CPT - Centro de Produções Técnicas

Uma empresa de Araxá, no Triângulo Mineiro, uniu a tecnologia à tradição para levar o autêntico queijo mineiro aos mais diversos cantos do Brasil.

Caipira Express é um empório virtual que usa blockchain para a certificação e a verificação da procedência de queijos, rastreando toda a cadeia de produção e distribuição.

Dois dos queijos comercializados pelo e-commerce já saem da propriedade rural com número de série e QR code ancorado a um registro blockchain.

O consumidor pode entrar no site da empresa e informar essa identificação do queijo adquirido para ter acesso a um conjunto de dados, como detalhes sobre sua matéria-prima, local de fabricação e os responsáveis por sua produção e revenda. Até o fim deste ano, esse processo poderá ser realizado também com o uso de um aplicativo móvel para a leitura do código QR.

O componente tecnológico do negócio vai além da certificação e a confirmação da procedência.

As compras realizadas no Caipira Express podem ser pagas com bitcoins e as interações do consumidor com os produtos geram recompensas em um sistema de benefícios. “Quando valida um queijo, o cliente recebe 1000 caipiracoins, nossa moeda virtual”, diz Gustavo Araújo, 31 anos, CEO da empresa.

Novas ações dos consumidores, como postagens de fotos ou comentários sobre o queijo nas redes sociais, também geram recompensas. As moedas virtuais podem ser trocadas por descontos em futuras compras ou abater o valor do frete.

Como Tudo Começou

O Caipira Express foi a maneira que Araújo encontrou de conciliar o trabalho a um novo estilo de vida. Mineiro de nascimento, ele havia se mudado para Porto Alegre para estudar e trabalhar.

Lá, casou-se e abriu uma empresa de marketing digital com a esposa. Quando nasceu o primeiro filho, o casal decidiu viver de forma diferente. Foram para Minas e Araújo começou a pôr em prática o negócio de queijos para permitir à família viajar, conviver com pessoas do campo e ter um contato permanente com a natureza.

Até hoje, Araújo percorre o estado em busca de queijos e outros produtos exclusivos acompanhado da esposa e dos filhos – além do menino, perto de completar quatro anos, ele tem uma filha de um ano e meio de idade.

O Caipira Express vende queijos de Araxá e das Serras da Canastra, do Salitre e da Mantiqueira. São queijos de alta qualidade, produzidos artesanalmente por pequenos produtores e ausentes nos supermercados convencionais. Entre as opções disponíveis em suas prateleiras virtuais está o Alagoa, um queijo de sabor levemente picante e forte, produzido no ponto mais alto da Mantiqueira.

A loja vende, em média, 200 queijos por mês e fatura entre R$ 12 mil e R$ 15 mil. Os principais mercados são as capitais, com destaque para São Paulo, Rio, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Salvador e Recife.

Como os queijos são curados, podem ser entregues em qualquer parte do país.  O empório comercializa também outras delícias mineiras, como goiabada cascão e doce de leite, cachaça, café, farinhas e cosméticos de lama negra, tradicionais de Araxá.

O e-commerce de queijos não é o único negócio de Araújo. Engenheiro de software na prática e empreendedor serial, ele está por trás de outras empresas.

Uma delas é a Cryptonation, um e-commerce de camisetas, pôsteres, almofadas, adesivos, crypto wallets e outros itens ligados ao universo das criptomoedas e do blockchain.

Outra de suas empresas é a Veris Tech, responsável pelo protocolo de blockchain Trace, adotado pelo Caipira Express. O protocolo é capaz de certificar, rastrear, verificar e garantir a procedência de qualquer gênero alimentício, desde a produção até a chegada à mesa do consumidor.

Somente um queijo da Canastra e uma variedade da Serra do Salitre do portfolio do Caipira Express têm certificado de origem digital. Até o final do ano, outros parceiros devem aderir à proposta.

Segundo Araújo, os produtores precisam pagar apenas o certificado de procedência gerado para cada produto, que custa apenas alguns centavos. “Nossa ideia é trazer transparência para o negócio da produção e distribuição de queijos, que hoje conta com muitos intermediários”, diz.  “O café será nosso próximo alvo.”

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