CPT - Centro de Produções Técnicas

Genética, boa alimentação, cuidados sanitários, instalações de primeira. Na Fazenda Iguaçu, tudo é planejado para que as vacas produzam com qualidade e em quantidade. A propriedade tem 1.300 hectares, fica no município de Céu Azul, no Paraná e mantém um rebanho com 1.300 vacas, 500 em lactação, uma produção média de 19 mil litros de leite por dia. “O nosso sistema tradicional era criar as novilhas a campo, em piquetes, dando alimentação em cochos e também a vaca pré parto”, explica Mário Sossela, gerente da fazenda. Sossela explica que o restante do rebanho fica confinado em um sistema chamado de Free Stall. Nele, a vaca fica confinada em galpões com piso de concreto, revestido de borracha e dividido em baias individuais. O local também é equipado com ventiladores e aspersores que refrescam o ambiente e uma pá mecânica limpa o piso a toda hora. A instalação custa caro: “Passa de nove mil reais por vaca alojada”, afirma. Como queriam confinar as vacas no pré parto e novilhas prenhas, a fazenda foi atrás de um sistema mais barato e descobriu nos Estados Unidos outro modelo de galpão com um nome em inglês: Compost Barn. Talvez, a melhor tradução para este termo seja um barracão de compostagem, porque o lugar serve tanto para abrigar confortavelmente as vacas de leite, quanto para produzir composto orgânico, ou seja, adubo para a lavoura. A construção do barracão é aberto nas laterais e tem pé direito bem alto. “O teto do barracão tem que ser angulado. Essa angulação é importante para que todo o ar quente migre para a ponta do telhado, mais ou menos o efeito de uma chaminé”, explica Sandro Viechnieski, veterinário. No meio do telhado vai um lanternim, uma abertura que fica no meio do barracão, por onde o ar quente que é produzido pelas vacas, pela cama, vai sair mais facilmente. Mas o grande segredo do Compost Barn está na parte de baixo. Ele é todo cercado por uma mureta de concreto. Sobre o piso vai uma cama de serragem de madeira, com cerca de 15 centímetros. É sobre ela que os animais vão ficar. As fibras da madeira e os dejetos, como fezes e urina, são os ingredientes do composto. Uma vez por mês se coloca uma nova camada de serragem, bem mais fina. E a medida que o tempo vai passando a cama vai subindo. Até encher o cercado. “A velocidade de enchimento dessa cama é dado pela altura da mureta. Se a gente fizer uma mureta menor que 1,20 metro, esse enchimento se torna mais rápido e a gente tem que remover mais rápido”, explica. Para que sistema funcione bem é essencial monitorar a cama diariamente, medindo a temperatura a 20 centímetros de profundidade. “A temperatura ideal está entre 40 e 65 graus”, diz. Para virar composto, a cama deve ser degradada por bactérias que estão no ambiente. Na superfície ela deve estar à temperatura ambiente para não incomodar as vacas. A cama também precisa de oxigênio. Duas vezes ao dia é preciso virar o material. O controle da umidade dentro do sistema é importante. Os ventiladores ajudam a secar a superfície da cama Bebedouros e cochos ficam fora da área de compostagem, em um corredor de alimentação. A lotação, o número de animais colocados no sistema também deve ser observado. “É preciso ter 10 metros quadrados por vaca para o descanso. Isso é variável pelo tamanho e raça do animal”, reforça o veterinário. O composto vai ficando pronto de baixo para cima. A parte mais escura já chegou no ponto Um galpão pode levar dois anos para encher. Na hora de recomeçar o processo. A parte de cima da cama, que ainda não virou composto, deve ser retirada e separada. O restante vai para o campo como adubo. O material da superfície, que está cheio de bactérias boas, é usado para recomeçar a cama. A fazenda gastou R$ 350 mil para montar o sistema, custo de R$ 3.500 por animal, quase três vezes menos que o Free Stall e a produção de leite aumentou. “A produção de leite agora é de quase quatro litros por dia, por animal. A mudança de instalação proporcionou conforto e ela retribui no leite”, afirma o gerente da fazenda.

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