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O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) divulgou nesta terça-feira (4) uma relação de 21 pessoas suspeitas de participação em adulteração de leite investigados na Operação Leite Adulterado III. Elas foram denunciadas na segunda-feira (3) à Justiça por alteração no produto destinado ao consumo humano. O grupo é suspeito de praticas crimes de falsidade ideológica e contra o consumidor há pelo menos sete anos. Na relação de envolvidos constam empresários, técnicos, laboratoristas, fabricantes de queijarias e até mesmo um motorista. As 21 pessoas suspeitas de participação em adulteração de leite denunciadas pelo MPSC estão ligadas às empresas Laticínios Cordilat Ltda, Laticínios São Bernardino Ltda, Laticínios Santa Terezinha Ltda, Transportadora Gris Ltda, Transportadora Douglas Ltda, GD Transportes Ltda, Agro Estrela Ltda, Laticínios Oeste Lat Ltda, e Cooperativa dos Produtores de Leite de Formosa do Sul – Coopleforsul, Cooperativa MilkFor e Laticínios Master Milk Ltda. O G1 SC entrou em contato com as empresas nesta terça (04) mas não conseguiu falar com nenhum representante até o momento. Segundo o MP, os crimes são semelhantes aos investigados e denunciados pelo órgão no último mês de agosto, nas Operações Leite Adulterado I e II. Ao todo, foram denunciadas 69 pessoas, 48 nas duas primeiras e 21 nesta terceira ação. Os números dos lotes adulterados nesta última operação ainda não foram divulgados pelo MP. Conforme o órgão, constatou-se que os denunciados adicionavam substâncias químicas para mascarar a qualidade do leite, tornando o produto nocivo à saúde. Na maioria dos casos, os caminhões percorriam em torno de 25 horas até chegar ao local de distribuição. Em longas distâncias, é comum perder parte do leite. Para aumentar os lucros, eles teriam colocado os produtos químicos no produto. Inicialmente, eram adicionados "neutralizantes de acidez" para inibir a multiplicação bacteriana que leva à acidez do leite. Nesta etapa, eram utilizados peróxido de hidrogênio (água oxigenada) e hidróxido de sódio (soda cáustica), de acordo com o MP. Para aumentar o volume do leite, era adicionada água ou soro de leite, além de produtos classificados como "reconstituintes de densidade", principalmente o etanol (álcool). Por fim, era colocado citrato de sódio, classificado como "reconstituinte de estabilidade", utilizado para mascarar a inserção das substâncias que viabilizam o aumento do volume do leite. Segundo o órgão, a fraude era caracterizada pela divisão de tarefas, falsificação de documentos e compra ilegal de produtos químicos. <b>Investigações</b> Coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), a investigação começou depois do repasse de informações pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que indicavam prática de adulteração de leite bovino nas empresas. A primeira fase das investigações da Operação Leite Adulterado III foi concluída pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), no dia 29 de novembro. Segundo o MPSC, 50 pessoas foram ouvidas nesta fase dos interrogatórios, que investiga empresas suspeitas de adulterar leite. Com a conclusão desta fase, as 11 pessoas que estavam presas foram liberadas. Em 10 dias de investigação foram realizados 16 interrogatórios dos investigados presos e mais 34 inquirições e interrogatórios entre testemunhas e outros envolvidos. O resultado foi encaminhado para a comarca da Justiça de Quilombo, no Oeste do estado. A prova dos autos deve ser analisada pela Secretaria da Fazenda Estadual, pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) e pelo Ministério da Justiça. Nesta Operação Leite Adulterado III, o Gaeco descobriu que as empresas investigadas venderam lotes de leite para outras seis empresas de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Apesar de comprovar a venda, ainda não é possível afirmar que as marcas compraram lotes adulterados ou mesmo se os lotes foram usados ou descartados. Além de pedir a condenação dos denunciados pelos crimes, o MP pede que todas as informações apuradas no inquérito, inclusive as sigilosas, sejam compartilhadas com os órgãos competentes da esfera do consumidor bem como com as autoridades fazendárias de Santa Catarina para a adoção das medidas cabíveis em defesa do consumidor.

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