CPT - Centro de Produções Técnicas

O Ministério Público do Rio Grande do Sul deflagrou hoje a sétima etapa da Operação Leite Compen$ado após constatar uma nova fraude no leite produzido e distribuído na região norte do Estado. Segundo a assessoria do MP, estão sendo cumpridos hoje 17 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em seis municípios gaúchos. Desta vez, a fraude consistia em adicionar água e sal no produto por parte de alguns produtores de leite para ampliar o ponto de congelamento do alimento e mascarar a fraude econômica. Segundo as investigações, a regra era a adição de água na proporção de 10% do volume. No entanto, alguns produtores chegaram a adicionar 200 litros de água em 500 litros de leite (produção média diária das propriedades), uma adulteração de até 40%. O valor resultante da fraude era dividido mensalmente entre produtores, motoristas e empresários. Também de acordo com as investigações, o leite era coletado pela empresa Transportes Rafinha, dos sócios Walter Roberto Krukowski e Paulo César Bernstein. Eles trabalhavam, também, como motoristas de caminhões refrigeradores, assim como os funcionários da empresa Divonir Longo Rambo, Sidmar Ribeiro Rodrigues, Indionei Eliezer de Souza, Genoir Roque Hojnowski, Paulo César Ruhmke e Matheus Alberto Burggraf. Depois de adulterado, o leite era entregue em dois postos de resfriamento: Rempel & Coghetto, em Jacutinga, e Cotrel (Cooperativa Tritícola Erechim Ltda), em Erechim. Faziam parte do esquema o proprietário do posto em Jacutinga, Amauri Rempel e as laboratoristas Andresa Segatt e Elizete Marli Bessegato, bem como os sócios da Cotrel, Arino Adalberto Adami e Angelo Antonio Paraboni Filho. A Cooperativa Central Aurora Alimentos, que teve o nome de sua afiliada Cotrel citada na Operação Leite Compen$ado, divulgou nota hoje assegurando que não industrializou leite adulterado “porque realiza testes laboratoriais de qualidade em toda matéria-prima láctea apresentada pelos seus fornecedores, adotando um sistema de controle que acompanha todas as etapas da produção industrial”. Na nota, a Aurora diz que “condena e repudia energicamente, conforme reiteradas manifestações públicas, a adulteração de leite fornecido para processamento industrial ou diretamente para consumo humano, conforme constatado por investigação do Ministério Público e da Polícia”. No mesmo comunicado, a empresa diz que “foi a primeira empresa do mundo a adotar em 2010” um sistema de rastreabilidade integral do leite. Por conta das conclusões da investigação do MP do Rio Grande do Sul, a Aurora decidiu suspender o recebimento de leite da sua cooperativa filiada Cotrel até que sejam apuradas todas as responsabilidades civis e criminais, “ocasião em que decidirá, em face das conclusões policiais e decisões judiciais, quais as medidas necessárias”. A Aurora também convocou reunião extraordinária das indústrias lácteas com as diretorias de diversas entidades do setor, além de Ministério da Agricultura e Secretaria de Agricultura, para o dia 15 de dezembro, para analisar a questão da fraude e adotar “medidas que incorporem toda a cadeia produtiva na busca de instrumentos que evitem a prática de delitos dessa natureza”.

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