CPT - Centro de Produções Técnicas

Ao longo dos últimos 15 anos, Ivan Fábio Zurita circulou com desenvoltura pela cena empresarial e artística brasileira. Como executivo, ele dirigiu a subsidiária brasileira da Nestlé de 2001 a 2012. Foi um tempo de vento a favor e de realizações em seu currículo de profissional bem-sucedido, pois nesse período a fabricante suíça de chocolates quadruplicou de tamanho no País, passando de um faturamento de R$ 4,8 bilhões para R$ 20,5 bilhões. Nessa época, era recebido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela presidenta Dilma Rousseff. Como celebridade, Zurita se transformou em personalidade onipresente nas publicações voltadas ao mundo dos famosos. Era visto com frequência ao lado de personagens como Roberto Carlos, Pelé, Hebe Camargo, Xuxa e outras estrelas do show business brasileiro, frequentadores de seus concorridos e badalados leilões de gado, os quais arrecadavam milhões de reais a cada rodada. Como empresário, a partir do início dos anos 1990, ainda quando trabalhava para a Nestlé no Exterior, construiu um patrimônio estimado por ele próprio em mais de R$ 1 bilhão, que inclui 8,5 mil hectares de terras e pelo menos duas mil cabeças de gado de elite. Mas a fase de glória parece ter ficado para trás. Hoje, aos 61 anos, Zurita vive o que pode ser considerado o seu inferno astral. Ele deixou o cargo de presidente da Nestlé em 2012. Sua vida social está menos glamourosa e alguns artistas que antes o paparicavam agora o cobram publicamente por dívidas. É o caso do apresentador do SBT Carlos Massa, o popular Ratinho, que dedicou ao vivo em seu programa de tevê a música Pague o meu dinheiro “a um cidadão famoso de Araras”, numa referência à cidade do interior de São Paulo onde nasceu Zurita. “Você tem de me pagar, compadre”, disse Ratinho. E completou, antes de soltar um palavrão com a palavra “estelionatário”: “Eu vou receber do meu jeito, mas vou receber”. Procurado, Ratinho não quis comentar o episódio. A AgroZ, o grupo agropecuário de Zurita, que cria gado de elite das raças simental e nelore e cultiva laranja e cana, também não passa por um momento brilhante. Desbalanceado financeiramente, acumulou um endividamento, reconhecido por Zurita, de R$ 78 milhões. Segundo apurou a DINHEIRO com pessoas que conhecem a situação da empresa, esse valor poderia ser até quatro vezes maior, próximo de R$ 300 milhões. Qualquer que seja o número correto, trata-se de um valor muito elevado para uma receita que chegou a R$ 130 milhões, em 2013. O empresário construiu ao longo das últimas décadas, quatro delas como executivo assalariado da Nestlé, onde trabalhou nas subsidiárias do México, da Argentina, do Panamá e do Chile, um patrimônio bilionário em fazendas, gados e outros bens. “Claro que não estamos oxigenados de caixa como eu gostaria, mas até o fim do mês estaremos nos conformes novamente”, disse Zurita à DINHEIRO (leia a entrevista ao final da reportagem). Será uma missão e tanto. Impossível? Evidentemente não. Mas, provavelmente, ela não acontecerá na velocidade pretendida por Zurita, que atribuiu parte dos problemas de caixa à queda do preço laranja, à crise do etanol e à inadimplência na venda de gado. “É a primeira vez que aconteceu um aperto de caixa no nosso negócio”, afirma o empresário. Na última semana, DINHEIRO conversou com diversos credores de Zurita e teve acesso a mais de 40 processos, 14 deles de execução de títulos extrajudiciais. A soma desses últimos ultrapassa os R$ 3 milhões. Há desde cobranças de quantias superiores a R$ 1 milhão, como no caso do banco Safra, até cheques de pouco mais de R$ 6 mil. Zurita diz que a maioria dessas dívidas já foi quitada. Segundo uma fonte da área de avaliação de risco de crédito, a deterioração dos negócios do empresário começou a ser sentida em 2010, com o vazamento de uma dívida com o banco Schain, que cobra R$ 80 milhões de Zurita (este, por sua vez, recorre e diz já ter pago a maior parte do débito). De acordo com a mesma fonte, o empresário tem aproximadamente 20 títulos protestados, que somariam dívidas em torno de R$ 20 milhões. “Pelos critérios normais de concessão de crédito, ele não poderia comprar um televisor financiado na Casas Bahia”, diz. Essa percepção é compartilhada pelo diretor de uma das maiores corretoras de valores de São Paulo, que por dever de ofício acompanha os negócios da AgroZ e confirma a imagem complicada de Zurita como pagador. Essa fama deixou a capital paulista e chegou a Araras, a terra natal de Zurita, que já teve como prefeito Ignácio Zurita Jr., pai do empresário. Lá, até as dezenas de bancos que cercam a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Patrocínio, localizada na praça Barão de Araras, sabem da situação financeira do ex-presidente da Nestlé. É difícil encontrar uma pessoa da cidade de 120 mil habitantes que não tenha visto o vídeo do Ratinho. DINHEIRO ouviu diversos relatos de lojistas que se dizem lesados com a falta de pagamento. Poucos, no entanto, aceitam ser identificados. “O caubói já era”, disse um industrial que alega ter perdido R$ 5 milhões com Zurita. Questionado sobre os comentários da população, Zurita respondeu: “Somos uma família antiga, nunca deixamos de pagar um prego aqui”. Duas pequenas oficinas mecânicas confirmam que sofreram com os atrasos do ex-presidente da Nestlé. A oficina de caminhões Pinarelli recebeu um cheque de R$ 6 mil sem fundo, que foi acertado apenas em abril, dois meses depois da data previamente estipulada. No caso da Compeças, as dívidas do empresário foram quitadas em troca de um trator da fazenda de Zurita. Procurados, seus proprietários não quiseram entrar em detalhes sobre o assunto, mas confirmaram as informações. Eles, no entanto, reiteraram que não tiveram problemas na renegociação com o empresário. Internamente, as turbulências também cobraram seu preço. Pelo menos quatro importantes colaboradores de Zurita desembarcaram do grupo nos últimos meses, alguns deles descontentes com o estilo personalista do empresário e com os tropeços na gestão. Antonio Carlos Pinheiro Machado Júnior, o agrônomo que a partir do início da década passada organizou o plantel de simental e era a principal referência na pecuária da AgroZ, saiu. O diretor-financeiro Roberto Dudi e o promotor de leilões Jacoy Alves, também. Procurados, nenhum atendeu aos pedidos de entrevista da DINHEIRO. A defecção mais recente atende pelo nome de Tiffany Zurita e vem a ser filha de Eduardo, irmão de Zurita e CEO do grupo. Ela era responsável pela Cachaça do Barão, um dos negócios da AgroZ, e resolveu seguir carreira-solo. Os problemas de Zurita não se limitam a pequenas somas do comércio de Araras. Antigos fornecedores também o estão deixando. O buffet Charlô, da capital paulista, que preparou os banquetes oferecidos nos concorridos leilões de gado durante muitos anos, parou de prestar o serviço no ano passado. A razão teria sido a falta de pagamento. Procurada, a diretoria do Charlô disse que não iria comentar o assunto. Executivos que faziam parte do círculo de amizade de Zurita também não estão conseguindo receber seus créditos. Um deles é José Carlos Grubisich, presidente da fabricante de papel e celulose Eldorado, que entrou com uma ação em Itatinga, no interior de São Paulo, cobrando R$ 400 mil pela venda de um animal em um leilão. Procurado, ele também não quis comentar o processo. O mais tradicional leilão de Zurita, realizado na bicentenária e cinematográfica fazenda São Pedro, em Araras, que aconteceu em novembro do ano passado, só contou com a transmissão do Canal Rural, do grupo J&F, dono do frigorífico JBS, porque o pagamento foi feito antecipadamente, uma prática que não é usual no mercado. “Não tem nada disso”, afirmou Zurita. “A nossa relação com o Canal Rural era boa e, com a aquisição pela JBS, ficou melhor ainda.” Esse leilão rendeu à AgroZ R$ 9,2 milhões com a venda de 31 lotes: seis fêmeas por R$ 6,9 milhões e 25 prenhezes por R$ 2,2 milhões. O maior lance, de R$ 2,1 milhões, saiu para a vaca Elegance II Unimar. Ela foi adquirida por Jaime Pinheiro, Jonas Barcellos, Paulo Golin e Márcio Mesquita Serva, este último dono da Universidade de Marília. Zurita havia comprado essa fêmea justamente de Serva, em 2011, por quase R$ 3 milhões. O negócio chamou a atenção no setor porque não é comum um pecuarista recomprar um animal. “Quando um criador vende um animal é porque ele já tem reserva dessa genética”, diz um especialista da área. “Não tem motivo lógico alguém comprar um animal que já foi seu.” <b>BRIGA NA JUSTIÇA</b> Zurita enfrenta também problemas para pagar uma emissão de debêntures realizada pela AgroZ Agrícola Zurita S.A., coordenada pelo banco Pine, em dezembro de 2011. Debênture é um título de dívida, de médio e longo prazo, que confere a seu detentor um direito de crédito contra a companhia emissora. Na ocasião, Zurita captou R$ 102 milhões. Os pagamentos, que começaram em janeiro de 2012, estendem-se até o fim de 2016. Mas, em junho do ano passado, o empresário passou a ter dificuldades para honrar as parcelas. Ele conseguiu que os detentores de seus títulos, no caso os bancos Pine e BMG, o fundo Galpa e a Fundação Carlos Chagas (posteriormente substituída pela Erba Participações), prorrogassem as datas de vencimento. Em fevereiro deste ano, desembolsou R$ 22 milhões e quitou os pagamentos atrasados. Aqui, no entanto, começa uma intrincada história de processos e contraprocessos que chegou, em maio deste ano, a bloquear a matrícula de fazendas de Zurita que estavam dadas como garantia aos pagamentos das debêntures. A Fundação Carlos Chagas, além de deter debêntures da AgroZ, possuía também Cédulas de Crédito Bancário (CCB) que somavam R$ 85 milhões. Esses compromissos foram transferidos, no segundo semestre de 2013, para a Erba Participações, gestora de um fundo de investimento que, segundo pessoas próximas a Zurita, tem a Fundação Carlos Chagas como principal cotista. Acontece que a Fundação Carlos Chagas havia assinado um memorando de entendimento com Zurita para participar de três megaempreendimentos imobiliários em Araras. A contrapartida era a conversão de parte dessa dívida em participações nos negócios de Zurita. Mas, desde a transferência das debêntures e dos CCB para a Erba, a transação começou a fazer água. Não bastasse isso, a nova detentora das debêntures passou a ser uma pedra no sapato de Zurita. Em maio, a Erba conseguiu impugnar na Justiça, duas assembleias de debenturistas. As reuniões ocorreram em Araras, nos dias 1º e 17 de abril. Nelas, os bancos BMG e Pine e o fundo Galpa, que detém 73,96% dos títulos da dívida da AgroZ, concordavam em prorrogar pagamentos atrasados de março e abril e autorizavam a venda de fazendas dadas como garantia. Eles também concordavam em não decretar o vencimento antecipado das debêntures. Caso o fizessem, a AgroZ teria de usar as garantias para pagar os debenturistas. Seria um prejuízo de R$ 154 milhões, valor pelo qual diversas fazendas foram avaliadas. O juiz Antonio César Hildebrand e Silva, da 3ª Vara Cível de Araras, bloqueou ainda todos os bens dados como garantia. O escritório Lowenthal Advogados, que representava a Erba Participações, não retornou os pedidos de entrevista de DINHEIRO. Simultaneamente, Zurita contra-atacava processando a Fundação Carlos Chagas, que deveria, em sua visão, se tornar sócia de seus empreendimentos imobiliários. A paz entre Zurita e a Erba Participações foi finalmente selada na sexta-feira 16, em nova assembleia de debenturistas. Na reunião, um acordo prévio fez com que a Erba votasse em conjunto com todos os outros titulares dos títulos da dívida da AgroZ. DINHEIRO apurou que um plano de reestruturação da dívida seria aprovado. Com isso, em um segundo movimento, Zurita abriria mão da conversão da dívida para o seu empreendimento imobiliário. Trata-se, agora, de uma questão de tempo para que os processos na Justiça deixem de existir. “Vou fazer a liquidação antecipada das debêntures”, afirma Zurita. “Vamos pegar um exemplo: se eu vender a fazenda Montevideo, isso vai me pagar seis meses de debêntures.” O acordo, acredita Zurita, lhe propiciará o oxigênio de que precisa para tocar seus projetos imobiliários em Araras. Um deles é a implantação de um loteamento residencial numa área de 20 alqueires da Fazenda Samanta e do Sítio Marginal. O outro, no centro da cidade, no antigo prédio da empresa Ibrasol, prevê a construção de um conjunto que envolve a incorporação e construção de torres comerciais, residenciais, hotéis e de um shopping center. Os dois projetos teriam um valor geral de vendas de R$ 450 milhões. Zurita entraria com os terrenos. A Cipasa, controlada pelo fundo HSI Investimentos, com quem Zurita diz já estar acertado, é uma das maiores companhias de desenvolvimento urbano do País e faria os investimentos necessários. Uma das dificuldades, segundo uma fonte, é que a Fazenda Samanta faz parte das propriedades dadas como garantia às debêntures. Nos planos de Zurita está também a vendas de ativos que ele considera não estratégicos para desalavancar sua atual posição de endividamento. É dessa forma que Zurita planeja sair das dificuldades atuais, que vêm comprometendo sua imagem de empreendedor vitorioso. O ex-presidente da Nestlé diz não se preocupar com isso e acrescenta que, em uma sondagem em Araras, seu nome apareceu como um dos favoritos a concorrer à prefeitura da cidade. “Aos que apostaram em mim, eu agradeço e aplaudo”, diz. “Aos que não apostaram, meus pêsames.” E conclui: “Existe um professor em Araras, o Paulo Gomes Barbosa, que falava em livro: “Só o tempo dirá.” Aos credores, a alternativa é esperar. —– “Nascemos honestos, não conquistamos a honestidade” O dono da AgroZ fala sobre a crise de liquidez de seus negócios DINHEIRO – Há um quadro geral de inadimplência da Agro Zurita, que se manifesta em problemas bancários, trabalhistas e dívidas com fornecedores e prestadores de serviço. Por que o grupo está nessa situação? ZURITA – O que está acontecendo é que vocês estão mal informados. Estou surpreso por vocês fazerem uma matéria sobre a Agro Zurita. Se fosse a Nestlé, tudo bem. O que vocês falam de atraso não é verdade. Quanto aos funcionários e às ações contra nós, não tem uma empresa no Brasil que não tenha. São coisas corriqueiras. Temos muitas propriedades, um rígido controle sobre isso e não temos nenhum problema trabalhista, muito pelo contrário. DINHEIRO – O sr. está fazendo investimentos imobiliários em Araras? ZURITA – Já está tudo no papel. Tenho o espaço Samantha, uma área de 20 alqueires, dentro da cidade de Araras, para a construção de um loteamento residencial. Fiz um acordo com a Cipasa, a segunda maior companhia de loteamentos do País: entrei com o terreno e eles entram com o investimento, o projeto e a documentação. Além disso, vou construir um centro comercial, que chamo “Cidade Jardim” de Araras, que contará com hotéis, shopping, prédios comerciais e residenciais, sempre com parceiros me ajudando. Também terei outro centro comercial que ficará numa antiga fábrica que já foi do meu avô. DINHEIRO – Quanto será investido? ZURITA – O VGV do primeiro projeto está em R$ 190 milhões e o do segundo por volta de R$ 260 milhões. DINHEIRO – Já estão em andamento? ZURITA – O primeiro projeto já está pronto, esperando por uma diretriz da prefeitura, mas ainda não começaram as obras. O segundo é mais complicado, pois quem constrói hotel não constrói centro comercial. É um projeto para três ou quatro anos. DINHEIRO – O sr. enfrenta, pelo menos, 40 processos na Justiça. Há ações de R$ 1,2 mil até R$ 1 milhão, que é a do Banco Safra. O que aconteceu para justificar esse quadro? ZURITA – O endividamento da Agro Zurita não chega a 10% do patrimônio. Quase tudo já foi pago, como o débito do Banco Safra, mas ainda não teve baixa do juiz. Aqui todo mundo é sério, ninguém brinca em serviço. Passamos por essas dificuldades por causa dos momentos ruins da laranja, que impactaram nosso caixa em mais de US$ 20 milhões, fora mais US$ 10 milhões investidos para minimizar ainda mais o prejuízo. A inadimplência do gado também é uma realidade. Se vocês vivem no mesmo país que eu, vão entender. É a primeira vez que aconteceu um aperto de caixa no nosso negócio. DINHEIRO – Então houve mesmo um aperto de caixa? ZURITA – Hoje a situação já é outra. Tivemos um aperto de caixa por causa de todas essas condições. Há dois meses, estava complicado, mas a maior parte dos protestos foi limpa. Fizemos um redesenho do endividamento e, agora, um plano de antecipação de debêntures, mas isso é confidencial ainda. Vamos desinvestir em ativos que não fazem parte do nosso core business. DINHEIRO – Quanto será desinvestido? ZURITA – Apenas para pagar as debêntures, pois eu quero antecipar. São R$ 102 milhões de emissão e já paguei R$ 55 milhões, mas ainda faltam os juros. Não tem nada fora da realidade. DINHEIRO – Qual é o tamanho total da dívida? ZURITA – São R$ 78 milhões para uma receita de R$ 130 milhões, mas sempre temos um resultado de R$ 45 milhões anuais. O nosso patrimônio supera R$ 1 bilhão com fazendas, gado e bens em geral. DINHEIRO – O sr. vai vender ativos para diminuir o endividamento da AgroZ? ZURITA – Para a liquidação antecipada de debêntures, que só vencem em 2016. O patrimônio que a Agro Zurita tem, em comparação com a dívida, é muito grande. Então, não há condição de risco. A AgroZ gera R$ 50 milhões de caixa todo ano. O que ocorreu foi a trava que eu tive com as commodities. Agora, quero antecipar, porque o valor das debêntures não convém para mim. Ninguém está me obrigando a pagar e ninguém pode, pois estou adimplente. DINHEIRO – Relatórios da corretora Planner, que é o agente fiduciário das debêntures, questionam a antiga dívida de R$ 80 milhões com o Banco Schahin. É um caso antigo que volta e meia vem à tona. ZURITA – É um processo que rola há uns sete anos. Vamos ser bem claros: estamos discutindo uma diferença de juros que eles cobraram de um empréstimo que não estava em linha com a operação assinada. Entramos numa discussão e estamos até hoje. Agora, eles falam que a dívida é de R$ 80 milhões e eu falo que não é nada, pois tenho provas. Tenho até uma fazenda em Iguaí que dei como garantia nesse processo. Não tem nada a ver com o poderio da Agro Zurita e esses caras já foram condenados por fraude. DINHEIRO – Estivemos em Araras e ouvimos vários relatos de pessoas cujos créditos não teriam sido quitados pelo sr. ZURITA – Você poderia me dizer de onde saiu isso? Tudo sobre mim chama a atenção. Temos fornecedores históricos e nunca deixamos de pagar um prego. Não devo um centavo em Araras nem tenho operação bancária lá. Minha família aprendeu o seguinte: nascemos honestos, não conquistamos a honestidade. Temos nome respeitado na cidade e não somos ávidos por dinheiro. Para nós, riqueza é consequência. Geramos emprego aqui, cometemos alguns erros, mas o balanço na cidade é altamente positivo. DINHEIRO – Na cidade, alguns comerciantes não estão aceitando mais compras suas a crédito, apenas mediante pagamento antecipado. ZURITA – Se tiver algo defasado, será pago. Mas eu tenho crédito. Muita gente me liga, como o Credit Suisse, que me ofereceu US$ 13 milhões para reforçar o caixa. Ele só oferece porque sabe do meu patrimônio. Não aceitei, pois não preciso. Tenho muita gente que me deve também. Há uma pessoa conhecida no meio publicitário que tem de me pagar R$ 7,7 milhões. O meu problema foi o fluxo de caixa, que travou a companhia. DINHEIRO – Muitas pessoas disseram que o sr. tem dívidas com eles . ZURITA – Se alguma dessas pessoas que reclamaram ligasse para mim, eu não deixaria de atender. Não temos mais problemas, se tivermos é coisa mínima. Claro que não estamos oxigenados de caixa como eu gostaria, mas até o fim do mês estaremos nos conformes novamente. DINHEIRO – Uma cobrança pública de dívida divulgada com o auxílio de um violeiro pelo apresentador Ratinho, em seu programa do SBT, está sendo muito comentada. Os senhores eram sócios em algum negócio? ZURITA – Nunca fomos sócios e me chamou a atenção essa fala dele, porque, apesar de o Ratinho ser limitado, ele é uma boa pessoa. Sempre tivemos volumes importantes de compra e venda de gado entre nós. O ocorrido foi que ele comprou porcentagens de algumas vacas minhas e, depois, pediu para eu recomprar. Fiz isso, mesmo sem ser obrigado, e tivemos uma diferença para acertar o caso de uma vaca prenhez. Fizemos o acerto, mas precisávamos de um parecer do veterinário dele, que não veio. De repente, teve esse comentário na televisão. Liguei para o Guilherme Stoliar (presidente do SBT), pois fiquei sem entender. DINHEIRO – E o que ele disse? ZURITA – O Guilherme falou que conversou com o Ratinho. Ele misturou televisão com problemas particulares. E estamos falando de R$ 300 mil, que é uma bezerra de gado nobre. Poderíamos ter sentado e resolvido. Agora fiz uma proposta para pagar em gado e ele ainda está analisando para me responder. Sinceramente, foi uma surpresa. DINHEIRO – O sr. está processando o Ratinho? Ele entrou com um processo contra o sr.? ZURITA – Não vou e não sei se ele está me processando. Não chegou nenhuma notificação para mim.

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