CPT - Centro de Produções Técnicas

Quem consome muçarela de búfala deve ficar atento à composição do produto, que pode conter leite de vaca. O alerta é da Associação Brasileira de Criadores de Búfalo (ABCB), que examinou 17 marcas desse tipo de produto e apontou que nove delas apresentam DNA bovino em sua composição. O levantamento, feito em parceria com o Instituto Totum e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), analisou amostras coletadas em pontos de venda direta entre o segundo semestre de 2014 e janeiro de 2015. As marcas que passaram no teste foram certificadas pela associação com um selo de pureza, que consta nas embalagens dos itens aprovados. A mistura do leite de búfala com o leite de vaca na composição do queijo não é proibida, mas deve ser indicada no rótulo do produto. Isso não ocorre no caso das marcas reprovadas, diz a coordenadora dos trabalhos na ABCB, Maria Cecília Almeida Prado. Proprietária do Laticínio Almeida Prado ­ uma das empresas avaliadas no estudo ­, ela aponta que alguns produtores fazem a mistura para aumentar os ganhos, uma vez que o leite de búfala é mais raro no mercado do que o leite de vaca: "Por causa da sazonalidade dos partos das búfalas, o leite acaba saindo duas vezes mais caro que o de vaca, ou até mais", explica. Conforme aponta a associação, nove marcas foram reprovadas nos testes realizados. Todas omitem informações sobre a composição nos rótulos dos produtos, de acordo com a pesquisa. São elas: Bufalat (100% de leite de vaca)&#894; Yema (93% de leite de vaca)&#894; La Bufalina (70% de leite de vaca)&#894; Bianco Latte (50% de leite de vaca)&#894; Montezuma (30% de leite de vaca)&#894; Brava (10% de leite de vaca)&#894; Vitalatte (5% de leite de vaca)&#894; Buffa (5% de leite de vaca)&#894; Nacon (1% de leite de vaca). Oito produtores, que fazem parte da ABCB, foram aprovados. São eles: Bom Destino, Búfala Almeida Prado, Bufalíssima Natal, Búfalo D´Oeste, Búfalo Dourado, Di Búfalo, Estância Alambari e Lavera. Saiba como identificar a verdadeira muçarela de búfala: 1­-A muçarela verdadeira não despedaça, esfarela ou quebra facilmente ­ ela é mais úmida do que a de leite de vaca&#894; 2­-Ao partir a muçarela verdadeira, quando retirada da geladeira, é possível notar a aquosidade, pois escorre um pouco de leite. A adulterada não costuma soltar esse líquido leitoso fresco&#894; 3­-A muçarela verdadeira é mais branca, enquanto que a adulterada pode ser um pouco mais amarela. Alguns fabricantes usam clorofila para mascarar essa diferença&#894; 4­-A muçarela adulterada costuma ser mais salgada, enquanto a verdadeira costuma ser levemente adocicada. <b>Reprovados contestam</b> Produtores reprovados na pesquisa da ABCB afirmam que seus testes são precisos ao apontar a pureza do leite adquirido de criadores de búfalos. "Estamos tão certos que nossos produtos são 100% leite de búfala que nunca tivemos qualquer problema com nenhum laticínio que comprou nossa matéria prima", diz Lucia Helena Manelli Rizzoli, da Brava Laticínios. Ela afirma que é comum produtores revenderem o leite que não utilizam e critica a postura da ABCB, associação da qual não faz parte. "A situação deles é muito cômoda: jogam tais dados ao público e salve­se quem puder." Diretor técnico da Vitalatte, André Guedes afirma que a empresa já tentou, sem sucesso, fazer parte da associação: "Vamos retomar as conversas com a ABCB, pois temos total interesse em fazer as coisas da maneira correta". Ele nega que haja mistura de leite de búfala com leite de vaca na composição dos queijos da Vitalatte, com base em testes de "altíssima precisão", realizados com a matéria-­prima adquirida de criadores de búfalos. Leonardo Bojanic, da Bianco Latte, também é enfático: "Afirmamos que nossos produtos são produzidos utilizando 100% de leite de búfala, exceto o produto tipo Barra, que possui em sua composição 70% de leite de búfala e 30% de leite de vaca, conforme rótulo aprovado pelo Ministério da Agricultura". Ele afirma ainda que o leite usado na fabricação dos queijos da marca é analisado mensalmente pela Clínica do Leite, instituição vinculada à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP, em Piracicaba. Sócio do laticínio Montezuma, Fábio Henriques de Barros Pimentel afirmou, em nota, que os produtos da empresa "já foram auditados pelo Selo de Pureza da ABCB não havendo, em tempo algum, a constatação da presença de qualquer derivado de leite de vaca em nossos produtos". Ele afirma que já solicitou a contraprova da amostra pesquisada pela ABCB. Procurados pelo Estado, os demais fabricantes não se manifestaram.

Banner CHR Hansen 2020

Deixe uma resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here