CPT - Centro de Produções Técnicas

O cenário recessivo da economia brasileira, com inflação alta, juro pesado e câmbio em disparada, nem sempre é sinônimo de pé no freio. De olho no futuro, empresários do agronegócio identificam, em plena crise, brechas para crescer e se fortalecer no mercado. Nesta reportagem especial, sob o selo RS que dá Certo, Zero Hora retrata histórias de quatro empreendimentos que se destacam por avançar na contramão do pessimismo. Sem melindres, projetam a conclusão de obras importantes para 2015 e 2016 e têm pelo menos uma característica em comum: investir agora para colher os frutos mais adiante, quando a tempestade passar. A crise, na avaliação do economista da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Antônio da Luz, deve ser encarada como um momento de rever estratégias: — O empresário tem de ir para as planilhas e refazer os cálculos. Se aquele projeto que estava no horizonte se mantiver viável, é hora de aproveitar e seguir em frente. É aí que surgem as melhores oportunidades. <b>Para aproveitar a janela russa</b> Entre crescer e reduzir a participação no Estado, a Nidera Sementes — um dos casos retratados por ZH — integra o grupo que apostou na primeira opção. A multinacional holandesa mantém projeto de construção de um terminal hidroviário em Canoas e de duas unidades de armazenamento de grãos no Interior. Ao todo, investirá R$ 110 milhões, levando uma lufada de otimismo aos municípios beneficiados. <b>Melhoria constante do produto</b> O investimento, segundo o consultor em agronegócio Carlos Cogo, é reflexo do déficit em infraestrutura para estocagem e escoamento da produção. — O Rio Grande do Sul continua atrás nessas áreas. Muitas empresas, e a Nidera é apenas uma delas, estão se dando conta disso. Investir em armazenagem é um negócio lucrativo — analisa Cogo. <b>Sem moeda podre no caixa</b> Após descoberta de fraude, produtores de queijo reiteram foco em qualidade para afastar suspeitas As outras três histórias registradas nas páginas que seguem envolvem cooperativas de laticínios. Em 2014, o setor enfrentou um momento de turbulência por conta de um conjunto de fatores, como o desequilíbrio entre produção e consumo. Além disso, denúncias de fraude arranharam a imagem das indústrias, que agora apostam alto na qualificação de seus produtos. Juntas, Santa Clara, Languiru e Cooperativa Central Gaúcha Ltda. (CCGL) contabilizam um aporte de mais de R$ 200 milhões em melhorias, a maior parte com financiamento do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Os planos incluem a construção de instalações e até a duplicação de uma unidade — a da CCGL, em Cruz Alta. — Muitos investimentos levarão até dois anos para ficar prontos. Serão concluídos quando o Brasil estará vivendo uma fase bem melhor. Assim, poderemos atender à nova demanda interna, além do mercado externo, que é importante para o setor continuar crescendo — diz Alexandre Guerra, presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado (Sindilat-RS) e diretor da Santa Clara. <b>Capacidade de produção duplica para atender demanda por uma década</b> Em outubro de 2008, quando a Cooperativa Central Gaúcha Ltda. (CCGL) começou a operar em Cruz Alta, no Noroeste, o mercado financeiro internacional enfrentava uma tormenta. Um mês antes, o Lehman Brothers, quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos, fechou as portas. Foi no auge daquela crise que a CCGL começou a operar no município e é em meio a um novo período de incertezas que, sete anos depois, investe na duplicação de uma unidade no Rio Grande do Sul. As obras estão em andamento. — Em 2008, definimos que faríamos a duplicação assim que atingíssemos a capacidade máxima de produção. Esse dia chegou, e o nosso desempenho nos permite manter o cronograma. Entendemos que não adianta deixar para investir quando a crise terminar, porque, assim que isso acontecer, temos de estar prontos para a nova fase. Isso vai nos permitir operar tranquilamente pelos próximos 10 anos — afirma Caio Vianna, presidente da CCGL, que reúne 22 cooperativas associadas e 171 mil produtores. Ao todo, o valor aplicado chega a R$ 100 milhões, dos quais R$ 78 milhões foram obtidos via financiamento no Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) — parte do dinheiro veio em 2014, parte em junho deste ano. Quando a ampliação estiver concluída, em fevereiro de 2016, a capacidade de processamento passará de 1 milhão de litros de leite por dia para 2,2 milhões. O projeto inclui a construção de um armazém de produtos lácteos, com 7,5 mil metros quadrados de área e capacidade para receber 9,6 mil toneladas de leite em pó, a especialidade da cooperativa, que também industrializa creme de leite e achocolatado. A previsão é de que o armazém proporcione economia de pelo menos R$ 1,2 milhão ao ano. O novo prédio substituirá espaços alugados e tornará possível a centralização da estocagem e do despacho. Com isso, segundo Vianna, será possível reduzir custos com fretes e evitar a perda de produtos por conta de danos causados pelo trânsito e pelo manuseio. Além disso, a CCGL estima que será capaz de gerar, no total, de 150 a 200 vagas diretas. Para cada uma delas, Vianna estima que surjam outras 60 indiretas, ao longo de todo o segmento produtivo do leite. <b>Cooperativa da Serra expande indústria para outro município</b> Na Cooperativa Santa Clara, em Carlos Barbosa, na Serra, o pessimismo fica do lado de fora. Com 103 anos, reconhecida pelo pioneirismo, a empresa trabalha para duplicar a capacidade de industrialização com a construção de uma nova fábrica de laticínios em Casca, no norte do Estado. — Estávamos nos preparando para isso, e temos de ser persistentes. Não dá para mudar o caminho a cada problema. Somos otimistas acima de tudo — diz o presidente da cooperativa, Rogerio Bruno Sauthier. Ao todo, o investimento deve ultrapassar a cifra de R$ 100 milhões — dos quais R$ 70 milhões vêm Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). O aporte, segundo o diretor administrativo e financeiro Alexandre Guerra, faz parte da estratégia traçada para atender ao aumento da produção de leite dos cooperados, que cresce 5% ao ano. Da nova indústria, sairão 400 mil litros de produtos lácteos por dia. A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) já emitiu licença prévia para o início da construção, que ocupará área de 50 hectares na Linha 15 de Novembro, interior do município. Serão criados 166 empregos. A produção envolverá leite UHT, creme de leite e bebida láctea, mas existe a possibilidade de ampliação para produzir leite em pó e queijo minas frescal. E a crise? Na avaliação de Guerra, pode até ajudar. — Tendo planejamento e crédito, todo momento é favorável. Em épocas de crise, é possível negociar melhor investimentos, aproveitando assim a ociosidade dos fornecedores de máquinas, equipamentos e da própria construção civil — explica o diretor. A Santa Clara tem 5 mil associados e atua em mais de cem municípios gaúchos. <b>Novo centro de distribuição é caminho para crescimento</b> Entre 2010 e 2014, a Cooperativa Languiru, com sede em Teutônia, no Vale do Taquari, investiu R$ 150 milhões para modernizar o parque industrial — e não parou por aí. Neste ano, apesar da crise, mais R$ 10,6 milhões estão sendo aplicados na conclusão de um novo centro de distribuição no município. — Os pessimistas enxergam dificuldade na oportunidade. Os otimistas veem oportunidade na dificuldade. Nós estamos entre os otimistas. Trabalhamos com a perspectiva de crescimento de 15% no faturamento em 2015 — diz Dirceu Bayer, presidente da cooperativa. O prédio que abrigará o novo centro foi comprado ano passado da Cooperativa Regional de Desenvolvimento Teutônia (Certel). Para tanto, a Languiru conseguiu financiamento no Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). O dinheiro foi liberado em junho. — Foi uma ótima oportunidade de negócio. Necessitávamos de espaço com câmaras frias para estocagem de produtos para continuar crescendo — afirma Bayer. As obras de adequação do espaço devem ser concluídas entre o fim de 2015 e o início de 2016. O primeiro andar do armazém será depósito de mercadorias secas e o segundo, com câmaras frias, para manter produtos refrigerados. Conforme o presidente da cooperativa, será possível reduzir despesas com o aluguel de outras estruturas e centralizar o armazenamento de todos os produtos industrializados, favorecendo a logística e diminuindo os custos com transporte.

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