CPT - Centro de Produções Técnicas

A estiagem atípica registrada em Minas Gerais ao longo de janeiro fez com que a captação do leite ficasse menor, o que provocou a elevação dos valores pagos aos pecuaristas, após um longo período de queda. De acordo com dados divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o produtor recebeu em fevereiro, pela produção entregue em janeiro, R$ 0,86 por litro na média líquida, aumento de 1,14% frente ao mês anterior. Para o próximo pagamento, a estimativa é de estabilidade nos valores. Em Minas Gerais, os preços líqüidos pagos pelo litro de leite variaram entre o mínimo de R$ 0,70 e o máximo de R$ 1,00. No valor bruto, a média de preços recebida pelo produtor ficou 1,28% superior, com média de R$ 0,94, preço mínimo de R$ 0,78 e máximo de R$ 1,09. O resultado mineiro foi contrário à média nacional que encerrou fevereiro com retração nos preços. Segundo os pesquisadores do Cepea, mesmo com a captação menor, os estoques ainda elevados das cooperativas fez com que o ritmo de negociações ao longo do mês fosse menor, o que contribuiu para a retração dos valores. Apesar da redução, o índice foi menor que o registrado nos meses anterior. Levando em conta os dados dos estados que compõem a média Brasil – Bahia, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo – o preço líqüido do leite recebido pelo produtor caiu 0,76% em fevereiro, na comparação com janeiro, ficando em R$ 0,83 por litro. Em relação ao mesmo mês de 2014, o recuo é de 11,5%. O preço bruto médio foi de R$ 0,92 por litro, retração de 0,71% no mês. Icap – O Índice de Captação de Leite do Cepea (Icap-L/Cepea) recuou 3,5% de dezembro de 2014 para janeiro de 2015. As chuvas abaixo do normal para o período em grande parte do país dificultaram a recuperação das pastagens e impactaram de forma negativa na produção. No Estado, a escassez hídrica registrada em janeiro provocou a queda na produção. De acordo com o presidente da Cooperativa dos Produtores Rurais do Serro (CooperSerro), na região Central do Estado, Carlos da Silveira Dumont, a captação na região ficou em torno de 15% menor que a média para o período, que normalmente é de alta produção em função da pastagem abundante. "A região vem sofrendo os impactos da estiagem e um dos principais reflexos negativos é na produção de leite. Em relação aos preços, na nossa região, os mesmos se mantiveram estáveis e variando entre R$ 0,95 e R$ 1,10, dependendo da qualidade do produto entregue", diz. Em Minas Gerais, segundo o Cepea, foi verificada valorização do leite em três das quatro das regiões pesquisadas. Somente Sul e Sudoeste registraram perdas na cotação. O preço médio liquido praticado, R$ 0,66, ficou 5% inferior. Queda também na média bruta, 4,74%, com o litro de leite negociado a R$ 0,73. A maior alta foi na Zona da Mata. A média de preço líqüido praticada em fevereiro foi de R$ 0,70, o que representou incremento de 10,79%. No valor bruto, R$ 0,76, a valorização foi de 9,4%. De acordo com o presidente da Cooperativa dos Produtores de Leite de Mar de Espanha (Maresp), na Zona da Mata, João Batista Gribel de Rezende, a Maresp reajustou em 5,88% os preços pagos aos produtores, que ficou em média a R$ 0,85 por litro. "Reajustamos os preços para acompanhar o mercado e manter o índice de captação que ficou menor devido ao período de seca, mas acreditamos que os valores se manterão estáveis no próximo pagamento. O mercado do leite é muito instável e a crise econômica enfrentada pelo país interfere em todos os setores, inclusive nos preços do leite", ressalta. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte o pecuarista recebeu, média líquida, R$ 0,93 por litro de leite, elevação de 3,39%. A média bruta ficou 4,01% superior, com o produto negociado a R$ 1,04. Já no Vale do Rio Doce os preços se mantiveram praticamente estáveis, com pequena variação positiva de 0,48% no preço bruto e de 0,19% nos valores líqüidos, com o litro avaliado em R$ 1,12 e R$ 1,02, respectivamente. Ainda segundo as informações do Cepea, a maioria dos representantes de laticínios e cooperativas acreditam que haverá estabilidade no próximo pagamento. Entre os entrevistados, 50% (que representam 68,84% do volume amostrado) acreditam em estabilidade. Outros 30,43% esperam alta em março, estes representam 22,62% do leite amostrado. Já 19,6% estimam queda nos preços ao longo de março.

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