O Ministério da Agricultura (Mapa) informou nesta terça-feira que não trabalha com a possibilidade de suspender as importações de leite originadas dos países do Mercosul. O órgão destacou ainda que a compra externa de lácteos em 2020, apesar de ter aumentado nos últimos meses, ocorre em volumes semelhantes ao consolidado do ano passado. As afirmações do Mapa foram dadas como resposta ao pedido da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite) e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag/RS) de bloqueio imediato das importações.
 
As entidades argumentam que a oferta excessiva de leite no mercado interno gera um desequilíbrio no setor, já impactado por altos custos de produção. “Está sendo criada a tempestade perfeita para um desmonte sem precedentes na pecuária de leite”, alertou a Abraleite, em nota. A compra de lácteos, especialmente da Argentina e Uruguai, deu um salto nos últimos meses. Enquanto que, no primeiro semestre do ano, o volume máximo importado em um mês foi de 7,93 mil toneladas (em janeiro), de julho em diante as aquisições dispararam. Em setembro e em outubro, entraram no país 19 mil toneladas e 18,5 mil toneladas, respectivamente, tendo como principais compradores empresas de São Paulo, Espírito Santo e Rio Grande do Sul, nesta ordem. De janeiro a outubro, foram importadas 102 mil toneladas de produtos lácteos, volume 11,3% superior ao do mesmo período de 2019.
Para a Fetag, “a falta de controle das importações” já reflete na queda do preço pago pelo litro de leite ao produtor, que vinha se valorizando em 2020. O Conseleite/RS projetou uma queda no valor de outubro, de 5,18% (R$ 1,5482) em relação ao consolidado de setembro (R$ 1,6327). Esta retração irá se confirmar, segundo o vice-presidente e diretor de Política Agrícola da Fetag, Eugênio Zanetti.
 
Em contrapartida, os custos de produção não param de subir. Nos últimos seis meses, segundo cálculos da Fetag, a ração animal foi reajustada em 22,45%. Este aumento, comenta Zanetti, tem absorvido pelas propriedades que já não contam com pastagens e milho silagem, em função do novo período de clima seco no Rio Grande do Sul. “Como vamos ser competitivos se não temos incentivo nenhum por parte do governo?”, lamenta o dirigente.
 
O presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat), Alexandre Guerra, diz entender que o Brasil é importador de leite. No entanto, considera que o problema é quando os volumes entram de forma exagerada no mercado interno. “Isto cria um desconforto comercial e preocupa porque o setor vinha tendo uma recuperação de margem”, comenta, ao destacar ainda que, assim como produtor, a indústria também tem sentido os reflexos dos custos de produção em alta.
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