CPT - Centro de Produções Técnicas

O Sindilat/RS, que congrega 36 empresas de laticínios e produtos derivados, condena, com veemência, todo e qualquer tipo de desvio de qualidade no processo de elaboração de alimentos lácteos colocados à disposição dos consumidores. O sindicato apoia investigações criteriosas de órgãos públicos envolvidos na questão, como Ministério Público e Ministério da Agricultura, que buscam coibir fraudes. E, evidentemente, o Sindilat/RS confia nas decisões da Justiça. A indústria tem envidado esforços no aprimoramento dos seus sistemas de controle, atualizando-os e desenvolvendo novas metodologias em busca de qualidade superior dos produtos. Aliás, esse movimento é feito de forma articulada com a fiscalização. De forma inédita no país, o Sindilat/RS protocolou, recentemente, no Ministério da Agricultura, documento que visa adequar a legislação, aprimorar a sistemática da indústria nos seus laboratórios de recepção de matéria-prima e consequentemente e elevar as garantias de qualidade do produto final. Alguns pontos que irão aprimorar em muito os processos de qualidade são a coleta de leite cru com contraprova; revisão dos padrões de ESD (Extrato Seco Desengordurado); revisão de metodologias oficiais para maior equivalência entre resultados de laboratórios oficiais e credenciados; validação dos kits rápidos para análises de resíduos de antibióticos; possibilidade de descredenciamento de produtores e transportadores que comprovadamente promoverem fraude. O Rio Grande do Sul é o único estado brasileiro que aderiu à Instrução Normativa (IN) 62, Federal, que visa beneficiar o setor com a padronização da qualificação da matéria-prima e produto final. Bem como o RS é o único estado que indeniza animais condenados por brucelose e tuberculose. A indústria, é bom que se diga, também está realizando um trabalho, dentro do escopo do PAS Leite (Programa Alimentos Seguros), de treinamento e sensibilização dos transportadores em relação à sua responsabilidade no processo e que será ministrado pelo Sistema S, coordenado pelo Senai. <b>Operação</b> Após o cumprimento dos três mandados de prisão, os Promotores de Justiça Mauro Rockenbach, da Especializada Criminal, e Alcindo Luz Bastos da Silva Filho, da Especializada de Defesa do Consumidor, reuniram os jornalistas que acompanharam a 5ª fase da Operação Leite Compen$ado para expor detalhes da investigação. “Desta vez as provas nos levaram ao topo da cadeia leiteira e culminaram na prisão dos proprietários das indústrias Hollmann e Pavlat, além de um funcionário da primeira, também detido nesta manhã”, revelou Rockenbach. Ao nascer do dia desta quinta-feira, 8, mais de 90 agentes e servidores do Ministério Público, da Receita Estadual, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e da Brigada Militar, saíram de suas bases para cumprir 15 mandados de busca e apreensão e três de prisão em 10 cidades do Vale do Taquari e Vale do Sinos, em especial em Imigrante e Paverama, sede das indústrias de laticínios Hollmann e Pavlat. Antes das 9h os três presos Ércio Vanor Klein (Pavlat), Sérgio Seewald (Hollmann) e Jonatas William Krombauer (funcionário da Holmann) já haviam sido conduzidos para Delegacias de Polícia da região. Pelas investigações ficou comprovado que os três davam ordens para que subordinados corrigissem, com adição de diversos produtos (citrato, soda cáustica, bicarbonato de sódio, água oxigenada, entre outros), a acidez do leite cru que estava se deteriorando. “Esta é uma operação que terá sempre o apoio da Administração Superior do Ministério Público, em todas as suas fases” garantiu aos jornalistas o Subprocurador-Geral de Justiça para Assuntos Institucionais Marcelo Dornelles que acompanhou os trabalhos. Também participaram da coletiva de imprensa o Promotor de Justiça de Defesa da Ordem Tributária, Aureo Gil Braga, os Promotores de Justiça de Estrela, Daniel Cozza Bruno, e de Teutônia, Jair João Franz, além do Delegado da Receita Estadual Jorge Pozza. De acordo com Dornelles, trata-se de uma atuação conjunta de integrantes de várias instituições que, sob a coordenação dos Promotores Alcindo da Silva Filho e Mauro Rockenbach, estão trabalhando com total dedicação para acabar com esta prática criminosa. “Não podemos admitir que o cidadão continue sendo exposto a produtos adulterados”, concluiu. <b>Expectativa de ajustamento</b> Desta vez, as amostras que foram coletadas não detectaram formol, usado para dar volume ao leite, mas sim outras substâncias utilizadas para aumentar a vida útil do produto. Conforme dados da Receita Estadual, os investigados adquiriram essas substâncias em larga escala. Eles coincidiram com os resultados de 91 laudos em que foi detectada não conformidade com as normas de qualidade exigidas pelo Mapa. No caso da Hollmann, em amostras de leite cru refrigerado foi constatado, além da adição de água, a possível comercialização do produto em estado de deterioração, devido à alta acidez provocada pela proliferação de microorganismos. Já nas amostras de leite UHT da Pavlat (vendidos em Florianópolis, Santa Catarina), foi constatado que, mesmo dentro da validade, o produto já estava em estado de decomposição. Todos esses lotes da Pavlat foram retirados do mercado. Ao se dirigir aos jornalistas, na manhã desta quinta-feira, o Promotor Alcindo Bastos da Silva revelou que, depois da primeira operação, em maio do ano passado, as investigações começaram a apontar que os fraudadores reduziram a aquisição da ureia, que contém formol, e passaram usar outras substâncias para adulterar o leite. “O que queremos é banir esta prática presente em todas as etapas da cadeia leiteira, por isso, desejamos reunir os proprietários de todas as indústrias para que se comprometam a fiscalizar seus fornecedores e o produto que chega na fábrica”, disse o Promotor de Defesa do Consumidor. Atualmente, a cadeia leiteira no Rio Grande do Sul conta com cerca de 100 mil produtores, 500 transportadores e 15 indústrias. Depois de cumpridos os mandados de busca e apreensão e prisão, as duas indústrias alvo da 5º fase da Leite Compen$ado entraram em Regime Especial de Fiscalização, sob intervenção do Mapa. Desta forma os agentes permanecem atuando dentro da indústria na testagem do produto que chega e que sai da fábrica. “Mas a indústria não está interditada, os produtos que não apresentarem problema poderão ser comercializado normalmente”, destacou o Promotor de Justiça.

Banner CHR Hansen 2020

Deixe uma resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here