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Um nova operação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) de Chapecó, no Oeste catarinense, investiga fraudes e adulteração no leite em seis cidades de Santa Catarina e em um município do Rio Grande do Sul. Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de prisão e 21 de busca e apreensão, que começaram a ser cumpridos nesta segunda-feira (20). Esta investigação leva o nome de ‘Leite Adulterado III’. Os nomes das empresas envolvidas ainda não foram divulgadas. As duas primeiras foram ‘Leite Adulterado I’ e ‘Leite Adulterado II’, em 19 de agosto, no Oeste catarinense, nas quais 48 pessoas foram indiciadas. Destas, 22 foram detidas. Elas tinham envolvimento com duas empresas de laticínios investigadas pelo MPSC: Mondaí Ltda, em Mondaí, e Lajeado Grande – em Ponte Serrada e Lajeado Grande. Nas amostras de leite coletadas nas empresas, havia um número excessivo de bactérias e presença de substâncias químicas proibidas, como água oxigenada e soda cáustica. Nesta segunda-feira, foram cumpridos mandados de prisão e busca e apreensão nas cidades de Cordilheira Alta, Coronel Freitas, Novo Horizonte, São Bernardino, Santa Terezinha do Progresso e Formosa do Sul, em Santa Santa Catarina, e em Iraí, no Rio Grande do Sul. De acordo com o MPSC, cerca de 70 agentes do Gaeco e 12 fiscais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) atuam na operação. Os trabalhos ocorrem em laticínios, queijarias, unidades resfriadoras e transportadores de leite, nos quais há denúncias de que empresários e funcionários "supostamente estão falsificando, corrompendo, adulterando ou alterando o leite destinado a consumo humano, o que pode tornar o produto nocivo à saúde ou reduzir seu valor nutricional", conforme o Ministério Público. <b>Histórico de investigação</b> Segundo o Ministério Público, há cerca de seis meses ocorrem investigações em laticínios. De acordo com as denúncias, eram misturados produtos químicos ao leite para mascarar o prazo de validade e aumentar a rentabilidade. As perícias químicas detectaram peróxido de hidrogênio (água oxigenada), citrato de sódio, polifosfato, hidróxido de sódio (soda cáustica), e outros, como a adição de água e soro de leite. A carga bacteriana nos leites adulterados passava do padrão aceito pelo Ministério da Agricultura. Em testes com amostras de uma das empresas, cerca de 2 milhões de bactérias foram encontradas por mililitro de leite, quando o número máximo aceito pela entidade era de 300 mil. No dia 19 de agosto, quatro lotes (54, 59, 67 e 71) da Mondaí foram retirados de circulação. Antes, no dia 12 do mesmo mês, a Vigilância Sanitária de Santa Catarina determinou a retirada do mercado do leite UHT integral da Lajeado Grande fabricado em 7 de junho de 2014. O produto era vendido para grandes indústrias no Paraná e São Paulo. Conforme o promotor Fabiano Baldissarelli, coordenador do Gaeco, além das substâncias encontradas nas análises durante a operação, uma das caixas de leite da empresa Lajeado Grande apreendida pela Vigilância Sanitária no Litoral catarinense e enviada para análise antes da operação ser deflagrada, continha formol. O resultado da análise no líquido apontou a existência do produto na composição. <b>Poscionamento das empresas</b> O advogado da Lajeado Grande, Gilberto Batistello, nega a existência de formol. Ele afirma que as substâncias encontradas tinham outras finalidades e eram utilizadas com doses autorizadas pelo Ministério da Agricultura. "O formol nunca foi usado. Não existe nenhum laudo que comprove a utilização. A soda cáustica era usada na limpeza dos caminhões, máquinas e até do chão da indústria. Já o peróxido e o citrato eram usados na industrialização do leite, para transformar em queijo", justifica o defensor da empresa. Na Mondaí, o promotor afirma que foram encontradas irregularidades semelhantes, porém sem o formol. "Todo o trabalho foi realizado em conjunto, entre os promotores das cormarcas, Polícia Civil e Militar, Ministério da Agricultura, vigilância, e cada um na sua área de conhecimento constatou ações irregulares", explica. De acordo com o advogado da empresa, Írio Grolli, a organização prefere não se pronunciar sobre o caso.

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