CPT - Centro de Produções Técnicas

O queijo artesanal de Minas Gerais é responsável por mais da metade da produção nacional, com distribuição de cerca de 220 mil toneladas por dia. Além disso, na região de Araxá, aproximadamente 10 mil famílias trabalham com essa produção. O gourmet Gustavo Bicalho foi até o Alto Paranaíba para conhecer o casal Reinaldo Lima e Dalva de Oliveira Lima, que recebeu a titulação de melhor queijo da cidade. Reinaldo trabalha com produção de queijos minas artesanal há três anos e logo no primeiro ano de produção venceu o concurso de melhor queijo artesanal de Araxá. Segundo ele, o processo é realizado tradicionalmente, por esse motivo é mais demorado. Na fazenda são produzidos cerca de 25 a 30 queijos por dia. <b>Processo de produção</b> O gourmet acompanhou o processo de produção dos queijos que tem início na ordenha realizada diariamente. O casal trabalha com 52 animais da raça Jersy, dessas, 22 vacas que produzem 200 litros de leite diariamente. A responsável pelo manejo do gado e a produção do leite é a dona Dalva, que afirmou ter paixão pela raça. "Eu amo o campo, por causa disso conversei com o meu marido e falamos sobre morar na fazenda e trabalhar com os animais. O queijo sai gostoso por causa do nosso amor com as vaquinhas, do nosso tratamento com elas", disse. O leite é aproveitado com a temperatura natural do peito da vaca, no qual é canalizado diretamente da ordenha até o tanque de recepção. No tanque, o leite recebe coalho e o tradicional pingo. Esses ingredientes agem durante 40 minutos. "Os queijos produzidos são colocados na bancada e depois são levados para o acabamento, nas salas de maquiagem e cura. Todo o processo é realizado com segurança, capricho, higiene e muito amor", informou Reinaldo. <b>Curiosidades do queijo </b> Segundo Reinaldo e Dalva, o secredo do sucesso do queijo está nos gados Jersy (raça leiteira), que são muito amavéis e dóceis. O que facilita no trabalho, que é realizado com amor e muita dedicação do casal. Em maio de 2008, o queijo minas artesanal foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo Instituto Patrimônio Histórico Nacional (Iphan). Produzido nas regiões de Minas Gerais: Serro, Serra da Canastra, Serra do Salitre, Campo das Vertentes, Cerrado, Triângulo Mineiro, Araxá (no Alto Paranaíba). O queijo minas artesanal é o sustento de mais de 30 mil famílias em mais de 600 municípios do Estado. Além disso faz parte da cultura do Alto Paranaíba desde o início da sua colonização. <b>História</b> A história do queijo minas artesanal se dá na mesma época da descoberta do ouro na Capitania de Minas Gerais. Muitos portugueses vieram ao Brasil em busca das riquezas que a região dispunha. Como precisavam de um alimento que durasse o dia todo e que resistisse às longas jornadas, os viajantes adaptaram uma antiga receita portuguesa de queijo coalhado produzido a partir de leite fresco. <b>Araxá</b> A fundação da cidade de Araxá teve início em 1788, data em que foi celebrada a primeira missa do território. Durante muito tempo Araxá ficou subordinada ao controle político-administrativo de Goiás. A integração em Minas Gerais se deu por aspectos envolvendo de forma decisiva a figura de Dona Beja, quando despertou paixão no ouvidor-geral da Comarca, em 1915, Joaquim Inácio Silveira da Mota. Tomado de grande paixão pela moça, a raptou. A família da Beja, queixou-se ao governador de Goiás, inimigo do ouvidor-geral. Por esse motivo, para livrar-se da situação, Joaquim Inácio intercedeu junto a Dom João VI, conseguindo que Araxá passasse a ser parte de Minas Gerais, onde o julgamento não teria maior importância.

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