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A unidade da Leite Nilza em Campo Belo, no Sul de Minas Gerais, foi arrematada por R$ 9 milhões na tarde desta sexta-feira (21). Durante o leilão realizado em Ribeirão Preto (SP), o juiz Heber Mendes Batista aceitou o lance oferecido pela empresa Nova Mix, que já havia arrendado a fábrica há cinco anos, e que opera laticínios em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e no Paraná. Para Batista, a negociação foi satisfatória, uma vez que se aproximou do preço da avaliação, estipulado em R$ 12,3 milhões. No entanto, os lances oferecidos pela marca e pelas unidades em Ribeirão Preto e Itamonte (MG) continuaram insuficientes, segundo avaliação do juiz. Falida desde 2011, a Leite Nilza tem uma dívida estimada em R$ 500 milhões. Após o formato do leilão ter sido modificado, o que permitiu aos interessados dar lances por cada uma das unidades, a unidade em Campo Belo foi arrematada por R$ 9 milhões. Segundo o juiz, a intenção da empresa Nova Mix em manter a fábrica em atividade foi determinante para a venda. “O valor foi muito próximo do colocado na avaliação e já vai servir para pagar parte dos créditos da massa falida. (…) Era uma empresa que já era arrendatária daquela planta, que vai manter a unidade produtiva, que esse é o espírito da lei, com manutenção da atividade econômica, manutenção dos empregos, e isso pesou muito no valor do juízo para decidir a arrematação. Primeiro o valor, e segundo a manutenção da unidade produtiva”, afirma. O advogado Achiles Cavallo, representante da Nova Mix, defendeu que a unidade tem um importante valor social em Minas Gerais. Ele afirma que a empresa deve avaliar outras unidades disponíveis no leilão e apresentar novas propostas. <b>Outras propostas</b> Apesar do Leilão da Unidade em Campo Belo, a fábrica em Ribeirão Preto continuou a receber lances insatisfatórios. Segundo o juiz, foram oferecidos R$ 35 milhões, dos quais aproximadamente R$ 13 milhões seriam pagos em créditos. “Esses créditos são discutíveis inclusive, não é algo líquido. Por conta disso seria interessante que a oferta viesse totalmente em dinheiro e acima desse montante”, explica. Duas ofertas feitas pela marca passarão pela avaliação do administrador judicial e do Ministério Público. “Para a marca nós temos duas ofertas – uma de R$ 7 milhões a outra de R$ 6 milhões. O administrador judicial e o Ministério Público pediram um prazo para se manifestarem a respeito dessa proposta. E depois da manifestação deles eu vou decidir se acolho ou não a maior delas”, afirma. Pela unidade de Itamonte foram oferecidos R$ 3 milhões, mesmo diante da avaliação que estabeleceu o valor de R$ 30 milhões. Para as empresas interessadas, o valor está muito além do preço real. Diante do impasse, a estrutura deve passar por uma reavaliação. “Chegou ao meu conhecimento que o valor de avaliação está bem acima do que efetivamente vale aquela unidade. Então nós vamos estudar a possibilidade de uma reavaliação da unidade de Itamonte para um novo leilão”, diz o juiz. Segundo ele, as unidades que ainda não foram arrematadas devem voltar à leilão por via eletrônica, visando facilitar o processo. Ainda não há datas previstas. <b>Falência</b> Atualmente, a dívida da Leite Nilza está estimada em R$ 500 milhões. Cerca de 3,3 mil fornecedores devem receber em torno de R$ 232 milhões e pelo menos 1.186 ex-funcionários não tiveram os direitos trabalhistas pagos – débito calculado em R$ 13,8 milhões. Além disso, há ainda R$ 141 milhões como garantia real e R$ 20 milhões em crédito extraconcursal. A Indústria de Alimentos Nilza surgiu em 2004 da organização de sete cooperativas. Dois anos depois, ela foi comprada por Adhemar de Barros Neto, que iniciou um plano de expansão. Em 2008, a indústria comprou as unidades de Itamonte e Campo Belo da Montelac Alimentos S.A, passando a processar 1,5 milhão de litros de leite por dia em suas três unidades, que contavam com mil profissionais. No mesmo ano das aquisições, no entanto, veio a crise no setor leiteiro brasileiro e a dificuldade de obtenção de créditos bancários com os problemas financeiros no setor imobiliário dos Estados Unidos. Em janeiro de 2011, o juiz da 4ª Vara Cível de Ribeirão Preto decretou a falência da empresa após constatar uma série de fraudes no processo de recuperação judicial e na negociação de venda da companhia para a empresa Airex, que aparecia em seus registros com sede em Manaus (AM), o que também chegou a ser investigado. Cinco meses depois, a decisão de falência foi revogada e 40 funcionários foram recontratados para trabalhar na Nilza. Foram feitos testes no laticínio, mas a produção comercial não chegou a acontecer. Então, em outubro de 2012, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) decretou a segunda falência, que dura até hoje.

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