CPT - Centro de Produções Técnicas

Depois de oito meses em queda, o preço do leite voltou a subir. Mas a previsão dos economistas é que esse vai ser um ano difícil para o setor. Antigo produtor de leite da região de Juiz de Fora, na Zona da Mata Mineira, Antônio Geraldo de Oliveira, conhecido como Totonho, tem 52 vacas mestiças, com 33 em lactação, em uma fazenda de 90 hectares. Antônio Geraldo de Oliveira produz uma média de 300 litros de leite por dia. A produção da ordenha vai para a pequena queijaria montada no próprio sítio. A nora Patrícia ajuda a preparar o queijo frescal, que depois é vendido em média por R$ 12. Fazendo as contas, ele consegue ganhar R$ 1,80 no litro do leite em forma de queijo. Por isso, desistiu de vender o leite in natura para os laticínios. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP (Cepea), o preço do leite esteve em queda durante os últimos oito meses. A Média Brasil, calculada em sete estados, recuou 17%. Na última semana, alguns produtores de Juiz de Fora, conseguiram um pequeno aumento. O valor passou de R$ 0,77 o litro para R$ 0,84. Mas a alteração não foi suficiente para animar o setor. "Nós devemos ter agora preços melhores para o consumidor talvez, mas pior para o mercado de quem trabalha", avalia o pesquisador da Epamig, o veterinário Adauto de Matos Lemos. O final de fevereiro e o início de março é tradicionalmente um período em que o preço do leite começa a subir. Mas um levantamento feito por economistas mostra que depois de dois anos bons para o setor, sempre vem um ano difícil. Nesse ciclo, 2015 é justamente o chamado terceiro ano. O agrônomo e pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Lorildo Stock, faz parte do estudo que engloba 46 países e que analisa a evolução do mercado há 15 anos. De acordo com os cálculos, este ano deve repetir o cenário de 2009 e de 2012 porque a China diminuiu a importação e os estoques mundiais de leite estão altos. Por isso, o preço vai continuar melhorando até maio, no auge da entressafra, mas pouco. "Eu acredito que não passe de R$ 1,00 esse ano porque é um ano complicado", diz. O produtor de leite Gil Guimarães reduziu os custos ao máximo para enfrentar o ano ruim. Ele tem 19 vacas da raça jersey em lactação. O rebanho é criado a pasto. No cocho, só entra um concentrado, feito à base de fubá e soja, e minerais. Em duas ordenhas, a fazenda produz uma média de 400 litros de leite por dia. Não há funcionários na propriedade, onde o trabalho é todo feito em família. O produtor calcula o custo de produção em R$ 0,50 e comemora o pequeno aumento dos últimos dias. Gil Guimarães vende 80% da produção de leite para o laticínio. Mas metade do lucro da família sai de queijos e iogurtes que o filho Gilmar aprendeu a fazer. Por isso, faz planos para montar sua própria queijaria nos próximos meses. "Eu tenho dois filhos que estão bem dentro da área do laticínio. Eu quero que eles aproveitem esse lado profissional deles comigo", diz Guimarães.

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