esclareceu o médico e membro do International Life Sciences Institute – Mauro Fisberg – e o custo do processamento é o trabalho envolvido. Passamos de uma era, até décadas atrás, onde o alimento destinado à população mais pobre era mais duro, seco e sujo, e passamos para um momento mais democrático na alimentação, no qual os produtos processados oferecem padrão de qualidade e conhecimento adequado para nutrição”. O gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Bunge, Steven Rumsey, elencou métodos produtivos que foram capazes de garantir maior segurança para o consumo de produtos industrializados. "Ao longo do século XX, os alimentos ajudaram a diminuir casos de febre tifoide ou deficiência de vitamina B3; agora observamos um novo direcionamento. Ao final da necessidade de se garantir saúde básica, os alimentos passam a suprir demandas como melhorar a saúde ou prevenir doenças". “É necessário aproximar indústria da academia, pois enquanto existir disparidade, o consumidor permanece perdido” – acredita a pesquisadora de mercado e opinião Maria Aparecida Toledo. Durante o painel, Toledo mostrou que o acesso a mais informações, seja vindas de revistas, jornais, televisão ou pela internet, deixou o consumidor menos leal a marcas: 68% dos consumidores provam novas marcas e preocupam-se com métodos produtivos da indústria, ao mesmo tempo que quase o mesmo contingente, 70%, confia na indústria – o que prova que o público consumidor não quer deixar de consumir produtos processados, mas preocupa-se como ele é fabricado. Além de apresentar diminuição de gorduras e sódio em diversas linhas de alimento, Vinícius Pedote, Assuntos Públicos e Institucionais da Nestlé, ressaltou o esforço da multinacional na ampliação de canais de relacionamento com os consumidores. “Em um ano, recebemos um milhão de contatos de consumidores, 50% deles pedindo informação. Nosso canal ‘Começar Saudável’, no Facebook, tem mais de 810 mil seguidores. Fabio Thomazelli, gerente de Marketing da Tetra Pak salientou que o Brasil é o país da América Latina com maior número de produtos saudáveis na cesta de compras, e que o consumidor mantém uma preocupação com segurança básica dos produtos. Uma das inovações exemplificadas foi a da empresa Aurora, que permite rastreamento do leite, da fazenda até o mercado, por meio de código impresso na embalagem. <b>Profissionais de comunicação não acreditam em abandono do produto processado, mas aumento de consciência do consumidor final </b> O debate também recebeu as jornalistas Lúcia Helena de Oliveira (Revista Saúde), Cristina Iglecio (Jeffrey Group) e Mara Fornari (Brasil Alimentos). Com décadas de experiência na editora Abril em títulos como a revista Saúde, Lúcia Helena explicou que 72% dos leitores da revista acreditam que uma boa alimentação previne doenças, mas a noção de gastronomia tem se misturado à nutrição. “A preocupação de três décadas até agora, ‘doença versus saúde’ ganhou um novo contorno mas, especificamente em nossa atividade, há poucos jornalistas de fato especializados em saúde ou nutrição”. Para ela, possíveis campanhas contra alimentos industrializados não apresentam riscos para o mercado. “Francamente, não acredito que existe algum risco de que as pessoas parem de consumir processados. Isso não é uma preocupação”. Para a jornalista, o desafio é fazer com que a indústria transmita informações que possam ir ao encontro das demandas do mercado consumidor. Christina Iglecio acredita que não se pode considerar a indústria culpada de males de saúde, mas deve compartilhar grande parte da responsabilidade, ao oferecer produtos mais saudáveis. “Cresce o número de estudos e a importância dos temas, então por que existe a desinformação?”. Para a consultora do Jeffrey Group, dados ou fatos anteriormente eram divulgados em primeira mão, ao passo que atualmente, surgem notícias e opiniões, principalmente em meios eletrônicos, concomitantemente. Dessa maneira, o trabalho de informação das indústrias também deve agir de forma mais ágil. Fechando o painel, Mara Fornari abordou a dificuldade em se encontrar informações técnicas nas notícias divulgadas pelas indústrias. “Temos o problema dos releases, também. São sempre publicitários e não informativos. Diversas vezes, quando procuramos complementos para a notícia, as empresas nos respondem que são ‘informações privilegiadas’, que jamais chegam ao consumidor”. <b>Serviço</b> Fispal Tecnologia – 31ª Feira Internacional de Processos, Embalagens e Logística para as Indústrias de Alimentos e Bebidas Data: 23 a 26 de junho de 2015 Horário: 13h às 20h (novo horário) Local: Pavilhão do Anhembi – Av. Olavo Fontoura 1.209, Santana – São Paulo/SP.

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